
No Central Park, em Nova York, nem os dias nublados tiram a graça da cidade
"Fim de jogo" parece a inscrição no telão ao final do show da Madonna em Nova York. Mas, desta vez, estou falando de outro assunto.
Depois de dias de férias em Nova York, após o término da bolsa de estudos, em que eu não tinha acesso à internet - só pago e muito caro -, voltei a Porto Alegre. Deste tempo passado na terra do tio Sam, trago muitos aprendizados, vários dos quais compartilhados com os leitores deste blog, como a segregação da zona sul de Chicago, a campanha presidencial que mais parece um grande show de entretenimento e pequenos hábitos do cidadão de classe média.
Aos que acompanharam o Por Dentro dos EUA podem agora conferir o desenrolar da corrida à Casa Branca no blog América Vota, capitaneado pelos repórteres Daniel Scola e Rodrigo Lopes.
Boa (nova) leitura e nos vemos no próximo blog!

Mas, quando faz sol, nova-iorquinos e turistas se espalham pela grama do parque

A Ponte do Brooklin te leva a conhecer a outra face de Nova York
Foto: Kathy Willens/ap |
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Eletrizante, dançante, iluminado. Assim foi o show de Madonna neste domingo no Madison Square Garden em Nova York. Tudo o que você pensa que vai ver em um show da maior estrela pop dos últimos 20 anos você verá e verá muito mais. É claro que ela canta e que ela dança, mas o mais incrível que Madonna faz no palco é reunir toda a platéia em quase uma prece, como se ela fosse dona de um templo de música e entretenimento. Isso fica claro quando ela apresenta a canção Like a Prayer, ponto alto do show.
Mas é o novo álbum, “Hard Candy”, que toma conta de grande parte do espetáculo. Os antigos sucessos dão passagem para as músicas novas. E os fãs até sentem falta de “Material Girl” e “Like a Virgin”, mas não tanta falta porque Madonna sabe agradar a platéia. E sabe surpreender ao posar com guitarras ao longo das duas horas de espetáculo e apresentar uma versão mais pesada de “Borderline”.
O show, no entanto, é muito mais do que música: é um grande acontecimento, em que a maior estrela pop dos últimos anos fala de política, dela mesma e, claro, de diversão.

Passear pelo Southside Chicago pode te levar a vários lugares: tradicionais bares de blues, pizzarias simples, baratas e com boa comida, largos espaços para recreação, edifícios modestos e a casa do candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, Barack Obama.
Casa de classe média alta, protegida por árvores e por dois carros de polícia. Pela frente da casa não é possível parar ou estacionar o carro. E se for pedestre e estiver caminhando pela rua, tem de andar pelo lado oposto da calçada e não pode parar nem mesmo para amarrar os tênis. Para tirar foto, então, nem pensar. O policial grita do outro lado da calçada: “Continue andando! Continue andando!”. Mais ou menos o que aconteceu comigo e com o grupo de jornalistas que lá estava.

Apesar de ser uma escola pública voltada para famílias de baixa renda, a Carter G. Woodson South, uma Charter School, em Southside Chicago, mais se parece com escolas particulares no Brasil. São 205 alunos que ocupam as nove salas de aula da 6ª, da 7ª e da 8ª série em uma escola em que 99% dos alunos são afro-americanos, em que 90% das crianças nunca repetiram de ano e em que 100% delas têm seu próprio laptop – um acordo com a Apple permitiu que os computadores fossem financiados facilmente às famílias.

Brandon quer ser jogador de baseball ou jornalista
Mas não são apenas os computadores que fazem da Charter School uma boa escola. Segundo os professores, as aulas de xadrez, informática, cozinha, teatro dão oportunidade às crianças de descobrirem seus talentos. Talentos esses que também podem ser desenvolvidos no Panther Press, o jornal da escola. É nele que Brandon Marshall, 12 anos, passa grande parte de seu tempo livre.
- Minha segunda opção é seguir a carreira de jornalista – conta Brandon.
Ao ser perguntado sobre a primeira opção, ele não hesita em responder:
- Quero ser jogador de baseball!
Política 
Na Charter School, política também tem vez nas salas de aula, nos corredores, nas discussões entre os alunos. O objetivo é fazer os alunos discutirem o destino do país, falarem sobre suas opiniões. Pelos corredores, cartaz mostram essas conversas, e os alunos, em sua maioria, não deixam de dar sua opinião quando perguntados.
- Se eu pudesse votar, votaria em Barack Obama. No debate entre Sarah Palin (candidata à vice-presidente na chapa republicana, ao lado de John McCain) e Joe Biden (companheiro de chapa de Obama), ela não respondeu as perguntas! – diz Brandon.
Viagens

Durante este mês, os alunos da Charter School estão arrecadando dinheiro para financiarem uma viagem ao Egito. Segundo os professores, o objetivos é ensinar história mostrando que os lugares onde fatos importantes aconteceram não estão apenas nos livros.


