Foto: Banco de Dados |
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Tatiana Tavares
A partir de agosto, passarei dois meses longe da minha casa, de Porto Alegre. Isso significa dois meses distante do meu marido, da minha família, da rotina, da minha casa e da minha depiladora! Confesso, isso tem tirado o meu sono. Como passar tanto tempo sem uma depilação com cera?
Depois de constatado o problema, comecei a pensar nas opções que eu teria. A primeira e mais óbvia dela seria a "gilette". Mas, isso, nem pensar! Jamais eu deixaria as minhas pernocas ficarem com textura de bochecha masculina.
A segunda possibilidade seria aqueles depiladores elétricos que prometem arrancar o pêlo pela raiz. Porém, fico com medo da dor (todas dizem que dói muito) e de que o aparelhinho me passe literalmente a perna e corte o pêlo, deixando minha pele com aquele cara de bochecha de homem sobre a qual já falei.
Então, lá fui eu para a terceira opção: creme depilatório. Mas para isso eu teria que suportar o tradicional fedor dessas loções. Até que ontem, uma amiga sugeriu uma quarta opção: a pinça! O único "entretanto" é o tempo que eu vou levar.
Será que nos Estados Unidos existe algum lugar que faça depilação à cera???
Roger e Leo, no Aeroporto do Galeão, no RioFoto: Deborah Secco (sim, a foto foi tirada por ela!) |
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Tatiana Tavares Para uma mulher que quase não acompanha futebol estar em frente à TV e prestar atenção nos 120 sofridos minutos da final da Libertadores, ontem, foi uma prova de amor. Deixar a camisa do Grêmio de lado e colocar a do Fluminese, então, nem se fala _ mesmo que hoje em dia muitos gremistas considerem o time carioca uma extensão do seu tricolor, afinal, Renato Gaúcho está no comando e o ex-craque do Flu, Roger, agora joga aqui. Mas, admito, trocar a camisa não foi o mais difícil. O pior foi ligar para o Leo, depois do último pênalti não defendido pelo goleiro Fernando Henrique, enquanto ele ainda estava no Maracanã, e ter de dizer: "Não há nada que eu possa dizer para te consolar, né?".
Desta vez, fiquei ainda mais triste ao perder a Libertadores. E nem era o meu time que estava jogando. Deveria ter ficado mais decepcionada no ano passado, quando o Grêmio entregou a taça para o Boca Juniors. Mas a vitória da LDU sobre o Fluminense fez algo mais: levou um carioca de quase 30 anos às lágrimas, em pleno Maracanã. Não um carioca qualquer, mas um fanático pelo tricolor das Laranjeiras que deixou o Rio para viver comigo em Porto Alegre e que a cada jogo do seu time sofre por não estar no mais tradicional estádio do Brasil.
Carrie escrevendo seus zilhões de pensamentos, questionamentos e dúvidasFoto: Playarte, Divulgação |
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Fernanda Souza
Acho que ele nunca viu um capítulo inteiro de Sex and the City, um pedacinho aqui e outro lá das reprises na televisão. Mas conhece quase toda a história das quatro mulheres de Nova York de tanto me ouvir falar. Porque para todas as situações da vida eu tenho um exemplo do seriado. Eu até já mudo a entonação quando falo como se fosse entre aspas "Porque no Sex and the City..." e lá vai mais um paralelo entre a série e as coisas da vida.
E então ele me saiu com uma ótima definição: como Samantha, Charlotte e Miranda têm jeitos diferentes e particulares, toda mulher se identifica com alguma das personagens e Carrie carrega um pouco de cada uma. E é isto! Eu me identifico com a protagonista porque tenho um pouco de cada uma. Não sou tão safada quanto a Samantha, nem tão santinha quanto a Charlotte, que também apronta das suas. Sou muitas vezes sarcástica como a Miranda e diante da maternidade inesperada tenho certeza que agiria como ela. A ficha ia demorar a cair, mas isso não me impediria de me tornar uma mãezona. E sou como a Carrie nestas misturas e no fato de pensar demais sobre as coisas, de fazer interrogações e escrever para desabafar.
O grande mérito da série está em colocar em pauta os dilemas da nossa geração feminina. Uma geração de Leilas Diniz que não chocam com seus atos. Podemos fazer tudo, temos liberdade sexual, profissional, comportamental e aí Sex and the City questiona: somos vadias? o amor não existe mais? e se sua vida for só pensar? isso é viver ou protelar a vida? não sou do tipo para casar? até quando viver sozinha é ter uma vida?
