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Em respeito à parceria feita com o chargista Iotti e para a alegria dos leitores, segue a última tirinha publicada no caderno Sete Dias, do Pioneiro, sobre a visão do gringo Radicci a respeito da sofisticação do vinho. O trocadilho feito pelo personagem pode ficar um pouco nebuloso para internautas distantes do sul do Brasil, por não conhecerem a fama de determinada casa noturna porto-alegrense, mas creio que a tirinha seja autoexplicativa. Se quiser ler outras tirinhas do Iotti com a mesma temática, é só clicar aqui.
Foto: Daniela Xu |
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É impressionante como o tema dos "enochatos" mobiliza o público amante de vinhos. Uns destratam, outros defendem, há os que julgam e os que se identificam. Exemplo é que nesta semana, entre as tirinhas do Iotti publicadas aqui no Enoblog, a que mais chamou a atenção foi a que levou o título "Vingança contra os enochatos". Pois a respeito desse assunto, um dos relatos mais sensatos e divertidos que li nos últimos tempos veio do escritor e cronista do Pioneiro Marcos Fernando Kirst, publicado sexta-feira passada. Além de fazer um mea culpa, ele talha um novo termo para designar esse personagem, o "enobobo" - verbete que tem grande chance de ser adotado de vez aqui pelo blog. Enfim, depois de rasgar tanta seda, é justo compartilhar o texto com os leitores. Boa leitura. Confissões de um ex-enobobo Alguns anos atrás, ao visitar uma vinícola no interior de Flores da Cunha, tive um insight que me fez retornar ao mundo das pessoas normais e sensatas, afastando-me para sempre da boba soberba (ou "boberba") que caracteriza os enochatos, coisa que até então eu era. Fui trazido de volta à lucidez quando presenciei um grupo de colegas enobobos paulistas esfregando as mãos nas pipas de um vinho carmenére e lambendo as palmas para sentir o gosto do carvalho que depois tentariam identificar na degustação do produto no cálice. "Dionísio!", exclamei eu. Fiquei só imaginando o que eles fariam caso o enólogo dissesse que determinado vinho exalava aromas que remetiam a selas de cavalo. Já ouvi gente jurar que certo assemblage tinha perfume de cachorro molhado. Felizmente, não havia nenhum cachorro molhado e nenhum integrante do grupo paulista por perto, na ocasião... O enobobo neófito, por exemplo, é aquele comparado a um vinho jovem (frutado, pouco tânico, portanto), que recém descobriu a diferença entre um vinho tinto e um branco, cai no deslumbre e dificilmente sairá dele, evoluindo para categorias mais avançadas de enobobismo. A máxima desse enobobo é jurar de pés juntos que vinhos brancos combinam com carnes brancas e vinhos tintos com carnes ver... meeeeee...?? O enobobo sabidinho é aquele que, já um pouco mais amadurecido, descobre que existem varietais e passa a circular pelas gôndolas dos supermercados (só mais tarde, envelhecido em barris franceses de carvalho, é que ele vai descobrir o desbunde das casas especializadas) em busca de preciosidades como merlots, cabernets sauvignons (ele pronunciará, em francês corretíssimo, "sovinhôn"), tannats, malbecs ("a delícia argentina", sentenciará), rieslings e chardonnays. O enobobo maturado é aquele que está perdido para sempre. Se mal acondicionado, a rolha sairá com dificuldade, mas, aberto, despejará com ar de enfado sua sapiência obtida após anos de estudo e litros de consumo. Olhará em volta aos meros mortais bebedores de qualquer coisa vermelha que vier em garrafão e desdenhará sagu como desperdício do líquido precioso. Quando você menos espera, estará lá atrás na cantina, agachado, lambendo pipas de carvalho. Baco me livre!
Não lembro quem, não sei onde, escreveu apropriadamente que, "de uma hora para outra, salvo um ou outro abstêmio mais convicto, todo o mundo passou a entender de vinhos". É a mais cristalina, decantada e borbulhante verdade. Mas agora, que voltei ao mundo das pessoas normais que apreciam seus vinhos no anonimato acolhedor de seus lares sem oprimir ninguém com uma pretensa sabedoria iniciática, percebi que pode ser também divertido observar e analisar o universo habitado pelos enobobos, classificando suas safras de acordo com os níveis de deslumbre que apresentam.
Se por um lado o terremoto que atingiu o Chile no dia 27 de fevereiro deve elevar o preço dos vinhos produzidos naquele país, por outro a tendência natural é de que o enoturismo por lá fique mais barato. A lógica usada para se chegar a essa conclusão é a mesma empregada na inflação dos rótulos: a lei de mercado. No primeiro caso, a oferta foi prejudicada pelo tremor, mas a procura segue em alta, valorizando as garrafas. Com o turismo é o contrário. Muitos visitantes podem se sentir ameaçados pelos danos causados à infraestrutura e planejar férias em outro lugar, o que forçaria os agentes receptivos a reduzir suas tarifas. Para quem já está de viagem marcada, a organização Turismo Chile, que representa mais de 100 empresas do ramo naquele país, avisa quais as atuais condições por lá. No documento abaixo (clique no link) há um relatório sobre o andamento dos serviços após o sismo. Mais especificamente sobre o enoturismo, a nota afirma que "as excursões e visitas aos lugares próximos (de Santiago e arredores), como Viña del Mar, Valparaíso e vinícolas da Região Metropolitana e da V Região, operam em forma habitual". Mais adiante, o texto diz que "as Rotas do Vinho dos vales de Colchagua, Cachapoal e Maipo se preparam para reabrir em breve, sem datas ainda confirmadas, esperando poder reparar os danos patrimoniais arquitetônicos e de suas adegas. Especificamente em Santa Cruz, o Trem do Vinho ira repor as viagens com data marcada dia 20 de março. O programa Colchagua mas cerca já esta operando completamente. O hotel Santa Cruz e o Museo de Colchagua permanecerão fechados devido a reparações por 4 meses. Todas as Festas da Vendimia, eventos que se realizam em distintas regiões produtoras de vinho e que coincidem com o inicio das colheitas do hemisfério sul, se suspenderam." Para ler a íntegra do relatório, que traz ainda notícias sobre o aeroporto, a infraestrutura hoteleira e a condição das estradas, é só clicar no link abaixo.