Quando se chega a Southside Chicago, bairro no Sul da cidade, pode-se ver uma realidade que algumas pessoas pensam que só existe nos filmes: a segregação racial. Lá, 90% dos moradores são negros e 99% das crianças que estudam nas escolas do bairro são negras. E assim as pessoas vivem divididas.
Ao longo dos dois meses que estou viajando pelos Estados Unidos vi bairros de latinos, de brancos, de negros como nunca vi no Brasil. A segregação (e algumas vez até o racismo) está em toda a parte – e eu confesso que estava naquele grupo que pensa que coisas assim só poderiam ser encontradas nos filmes que retratam a década de 50 de Chicago e Nova York. Mas situações existem e estão aqui do lado, aqui na frente.
Na primeira semana que passei em Minneapolis, vivi uma situação que nunca tinha passado no Brasil. Dentro de um ônibus, sentada com colegas da Índia, da China, da Argentina, da Hungria, da Espanha, da África do Sul, da Lituânia e da Bósnia – portanto, de várias raças e nacionalidades -, ouvimos um grupo de negros dizendo: “Acho que têm muitos brancos nesse ônibus”.
E assim é o racismo e a segregação racial nos Estados Unidos: via de duas mãos.

O espetáculo "Dirty Dancing - The Classic Story on Stage" está em cartaz em Chicago desde domingo e segue até janeiro de 2009, quando segue para a Broadway, em Nova York
Para quem, em 1987, foi ao cinema assistir ao filme “Dirty Dancing”, vê-lo ao vivo é uma experiência inesquecível (e não impossível, como podem pensar muitos). Desde domingo, o musical “Dirty Dancing – The Classic Story The Stage”, está em cartaz no Cadillac Palace Theatre, em Chicago, antes de ir para a Broadway, em Nova York, o que ocorrerá em janeiro de 2009.
Não vou relatar aqui a história de Frances “Baby” Housemann e Johnny Castle, porque acredito que todos já viram o filme estrelado por Patrick Swayze e Jennifer Grey – e se não assistiram ainda, corram para a locadora! O mais interessante da experiência de ver Dirty Dancing ao vivo não é a história, é a reação das pessoas. Como todos já sabem quais são as cenas seguinte, a expectativa é grande a cada grande momento. Quando, por exemplo, Johnny Castle entra pela primeira vez em cena, a reação feminina na platéia do Cadillac Palace Theatre é uma só: gritos apaixonados de quem não vê Johnny há 20 anos.

Ao som de "Hungry Eyes", Johnny Castle (E) ensina Baby (C) a dançar, com a ajuda de Penny (D)
Os fãs do filme não têm motivos para se preocupar sobre possíveis mudanças nas grandes cenas, pois os produtores não mudaram nada, apenas acrescentaram algumas cenas. Dois dos grandes momentos – o treinamento do salto de Baby na água e a dança final estão lá, no palco, intactos. Essa última cena tem uma preparação e uma apresentação mais detalhada ainda (todo o espetáculo é repleto de efeitos visuais incríveis). A iluminação do teatro ganha força, e quando Johnny diz “Ninguém coloca Baby em um canto”, a platéia aplaude euforicamente e grita como se estivesse em frente a ídolos adolescentes. Na verdade, é isso o que “Dirty Dancing – The Classic Story on the Stage” é: um reencontro com símbolos da adolescência.

No teatro, um estande vende camisetas, shorts, canecas, chaveiros e vários tipos de suvenires do filme/musical
Elenco principal:
Johnny Castle - Josef Brown
Frances "Baby" Housemann - Amanda Leigh Cobb
Penny Johnson - Britta Lazenga

Em meio à invejável arquitetura, às prósperas finanças, à tecnologia presente no dia-a-dia de Chicago, um lugar reserva uma aura de tranqüilidade e cidade pequena, até com uma cara de praia, principalmente se o caminho para se chegar ao Navy Pier for feito à pé, por ruas secundárias, partindo da Avenida Michiga, famosa pelas lojas das grandes marcas.
Ao andar pelas ruas, aos poucos, vai se mudando o ambiente, até chegar ao Olive Park, ao lado do Navy Pier. Neste parque, há uma pequena praia, de onde se tem duas paisagens: os belos edifícios de Chicago e o Navy Pier, onde os barcos chegam para levar turistas a um passeio de cerca de uma hora.



E é lá onde, depois de passear pelo Olive Park e sentir os ares praianos, é possível caminhar, conhecer o Chicago Shakespeare Theater (ganhador do Tony Award como melhor teatro regional de 2008), o Smith Museum of Stained Glass (onde você pode ver a arte feita em vidraçaria), o IMAX Theatre (filmes em 3D passam lá diariamente, basta checar os horários e a programação, US$ 15 o ingresso adulto e US$ 13 o ingresso para crianças e idosos) e o Chicago Children MUseum, além de, é claro, muitas lojas – dificilmente um ponto turístico nos EUA não é munido de muitas e muitas lojas.