Podemos agir como homens, como a Charlotte que marca encontro com dois caras numa mesma noite (e se dá mal) ou como a Carrie que "transa como homem", sem compromisso (mas não fica muito confortável com a situação). Podemos ter liberdade de comportamento, mas ainda carregamos o gene da autocensura. E o que é pior, ainda não aprendemos a autopreservação. Estamos sempre arriscando mais, mergulhando mais fundo ou saltando no vazio!
Mas tudo que queremos é um final feliz, ou como costumo dizer, sem final, porque o importante é o percurso, a trajetória. (Como o seriado que teve fim, fim não é bom... e o filme é a linha de chegada).
Todas estamos em busca do amor e de ficar com o homem amado - eu deveria dizer em busca do amor e de casamento, mas meu lado Miranda não consegue pronunciar, mas até a Miranda se casou! e o filme vem aí porque faltou para a protagonista o gran finale de toda história de amor. Só amanhã saberemos se Carrie e Mr. Big afinal se casam, mas é quase certo que ficam juntos (quem já sabe, não me conte!).
E é isso que todas nós buscamos, modernas ou do passado, um Big para chamar de seu.
Nadia, Fernando, Marcela e LarissaFoto: Arquivo pessoal |
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Marcela Donini
Imagine como pode acabar uma conversa entre uma mãe de 42 anos e sua filha de 21 na qual uma anuncia à outra que está grávida. Em se tratando da minha mãe e eu, duas choronas natas, só pode terminar em lágrimas. E de felicidade, porque quando a mãe me contou que estava grávida – e já de três meses –, com a foto da ultra-sonografia na mão apresentando a silhueta do que hoje é o nosso "homem de um metro" a gente só podia chorar de alegria.
"Homem de um metro" é como meu próprio irmão se define hoje do alto dos seus três anos de idade e cem centímetros de altura.
Diferentemente de quando eu tinha cinco anos e vi minha irmã nascer – sim, tem mais uma ainda –, brincava de boneca e queria ter filhos, ver o Fernando crescer de perto, do alto dos meus 20 e poucos anos, me dá calafrios só de pensar em ser mãe!
Eu sei, é um texto sobre o Dia das Mães (atrasado, como não podia deixar de ser), mas, sinceramente, por enquanto tudo me parece muito difícil.
Deixar de ir ao cinema para fazer aquela fofurinha dormir? Perder meses de sono enquanto a gracinha do bebê morde o bico do seu seio? Cheiro de vômito, choros de cólica! Aaahhh! Fico pensando, será que eu, egoísta e dorminhoca, que mal sei fritar um ovo, vou conseguir educar um "homem de um metro"?
Pelo menos com o Nando, eu perdi o nojo de trocar fraldas de crianças. Já é um avanço, mas ainda seria muita hipocrisia dizer que me sinto um pouco mãe do meu irmão. Passo pouco tempo em casa, e na hora em que eu canso ou que ele começa a chorar, posso entregá-lo à sua mamãe, que magicamente dá um jeito na situação. Eu fico só com a melhor parte. Isso é ótimo – e egoísta.
Eu sou a mana mais velha, que "tabália na zéo óua", e que enche os olhos d'água só de ouvir que ele, no dia da apresentação para as mães no colégio, entrou chorando de emoção no palco! Ele é um fofo, nos enche de beijos e abraços, sabe trocar os DVDs no aparelho, reconhece as letras iniciais do nome de todo mundo lá em casa e já sabe a posição certa das peças no tabuleiro de xadrez. Como controlar uma criaturinha dessas?
Me assusta mais ainda a "desenvoltura" da minha mãe em ser mãe. Sim, porque é praticamente uma arte. Fazer comida, lavar louça, decorar a casa, trabalhar em dois lugares, formar uma jornalista, puxar as orelhas de uma quase fisioterapeuta e, depois de anos, começar tudo de novo com um guri! E ela ainda tem fôlego pra sair à noite com o pai, mas só se uma das filhas queridas se dispõe a cuidar do caçula (pensando que um dia precisarão recorrer à avó, lógico).
Por tudo isso, modesta e debochada que só ela, dona Nadia insiste em todos Dias das Mães:
– Não consegue me colocar numa matéria lá no jornal, não?
