Grupo RBS está divulgando hoje a primeira pesquisa sobre a posição dos candidatos que disputam a prefeitura de Blumenau. Os números são por mim analisados em comentário publicado no Jornal de Santa Catarina.
Disputa Equilibrada
A primeira pesquisa Mapa sobre a eleição do novo prefeito de Blumenau que os veículos do Grupo RBS publicam neste fim de semana, a rigor, não traz nenhuma surpresa. Revela, ao contrário, dados que confirmam as impressões gerais transmitidas pelos candidatos, seus correligionários e aliados de que a campanha será muito disputada. A arrancada está caracterizada pela inexistência de favoritismo.
O corte dado no eleitorado pela consulta em relação ao voto espontâneo beneficia o atual prefeito João Paulo Kleinübing (DEM), com 18% contra 15,7% atribuídos a Décio Lima (PT). O advogado Ivan Naatz (PV) aparece com apenas 1%, o que também era esperado, pois seu partido não tem estrutura. E, apesar da boa performance de Naatz na Assembléia Legislativa, desde que assumiu a titularidade parlamentar, não há qualquer indício de que possa entrar na primeira linha da disputa. A campanha em Blumenau, por todos os indicativos, está definitivamente polarizada entre Kleinübing e Décio.
A consulta estimulada favorece o deputado Décio Lima, que lidera com 36,3%, contra 32,9% de João Paulo Kleinübing. Ivan Naatz melhora um pouco (2,9%). José Ouriques (PTC) e Dari Diehl (P-Sol) continuam sem qualquer perspectiva real.
Leitura curiosa pode ser feita em relação às preferências dos eleitores. Décio Lima desponta no eleitorado masculino, entre 25 e 44 anos, com escolarização fundamental e renda até cinco salários mínimos. João Paulo Kleinübing está mais consolidado entre as mulheres, no eleitorado jovem, padrão escolar médio e superior e com renda acima de cinco salários.
O índice de rejeição, de vital importância em qualquer análise, também mostra empate técnico, com leve vantagem para Décio Lima.
Alianças
Outra abordagem necessária: a preferência partidária dos consultados. Os 9,3% que se declaram petistas e, portanto, estão fechados com Décio Lima, totalizam mais do que a soma dos três principais partidos da aliança montada pelo prefeito João Kleinübing, somando 6,9%. Este quadro tem outra curiosidade. Ali não aparece o PP do atual vice-prefeito Edson Brunsfeld.
A checar, finalmente, a influência que poderão exercer na hora do voto as obras e os serviços públicos. Que critérios o eleitor adotará: o nível de aprovação do prefeito João Paulo Kleinübing, os investimentos milionários que o governador Luiz Henrique da Silveira, seu aliado, assegurou para Blumenau, ou os recursos do governo federal e a popularidade do presidente Lula?
Este cenário de Blumenau coincide com informações sobre os bastidores da política e do encaminhamento da campanha no Vale do Itajaí. Se a engenharia política montada pelo prefeito João Paulo Kleinübing - liderando pelo Democratas uma poderosa coligação com PMDB, PSDB e PP - representar engajamento efetivo de todas as lideranças e seus eleitores, poderá estar pavimentando o caminho da reeleição. Mas se o PT estiver unido, mobilizar-se como nos velhos tempos e conseguir furar o bloqueio dos adversários, Décio Lima tem chances reais de retornar à prefeitura.

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