O cinema francês tem nos dado grandes presentes. Neste final de semana tive o prazer de assistir a um destes: A Bela Junie (La Belle Personne), filme que esteve em cartaz recentemente no Brasil e que já está nas locadoras.

Foto: Divulgação, Imovision
Simplesmente lindo. Ou lindamente simples. Tão intenso e marcante quanto uma grande paixão juvenil. Ao mesmo tempo, tão singelo e delicado como todo primeiro amor deve ser.
Dirigido por Christophe Honoré, o mesmo dos lindíssimos Canções de Amor e Em Paris, o filme conta a história de Junie (a belíssima Léa Seydoux), uma garota de 16 anos, que se muda para a casa de seus tios após a morte de sua mãe. Ela passa a estudar na mesma escola que seu primo, onde desperta o interesse de todos os garotos. Distante e triste, June escolhe Otto, o rapaz mais tímido e sensível, para se envolver ao mesmo tempo em que descobre o grande amor de sua vida: seu professor de italiano Nemours (o charmoso Louis Garrel, que atuou em filmes de Honoré e em Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci).

Foto: Divulgação, Imovision
Poderia ser mais uma história bobinha e sem grande relevância. E até pode ser isso mesmo. Mas a sensibilidade de Honoré mais uma vez fica evidente em cada detalhe da produção. A Bela Junie nos emociona. Começando pela melancolia da protagonista. Apesar de estar no auge de sua juventude, Junie é triste, reclusa, recatada e racional – e isso fica evidente no seu olhar, nos seus gestos e na forma como interage com seus amigos.
Ao contrário de todos ao seu redor que se entregam de corpo e alma às descobertas amorosas da juventude, Junie age com a lógica e frieza de quem já se condicionou com o vazio e faz de tudo para fugir da paixão desmedida que brota de seu coração. A certeza de que a entrega só poderá resultar em tristeza e em novas perdas a fazem seguir um caminho solitário e, até mesmo, mais triste. Talvez esta seja a grande contradição que Christophe Honoré deixa evidente em seu longa: toda felicidade sempre vem acompanhada de amargura e não há como escapar desta dualidade. C'est la vie!

Foto: Divulgação, Imovision
A beleza clássica e estonteante de Léa Seydoux, a brancura de sua pele contrastando com as locações acinzentadas e seu ar blasé são fundamentais para penetrarmos neste universo tão triste e tão cheio de amor de sua personagem. Louis Garrel também está cativante e misterioso, tal como seu Nemours, um jovem que sempre soube brincar nos jogos de sedução e que sofre uma reviravolta diante da indecifrável Junie. E Grégoire Leprince-Ringuet, o sensível Otto que tanto ama Junie, deixa evidente o desespero de alguém perdido na desilusão de uma paixão – justamente o que nossa protagonista procura tanto evitar.
Paris está tão linda, encantadora e nebulosa como os sentimentos que permeiam as atitudes de Junie. E a bela trilha sonora, com baladas do cantor e compositor Nick Drake, dá o toque final de melancolia e beleza.

Holly Golightly: You know those days when you get the mean reds? Paul Varjak: The mean reds, you mean like the blues? Holly Golightly: No. The blues are because you're getting fat and maybe it's been raining too long, you're just sad that's all. The mean reds are horrible. Suddenly you're afraid and you don't know what you're afraid of. Do you ever get that feeling? Cinema, cinema, cinema!
Por Ju Lessa


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