Eu já tentei uma 4&5, argumentando que ela é a única colorada no RS que torce para o Grêmio pra ver o resto da casa feliz. "Mas, não dá, mãe, eu sou funcionária", já disse.
Pelo menos, há uma vantagem, ó!
Espero que goste da homenagem no blog das mulheres da Redação.
Te amo!
Fabíola Bach
Ontem tive a primeira apresentação de Dia das Mães na escola. Quem já passou por este momento sabe o quanto pode ser emocionante, mas para mim foi também assustador. Meu filho de quase três anos entrou na escola há dois meses. Ontem ele estava lá, enfileirado ao lado dos coleguinhas, preparado para sua primeira exibição em público, todos de pijamas. Era uma encenação sobre o que eles gostam de fazer na cama da mamãe. Quando eles começaram a cantar, começou aquela onda. Praticamente um tsunami.
Pais (sim, não apenas mães) surgiram de todos os cantos do auditório, saíram de suas cadeiras, invadiram o corredor. Ficaram de pé, cercaram o palco, ligaram filmadoras, máquinas fotográficas, celulares, e começaram a se acotovelar em busca da melhor imagem. Não vi nenhuma preocupação deles com as mães que tentavam assistir de suas cadeiras, tentando guardar uma imagem que quem estava lá jamais esqueceria. Me pareceram bem menos preocupados com os pequenos que driblavam a timidez e tentavam homenagear suas mães.
Eu já vi esta onda dezenas de vezes em coletivas que cobri como repórter e ela nunca me incomodou tanto. Quem estava lá, do outro lado, não era um político ou celebridade habituado às câmeras. Eram nossos pequenos filhotes.
Fiquei imaginando a cena que os olhos assustados do meu filho estava assistindo. O que significou aquela parafernália e aquela confusão provocada pelos adultos? Não são normalmente as crianças que causam as confusões? Nós não éramos os responsáveis por mantermos a ordem ali, num saudável ambiente escolar? Que tipo de exemplo aquelas crianças receberam?
Não, não quero parecer moralista. Apenas fiquei muito angustiada com este mundo novo que o meu filho e o seu estão descobrindo. Este post não tem a imagem da apresentação porque eu não precisei fazer foto. A imagem de meu filho compenetradíssimo, sobrancelhas franzidas, gesticulando, cantando bem alto para que eu pudesse ouvir, eu não vou esquecer jamais.
Mariana e AntôniaFoto: Arquivo Pessoal |
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Mariana Bertolucci
Sentar agora e iniciar esse texto é algo que está na minha cabeça há quase um mês quando a Rosane Tremea convidou as mães da redação para tal delícia.
O fato é que mães da redação – e imagino que mães de todos outros locais de trabalho – vivenciam a delícia de ser mãe travando em todos os segundos de seus dias uma luta ansiosa contra o tempo. Brigando com cada uma das 24 horas do dia – quem delimitou tal número de horas não tinha filho. Dessa rotina, nasce a culpa e o remorso.
Sentimentos ruins que só não são insuportáveis porque nascem com a experiência sublime que é a maternidade e também porque são divididos e compreendidos diariamente com outras mães, amigas, colegas e até mães das filas de banco, do súper, das salas de espera.
Uma amiga lamentou comigo o fato de ter errado o número do sapato do filho com direito a um comentário debochado da babá. Rimos, contei outras façanhas minhas de mãe aloprada, falamos sobre as fofuras dos nossos pequenos e nos desculpamos mutuamente pelos deslizes com os seres mais amados de nossas vidas.
Não é comum que eu me lembre sempre de frases que ouvi das pessoas que entrevistei mas, grávida de nove meses, quando conversei com a atriz Carolina Ferraz, lembro como se fosse hoje do que ela me disse acariciando minha barriga imensa:
– Te prepara porque ser mãe é o início de uma relação eterna e deliciosa com a culpa.
Se a Antônia, que tem dois anos e meio, faz xixi e passa na fralda, me odeio por não ter acordado antes e aí lembro que também falhei ao não ser mais incisiva no verão para que ela tirasse as mesmas. Tudo bem, os verões não vão acabar, ano que vem tiramos a fralda. Gasto uma hora por dia tentando entender por que a minha filha não aceita absolutamente nada que eu ofereça para ela comer a não ser a mamadeira. Progresso: a danada anda aceitando arroz com milho, desde que a sala vire um galinheiro e ela pise em cada um dos grãozinhos para facilitar a vida da mãe dela.