A gente já falou aqui sobre o uso do decanter, mas em nenhum momento conseguimos imprimir em nossos comentários a elegância alcançada pelo personagem Radicci no uso do apetrecho.

Para ver outras tirinhas sobre o mundo do vinho feitas pelo cartunista Iotti, é só clicar aqui.
Foto: Miolo, divulgação |
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Lá vem ele de novo: o Miolo Gamay, sempre o primeiro rótulo de cada safra, está chegando com a marca 2010 impressa em seu rótulo. A previsão é de que no final deste mês ele esteja disponível aos consumidores, repetindo o sucesso de 2009, ano que marcou o início da parceria entre a vinícola de Bento e o produtor francês Henry Marionnet. Falar em sucesso não é exagero. No ano passado, foram vendidas 76,8 mil unidades do produto, crescimento de 41% sobre 2008. Para este ano, em que a meta é alcançar 108 mil garrafas, foi mantida a consultoria de Marionnet, que enviou seu filho, Jean-Sebastien, ao Brasil para acompanhar a elaboração do vinho. A proposta do vinho segue a mesma: inspirado no beaujolais nouveau francês, é um tinto jovem para ser bebido gelado (entre 10ºC a 12ºC), produzido com uvas cultivadas na Campanha gaúcha. Além de conceitual, o acordo entre as marcas brasileira e francesa é comercial. O Gamay da Miolo será vendido na Europa por meio dos canais conhecidos por Marionnet, e a cantina de Bento fará o mesmo por aqui com o Gamay Oubliet, produzido pelo enólogo na França. A maior novidade em relação à safra passada está no rótulo, que foi desenhado pela artista Ana Maldonado, de Porto Alegre, e que você confere em primeira mão aí em cima.
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Veja outras tirinhas do cartunista Iotti clicando aqui.
Tem uva na edição de hoje do Diário Oficial da União. Foram publicadas nesta quarta-feira as normas do zoneamento agrícola para o plantio da fruta em solos gaúcho, catarinense e paulista. Segundo nota enviada pela assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura, "o objetivo do estudo é identificar as áreas com menor risco climático para a cultura na safra 2010". Se a meta é mesmo essa, não seria um pouco tarde para tal normatização? Abaixo estão duas das conclusões alcançadas pela pesquisa: "Videira - Prefere clima subtropical, semiárido, inverno úmido e frio e verão quente e seco. A videira é sensível a frios abaixo de -1°C. Durante o período de crescimento, o limite das temperaturas situa-se entre -2ºC e 42ºC. A chuva e o tempo nublado na época de floração podem produzir má formação das bagas e abortamento das flores. O Rio Grande do Sul é o principal produtor de uvas no País. A maioria dos vinhedos de viníferas está concentrada nos municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha, Garibaldi, Monte Belo do Sul, Flores da Cunha e Caxias do Sul."
Descobri que não foi só ontem que o chargista Iotti resolveu contrapor o excesso de sofisticação de alguns enoapaixonados com a grossura rústica do personagem Radicci. Desde segunda feira ele vem publicando no caderno Sete Dias, do jornal Pioneiro, tiras que colidem esses dois mundos. Perguntado sobre a série, ele deu a entender que tomou certos "enochatos" como base para as tiras temáticas. Então fiz um acordo com o gringón: enquanto ele seguir no assunto, vou reproduzindo suas piadas aqui no Enoblog. Abaixo está a que saiu na segunda-feira. Amanhã tem mais.
O vinho é tema recorrente nas tirinhas do gringo Radicci, criado pelo cartunista Iotti. Mas como bom amante dos vinhos de mesa, vira e mexe ele tira um sarro de quem aprecia rótulos, digamos, mais sofisticados. A tira publicada hoje no caderno Sete Dias, do jornal Pioneiro, mostra essa faceta do personagem. 
Segundo a revista eletrônica, o preço da fruta a granel já vinha crescendo, e com o sismo a tendência é de que a alta se acentue. Eduardo Wexman, da VIA Wines, diz que o os valores "já estavam subindo, e imagino que seguirão subindo". Andrea Ilabaca, gerente de marketing de MontGras, é mais específica: "Dependerá do volume geral de perdas, mas obviamente algum efeito (o terremoto) terá na alta dos preços". "Respondendo à lógica de oferta e demanda, ao ocorrer escassez de litros, o preço tende claramente a subir. Ainda mais se as perdas nacionais do setor são substanciais", diz Carolina Bisquertt, gerente de marketing da Bisquertt.
Demanda em alta, oferta prejudicada. Essa combinação deve fazer com que, após o terremoto que balançou o Chile, os vinhos daquele país passem a custar mais no mundo todo. O que começou como especulação baseada nas leis de mercado ganhou força com uma enquete feita com cantineiros pelo site Mosto.

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