Homenagem a Martin Luther King, relembrando seu famoso discurso, no Smith Museum of Stained Glass

Como ir a um estádio assistir ao um jogo e não sentir a mesma emoção que nós, brasileiros, sentimos em um jogo de futebol? Simples: vá a uma partida de baseball nos Estados Unidos.
No domingo passado, tive o privilégio de assistir, direto do U.S. Cellular Field, em Chicago, a um jogo entre o Chicago White Sox e o Cleveland Indians, em que o time da casa, o Sox, ganhou. Motivo para fazer com que a multidão fosse ao delírio, não acham? Mas isso não acontece. Eles são contidos, muito contidos se comparados a nós. Chegam calmamente ao estádio e esperam os poltrões abrirem ao som de uma banda. E, quando as portas se abrem, famílias inteiras com suas camisas e bonés do time procuram seus lugares – todos têm assentos marcados -, acomodam-se confortavelmente e vão em busca de cachorro-quente, cheeseburger, refrigerante, sorvete, cerveja. Durante as três horas de jogo, as pessoas circulam pelo estádio, vão à loja que vende todos os produtos que se pode imaginar com a marca do time, caminham, compram outro cachorro-quente.
Mas o mais impressionante são as músicas cantadas pela torcida. Diferentemente do Brasil, não há palavrões – mas também não há lá muita emoção. Apenas ao final do jogo, a torcida entoa uma melodia que mais se parece com uma canção de ninar e que diz mais ou menos assim: “Nosso time fez um bom trabalho hoje, tivemos mais uma vitória...” e assim segue.
Para nós, brasileiros, quase irreal. Mas é assim que um jogo de baseball transcorre no meio da torcida. E, apesar dos assentos marcados, da extrema organização, da aura familiar que um jogo de baseball tem para os norte-americanos, eu ainda fico com a emoção dos nossos estádios de futebol.

Três horas de jogo

Cerveja a US$ 6,50

Concentração da torcida

Uma das tradições de Chicago é o cheesecake. Ok, o blues também. Mas agora é a vez do famoso doce. Moradores da cidade e turistas encontram, na principal avenida da cidade, a Michigan Avenue, o lugar ideal para colocar essa tradição à prova. Aberto em 1978 em Beverly Hills, Califórnia, a Cheesecake Factory oferece mais de 40 sabores da sobremesa em seu cardápio. Para conseguir uma mesa nos principais horários, no entanto, é preciso esperar. Mas os minutos passados nas escadarias em frente ao restaurante valem a pena. O atendimento é bom, e a especialidade da casa mostra porquê é uma das estrelas de Chicago.
Para saber mais, clique aqui e confira o site da Cheesecake Factory.

Cheesecake de banana

Guardanapo personalizado

Um dos aspectos mais interessantes de se vivenciar Nova York é que a programação cultural está na porta do seu hotel (seja ele qual for), e shows e musicais que parecem tão distantes da nossa realidade brasileira estão a poucos passos e, muitas vezes, disponíveis por cerca de 30 dólares. E, para completar, em casas de espetáculos com uma história de 76 anos, em que as paredes, as escadas e os camarins presenciaram espetáculos que ninguém esquecerá.

Assim é o Radio City Music Hall, dentro do complexo Rockfeller Center, no centro de Manhattan. E foi lá que a cantora canadense Alanis Morissette apresentou o show do álbum Flavors of Entanglement no dia 26 de setembro.
O show, porém, começou antes mesmo de Alanis. Completamente restaurado, o teatro tem o poder de levar aos anos 30 as pessoas que ali entram. O carpete mostra instrumentos. Nos toilettes, amplos salões com espelhos e poltronas para as mulheres descansarem e refazerem a maquiagem.
E no principal salão, em meio a cortinas douradas que contam a vida das famosas rockettes (grupo de dança formado por mulheres que são a marca registrada do Radio City Music Hall desde a década de 30), Alanis subiu ao palco. Lá, a sua espera, apenas instrumentos e microfones. Nada de superprodução. Apenas luzes, luzes que transformaram magicamente as duas horas em que a canadense esteve sob os holofotes.

As novas canções impressionaram, mas, claro, foram os grandes sucessos que levaram o público – novaiorquino e estrangeiro – ao êxtase. “Ironic”, grande hit do álbum Jagged Little Pill, marcou a grande volta da cantora no primeiro bis. E do Radio City Music Hall, os fãs saíram, caminhando pelas ruas, em torno das 23h30min, como se não existisse perigo em Nova York. Será que não existe mesmo? Ainda não sei, mas isso é assunto para outro post. Quem sabe em outubro, quando eu estiver na Big Apple novamente.
Nota aos viajantes
O Radio City Music Hall oferece tour por dentro do teatro diariamente, a partir das 11 horas da manhã. Não adianta chegar antes das 10h30min, porque a bilheteria ainda não está aberta. O tour dura uma hora, e os visitantes podem fotografar o que quiserem. Mais informações no site do teatro, clicando aqui.

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