Levei meses para encomendar as fotos dos seus dois aniversários, tenho pânico de pensar que meu computador pode acabar com todos os registros de seus dois anos. Não consigo dobrar e organizar as roupinhas dela como eu tanto gostava durante a licença-maternidade. Não consigo levá-la ao teatro como gostaria, nem na pracinha, nem ao colégio... Ela dorme na minha cama. O que fazer com a saudades que sentimos uma da outra? Entro no elevador do meu prédio choramingando quando tenho que sair de casa à noite sem matar a saudade do dia. E o coração desaperta quando a babá liga e diz que ela está feliz. Permito que exija que eu dê a mamadeira com a minha mão, fico nervosa só de pensar em perder a paciência. Faço exatamente tudo ao contrário do que li nos livros, mas transformo meu cansaço em bagunça e depois de meia hora, me sinto mil vezes mais cansada, mas um milhão de vezes mais feliz.
Ela adora que eu leia cerca de sete vezes a mesma história mas entende que a repetição me dá sono e então sugere:
– Mãe, que "tocá" pelo "livo" dos "tês poquinhos"?
Como se entendesse e desse uma alternativa para espantar o sono da mãe exausta e entendiada da "Tataéve", que é como ela chama sua princesa predileta, a Branca de Neve. Então, eu vejo a minha filhotinha, que era um bebê até ontem, dizer assim:
– Mãe, eu acho que "exi" "cajaco" tem muito "buiaco"? Me "axuda" "mamãetinha quiída"
Daí, eu fico pasma, com vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo, pensando onde eu estava quando alguém ensinou a minha filha a falar e a saber o que significa "buiaco". Me desmancho de orgulho porque a minha pitoca já forma frases sozinha e ainda sobra um "mamãezinha querida" no final delas. Depois me invade o remorso por não estar presente a cada palavrinha assim toda errada e fofa que sai da boca dela diariamente.
A mais pura culpa, que só é tão deliciosa assim, porque é algo exclusivo que só invade e aperta o coração daquelas que merecem as flores, os beijos, os abraços e as palavras erradas mais lindas do mundo neste domingo.
Clarissa Ciarelli
Este dia das mães que se aproxima será especial, pois, pela primeira vez, vou para o almoço em família como visita. No dia 1º de maio, rompi mais uma parte do meu cordão umbilical ao sair de casa para viver com meu namorado em outra cidade. Sou a filha mais velha de um trio que tem mais dois guris. Então, lá em casa éramos eu e minha mãe, Silvia, contra o pai e os meninos. Claro que em dia de futebol na TV, ficávamos em desvantagem. Mas, o fato de eu não ter uma irmã fortaleceu minha ligação com a mamma.
Usei o termo em italiano porque me parece mais forte, e por isso acho que combina mais com ela, que sempre foi uma supermãe. Daquelas que fez faculdade, trabalha em dois empregos ao mesmo tempo, anda toda empiriquitada e ao mesmo tempo mantém a casa em ordem, mima os filhos e faz uma comidinha deliciosa. Talvez por isso, eu, que desde pequena preferi livros e revistas a panelinhas e bonecas, não tenha tido grandes oportunidades de ser treinada nas lides da casa. E, agora, a cada vez que me aproximo do fogão, do tanque, do conjunto balde-vassoura-e-chão-sujo, tenho que manter o celular por perto para acioná-la enquanto manuseio toda essa parafernália que passou a fazer parte dos meus dias de repente. E ela, do outro lado da linha, se diverte e me aconselha e me acalma, como sempre fez desde que me viu pela primeira vez e achou que eu tinha cara de Clarissa.
Ultimamente, além de sofrer um pouco com meu quarto vazio, ela tem tido compromissos como me iniciar no supermercado e responder às minhas indagações: "Qual parte do bacon eu deixo de fora? Posso ligar a máquina com duas calças jeans e três panos de chão? Posso passar desinfetante no parquet?". Nestes momentos e em todos os outros em que eu me encontro em apuros, penso em como ela é imprescindível. Pode ser óbvio, pode ser piegas, eu me viraria sem suas dicas, mas que com a mãe perto – por telefone, pela internet ou ao vivo – viver fica mais fácil e melhor, ah, fica.
