Cada vez mais me encanto com as obviedades. As obviedades são o segredo da vida. Mas eu sei, você sabe, o Maracanã lotado sabe que, muitas vezes, a obviedade é dita envolta em papel crepom, com laços e fitas. Há quem não aceite a obviedade e dela tenha vergonha. Não adianta, a obviedade continua escandalosa e indispensável como a lua cheia. É uma pena que muitos não escancarem a porta para a obviedade.
Na semana passada, houve, aqui entre nós, um encontro nacional de gestores, de executivos que administram empresas e pessoas. E um deles, aqui chegado como um ser especial descido à Terra, falou uma formidável obviedade e foi aplaudido aos pulos pela platéia. Aliás, administração, de empresas e de pessoas, não passa de um somatório enfadonho de obviedades... E sabes o que o "guru" disse, dentre outras obviedades? Disse exatamente o seguinte:
— O maior sinal de insanidade é fazer a mesma coisa, dia após dia, e esperar resultados diferentes...
Disse isso, olhou para os lados e esperou pelo aplauso. Mando-lhe o meu daqui, agora. O sujeito tem toda a razão, é isso mesmo. Ficamos, quase todos nós, a maioria, pelo menos, andando em círculos como burros de olaria, e esperamos por resultados diferentes, esperamos por lucros, promoções e upgrades na carreira. Fazendo sempre a mesma coisa, sem qualquer alteração no modo de operar, sem mudanças no percurso, é claro que vamos colher sempre o mesmo resultado. Isso tanto vale para as nossas rotinas no trabalho quanto para a vida conjugal. Já disse aqui que trabalho e casamento têm muito de parecidos...
Por que há tanta gente enfadada, patinando no mesmo lugar, queixando-se da vida e com cara de desesperança? Porque essas pessoas esperam por milagres sem suor, acreditam que orando antes de dormir vão ter suas vidas magicamente mudadas. Engano. Ou o sujeito reza e corre ou será pegado pelo bicho-papão do fracasso, das perdas, dos desconsolos.
Fé não é esperar por resultados positivos sem que o sujeito saia da cadeira dos confortos. O que o guru quis dizer, e o disse sem dizer, é que podemos ficar, sim, a vida toda num trabalho. O que não podemos, e aí é que está a insânia a que ele se referiu, é passar o tempo todo fazendo o mesmo trabalho do mesmo jeito. Isso é mais que enfadonho, é depressivo e leva ao fracasso.
O guru esqueceu de dizer que quem ama o que faz vive pensando e criando novos modos de fazer. Amor é sinônimo de criatividade, tanto no trabalho quanto debaixo dos lençóis... O diacho é que amor é raro.

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