Fê e a BelinhaFoto: Arquivo Pessoal |
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Fabíola Bach
Estava vindo hoje para a Redação e lembrei do feriado de 7 de setembro passado. Trabalhar em feriados e finais de semana é bem complicado para quem tem filho pequeno. Não só pelo malabarismo que sempre exige de encontrar alguém que fique com ele, mas pela culpa de deixá-lo sem os pais em tardes ensolaradas, quando as famílias andam de mãos dadas no Parcão.
Pois em setembro passado minha família estaria reunida na casa da vovó. Não tem programa melhor para criança, ainda mais considerando que os primos, ídolos do meu filho de dois anos, estariam todos lá. Meu marido e eu estávamos trabalhando, não tínhamos como ir. Deixei minha irmã levar o Fernando para a primeira noite fora de casa. Cheia de receios, lotada de regras. Ela não poderia ficar longe do celular, passaria boletins a cada hora, iriam no meu carro, na cadeirinha dele, nada de passar dos 80 na freeway. Tudo combinado.
Me despedi de coração apertado. Quando já estava no jornal, me lembrei da Belinha. É a cadela da minha sobrinha. Eu não tinha perguntado se ela iria junto. A Belinha é notória por fazer xixi no carro e enjoar em viagem, o que significa que o estrago nos bancos poderia ser grande. Ai, ai, ai, fiquei mais apreensiva ainda. A minha angústia virou desespero: eu tinha planejado tudo, como não proibi de levarem a Belinha? Vai ficar meleca no carro.
Eu ainda estava estudando a melhor maneira de ligar e perguntar gentilmente à minha irmã se o cachorro tinha ido, talvez ela não tivesse levado ou poderia ensacá-lo, quando entrou uma foto no meu celular. É a imagem que tá aí em cima. A Belinha não só estava no carro, como tinha lambido todo o meu filho. E, pela cara do Fernando, ele tava adorando. Ele amou aqueles dois dias lá, voltou contando mil aventuras. Tenho esta foto aqui no jornal, ela acalenta os meus feriados.
Foto: Divulgação |
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Letícia Duarte
Meninas, estou chocada. Intrigada. Preocupada com o futuro da nação. Explico.
Semana passada, fui enviada pelo jornal para acompanhar um seminário sobre os 10 anos do Viagra. Descobri muitas coisas interessantes no evento, realizado em Cancún, no México, mas o que mais me chamou atenção foram as reações paralelas que esse assunto despertava nas pessoas. Nos homens, mais especificamente.
Não aqueles velhinhos, que eu imaginava que seriam os usuários mais contumazes. Não mesmo. Amigos meus, colegas, caras jovens que eu pensava que se sentiriam ofendidos se eu insinuasse que eles usavam ou precisariam usar Viagra, se mostraram muito (mas muito!) interessados no assunto. Com jeito de quem não quer nada, pediam se eu não traria amostras grátis (ignorando que a pílula azul salvadora precisa de receita médica).
Até aí, tudo bem. Eu pensava que era apenas curiosidade deles, claro. Os caras queriam aumentar a potência, turbinar o desempenho, brincar com o tema.
Só que, ao entrevistar especialistas e debruçar sobre as estatísticas de disfunção erétil, me dei conta de que não é nada disso: as pesquisas mostram que 47% dos homens têm algum grau de impotência. Ou seja, quase metade deles não consegue atingir ou manter o nível máximo e esperado de ereção... A cada dois que você vê pela frente, um não consegue... não consegue... enfim. É muita gente!!!
Outra coisa que eu aprendi lá em Cancún: o Viagra não é capaz de melhorar o desempenho sexual de um cara saudável, ele só garante que se atinja a potência máxima esperada para um cara em sua melhor fase. O príncípio é básico: não é possível melhorar algo que já é 100%! Então, se o cara toma Viagra e se sente melhor, provavelmente as coisas já não andam assim tão bem. Como se não bastasse, a perspectiva é dobrar o número de casos de disfunção erétil em duas décadas.
Bom, menos mal que agora existe tratamento para isso, né?
Acho que o futuro da nação está garantido. Nem que seja com a ajudinha da pílula azul.
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Ah, os detalhes da reportagem e das perspectivas do Viagra você pode conferir no caderno Vida deste sábado, em Zero Hora.
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Caroline Torma
Na adolescência, todo mundo só pensa em beijjaarrrrrr.
Pelo menos, na minha época era assim. A gente começava a freqüentar as festinhas de garagem e, ao som de Lost In Your Eyes (...I get lost in your eyes, and I feel my spirits rise, and soar like the wind...), ficava rezando para que aquele guri de calça jeans, tênis e camisa xadrez nos chamasse para dançar "uma lenta".
Dois para lá, dois para cá e vinham os beijos, molhados, movimentados, que duravam uma eternidade. A pista de dança era trocada por aquele cantinho mais escuro da garagem, pelo menos até o pai da amiga chegar trazendo mais Coca-Cola.
Fui adolescente nos primórdios do "ficar". E, juro, hoje olhando para atrás, acho que não havia nada mais saudável do que aquilo para começar a vida amorosa. Afinal, eram somente deliciosos e intermináveis beijos adolescentes.
Tenho muiitttas histórias engraçadas de beijo para contar. Mas, só para dar uma palhinha: primeiro, eu e todas as minhas amigas mais próximas beijamos pela primeira vez o mesmo guri. Segundo, eu beijei ele na capela do colégio!
Mas, afinal, o que tem de mal nisso? Eu tinha uma listinha na minha agenda adolescente (aquelas gigantes onde a gente cola palito de picolé, folha de árvore e escreve em códigos que hoje não me permitem ler o que eu pensava na década de 90) onde anotava o nome dos guris que eu tinha beijado. Era graaandeeee a lista. Nem me envergonho em contar. Namorado, namorado mesmo eu só tive dois. O antigo e o atual, meu marido.
Na fase dos teens, eu queria sair sexta e sábado. E, depois, ficar hooooorrasss no telefone com as gurias avaliando os beijos da noite anterior.
Bom né? Bah.
Só que a gente cresce, namora, casa e, com os anos, os beijos vão diminuindo... Em número, em tempo de duração. Em tudo. É uma escassez danada!
Engraçado. Aos 16 anos, beijar três guris em um baile de Carnaval, na frente de todo mundo, é permitido. Aos 30, beijar o marido no meio da rua fica ridículo. Mesmo em uma festa, parece vulgar.
Os beijos melados da adolescência vão se transformando em selinhos, bitoquinhas, beijinhos secos e sem graça. Beijo fraterno. Beijo de verdade mesmo, cheio de paixão, de dar frio na barriga, são poucos. E no ambiente privado.
Dá para entender?
Até dá. Mas eu protesto. Protesto pela liberação dos beijos em todas as idades. E quero começar uma campanha:
Maridos: beijem suas mulheres em público.
Vô: beija a vó como nos velhos tempos.
Mãe: beije o pai (ou o namorado novo) no saguão do aeroporto.
Se os outros olharem para vocês de cara feia, acreditem: é pura inveja. Lá no fundo, ninguém deixa de querer beijar (nem de ser um pouco adolescente).
Foto: Reprodução www.flickr.com/photos/83995170@N |
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Milena Fischer
Nos primeiros dias, tinha prometido não ler sobre o caso Isabella. Não consigo ler sobre, nem saber a respeito, nem lidar com violência contra criança. Mas, o caso virou, e não poderia ser diferente, assunto nacional.
Minha filha dorme agora abatida por uma febrezinha de mudança de estação. Meu coração fica inquieto. Percebem?
Como lidar com a tragédia de Isabella se uma febre de filha deixa meu coração sem compasso? Todo mundo perde a paciência com criança, uma hora ou outra, adultos e chatos que somos, temos que ser para impor os limites, educar, manter as coisas nos seus devidos rumos. Mas aquele ato nada teve a ver com o que a menina possa ter feito para tirar a paciência dos seus tutores.
Não são adultos, mas monstros. Não podem perder a paciência porque não a tem, nem racionalidade, nem valores, nem alma, se é que ela existe, nem qualquer traço que os façam humanos – a não ser pelo da crueldade.
Animais não são cruéis. São animais. Humanos-monstros são cruéis. Como bem observou minha mãe, dói pensar na solidão dessa menina.
Pensar que pudesse ser espancada e levada à morte para disfarçar uma morte que ainda não havia acontecido. Dói pensar nela e dói pensar que haja mais como eles por aí.
Dói saber que essa é a gente que, misturada a outras gentes, povoa o mundo que tenho para oferecer a minha filha. Percebem?
Eu e a melhor médica do mundo em uma viagem mãe-e-filha ao PeruFoto: Arquivo pessoal |
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Tatiana Tavares
Eu conheço a melhor médica do mundo. E a melhor mãe também (mas isso, concordo, há controvérsias, porque quase todos consideram a sua a melhor colocada no ranking). Mas eu tenho certeza de que conheço a melhor médica do mundo. Por acaso, ela também é minha mãe.
Sábado, tivemos uma daquelas conversas de filha para mãe e vice-versa. Sentadas na sala da casa dela, eu quis saber mais sobre o começo da carreira da melhor médica do mundo - e, desde então, já se vão mais de 30 anos. Ela falou de alguns pacientes que não esquece jamais, pessoas que marcaram a vida dela. Me contou uma história que fez meus olhos se encherem de lágrimas, e meu coração, de orgulho.
Logo depois da residência em Cardiologia, um dos empregos dela era como plantonista do Hospital Santa Rita, que naquela época ainda não fazia parte de um conglomerado chamado Complexo Hospitalar Santa Casa, mas que já cuidava de pessoas com câncer. Lá, ela atendia uma paciente de apenas nove anos, que, diziam, era triste. Triste e sozinha. Dificilmente, via-se parentes, pai ou mãe, junto dela. Era apenas ela e um olhar perdido.
Em um desses plantões, logo que chegou, a melhor médica do mundo recebeu um recado: "A fulana (minha mãe tem certeza que o nome da menina começava com "E" - talvez, Evelise) está triste". Ela não estava em fase terminal nem tinha sinais de piora. Só estava triste, havia garantido a enfermeira.
Minha mãe foi ao quarto onde estava a menina, examinou-a e pegou em sua mão. E permaneceu olhando dentro do olhos dela. E, a menina, como quem havia esperado a sua médica e companheira, fechou os olhos para não mais abrir.
Minha mãe nunca se esqueceu daquela menina de nove anos. E eu tenho certeza que nem a menina dela. Onde quer que ela esteja.
São histórias como essa, que eu ouço desde pequena, que me fazem ter certeza de que eu conheço a melhor médica do mundo. E ela é minha mãe.
Foto: Ursula's Art, Reprodução (ursulashaw.blogspot.com) |
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Fernanda Souza
Acho que é a primeira vez que vou fazer isso. Mas assumo: eu quero me casar. Não que eu esteja por aí procurando alguém e tendo isso como meta, um alvo a ser atingido. E dependendo das circunstâncias eu até mude de idéia. Mas quando encontrar alguém que me faça rir, alguém com quem eu queira acordar todos os dias da minha vida, aquela pessoa para quem vou compartilhar as coisas banais e as mais íntimas, que me faça sentir amada do jeitinho que eu sou, que eu faça feliz para me sentir feliz, que eu ame e me ame de verdade, sim, quero me casar com tudo que tenho direito.
Até hoje não tinha dito isso com todas as palavras. Tinha dificuldades de admitir. Imagina, eu, uma mulher moderna, ops, pós-moderna, independente, que tem seu apê, seu carro, sua profissão... Toda mulher pensa nisso? Mas eu não sou igual a todas as mulheres! Dizer que queria casar parecia coisa de mulher que foi criada para ter um marido que a sustente. Coisa de mulher do passado. Bobagem.
E depois, nunca tive muitos namoros daqueles de apresentar aos pais e os que foram apresentados não foram muito além, então isso nunca foi um fato concreto na minha vida. Para quê então assumir esse desejo? Talvez eu nem o tivesse mesmo, ou me faltava maturidade para encará-lo. E para a família não me incomodar muito dizia: ah, acho que nunca vou querer casar... Embora casamento possa ser muitas coisas, até mesmo não dividir o mesmo teto ou sequer ter uma cerimônia. Mas sempre fui a favor de que tenha um ritual. Seja como for: tradicional na igreja, com véu, grinalda, bolo, festão e valsa, seja na beira da praia, durante uma viagem ou a loucura e o sonho que cada um pode ter para esse momento da vida. Acho que tem que ter um rito de passagem.
Talvez seja porque estou na fase dos casamentos (porque a nossa vida pode ser dividida em comemorações: tem a época das festas de criança, depois os 15 anos, as formaturas, os casamentos, os batizados, as festas de um aninho...). Talvez porque depois da minha formatura, eu tenha achado o máximo dar uma festa. E talvez porque minha irmã se casou há um ano e foi uma festa linda e emocionante, onde toda a família estava unida, apesar de meus pais terem brigado durante toda nossa infância depois que se separaram. E talvez porque minhas amigas próximas estão quase lá. E formatura, apesar de ser emocionante, uma conquista pessoal, não mobiliza as pessoas tanto quanto um casamento. Não sei se é o fato das pessoas assumirem o amor publicamente ou o conceito de um nova família, mas todo mundo se emociona mais.
Às vezes penso nas músicas que gostaria de colocar na cerimônia, uma valsa diferente, uma festa temática, pois gosto de coisas originais. Mas sei que o mais importante não é a questão casamento, e sim encontrar a pessoa certa. O conceito pode parecer utópico, mas duvido que seja para quem está amando. E aí não importa como vai ser.
Depois de admitir isso e ainda publicamente, só falta eu me livrar de uma coisa: minhas reflexões. Não dizem que quem pensa não casa? E eu ando doidinha para comprar uma bicicleta.
Eu e a barriga da Luana, em 2007. Atualmente, o Frederico já tem três mesesFoto: Arquivo pessoal |
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Caroline Torma
Depois que decidi que teria filhos, pouco tempo atrás, comecei a fazer workshops sobre o tema.
Uma amiga bem próxima engravidou em abril de 2007 e eu decidi aproveitar a gravidez dela para aprender.
Perguntei de tudo. Sempre que a encontrava aquele interrogatório. E, claro, como a gravidez é o assunto preferido das grávidas, ela estava adorando aquilo.
A barriga dela foi crescendo, crescendo.
E a gente tomando vinho e conversando sobre cremes para estrias, a moda para grávidas, o sono no trabalho, a vontade de fazer xixi, o inchaço dos pés, a vontade de chorar.
Quando ela foi para o hospital, já para ganhar o bebê, eu mudei de alvo: as enfermeiras.
Perguntei sobre amamentação, do tempo que leva para a barriga voltar ao normal, se é preferível fazer cesariana ou parto normal. Essas coisas todas.
O problema é que ainda tenho zilhões de dúvidas. Nós, mulheres dos anos 2000 não fomos ensinadas a ser mães. A gente precisa aprender sozinha. Isso é assustador!
O Frederico, filho da minha amiga, nasceu em dezembro e foi o primeiro bebê que eu segurei no colo, na vida.
Três meses depois, me sinto quase uma profissional, embora ainda não tenha coragem de trocar uma fralda (mas, gente, na teoria, estou nota 10, garanto!)
Esta semana fui ao médico e, pela primeira vez, confessei a um estranho meus planos de ter filhos. Quando? Provavelmente no ano que vem. Ou 2010, no máximo.
Foi engraçado mas me senti muito adulta fazendo isso. Foi quase uma transição.
Já que meu marido não pode engravidar, vou ter que encarar essa.
Até lá, vou estudando e observando.
Fredericos, Alices, Dudus, Heitores. Preparem-se.
Brenda Parmeggiani
Quero deixar bem claro que não é uma reclamação. Sou muito contente de ter este meu cabelo liso. Como leonina, sou fã da minha juba. No entanto, vai um alerta para as crespas que vivem maldizendo seus cabelos: liso não é perfeito.
Tantas mulheres fazem escova progressiva, japonesa, de chocolate. Não as desencorajo, mas peço que parem um pouquinho na frente do espelho e avaliem a decisão. De fato é ótimo ter o cabelo liso, não dá muito trabalho para arrumar diariamente, desembaraça fácil e não tem muito volume. Só que quando tem uma festa para ir o look é sempre o mesmo: escorrido. O máximo que eu, por exemplo, consigo variar é a franja — de um lado para o outro, ou ao meio — e isso porque tenho uma.
Já as crespas ou frizadas têm um cabelo mais jeitoso. Podem fazer baby liss, cachos definidos, superpenteados, alisar, tudo o que as lisas não podem.
Pelos meus 15 anos, eu tive a ilusão de fazer cachos. Fiquei uma tarde inteira com o cabelo preso em rolinhos. Quando cheguei na festa, pasmei com o elogio que recebi: "Nossa, tua escova tá linda, deu um movimento pro teu cabelo, tá liso uma barbaridade". Não adianta, liso é liso e mais nada pega.
Por isso, crespas, aproveitem a versatilidade das suas madeixas. Se quiserem ser lisas, alisem; se quiserem ser cacheadas apenas nas pontas, usem baby liss; mas, acima de tudo, valorizem seus cachos. Enquanto vocês morrem de inveja das escorridas, a gente sonha com as possibilidades de vocês.
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