Quando uma pessoa não se garante, quando vive com medo, quando não se vê com bons olhos, ela se junta ao "rebanho". Busca abrigo no rebanho. Nesse caso, a palavra rebanho bem resume a insensatez coletiva dos que não sabem pensar, tornam-se vultos sem identidade.
Todos somos indivíduos, não é o que dizem? Somos de fato indivíduos, isto é, seres indivisos. Ninguém nos pode dividir, somos únicos.
Pois é, mas se somos únicos, por que as maiorias, nesse caso, os rebanhos, são o que mais se vê pelas esquinas, nos escritórios, nas saídas dos colégios e, mais do que tudo, nos shoppings, por quê?
Aí é que está, a guria que não se garante, que se sente feia e sem graça, não terá coragem para jogar fora as "patas de bode" — os tijolões — que usa nos pés. Isso não, ela se sentiria diferente da maioria, sairia da moda dos "rebanhos" de outras gurias que usam dos mesmos tijolões nos pés. Só que ela não se dá conta de que fica um diabo de feia.
Um dia, para ver melhor um passarinho, um guri americano num filme virou para trás a aba do boné. Foi o que bastou. Milhares de trouxas acharam bonito, pensaram que era estilo e... passaram a virar a aba para trás. Os trouxas fizeram o mesmo com as bermudas, viram em filmes bobões com bermudas largas, cheias de bolsos, bolso até no tornozelo e... aderiram à "moda". É o que mais se vê por aí. Trouxas puros.
As gurias fazem a sua parte. Mesmo que caia neve, barriga de fora. Ficam horrorosas e não se dão conta, horrorosas pelo ridículo padronizado.
E o que dizer dos cabelos delas? Têm que ser escorridos, caindo sobre os olhos e, claro, compridíssimos. É do que gostam os homens primitivos. E elas, para não perdê-los, ou para conquistar um desses tipos primitivos, tomem a usar do mesmo cabelo. O estilo da Guilhermina Guinle elas não conhecem, claro, vão conhecer, a Guilhermina é mulher fina...
Fiz todas estas voltas para falar de um conselho que acabo de ler numa revista da Abril: Guia da Educação em Família. O conselho é aos pais, diz assim: "Incentive seus filhos a não mudar a grafia das palavras ao usar o computador".
O conselho é bom e oportuno. Analfabetos invadiram os computadores. Muitos deles, logo ao início da febre, escreviam como pensavam que era certo: como a cara deles, tudo errado.
Foi outra vez o que bastou, virou moda. Hoje todos têm que escrever a língua dos chats, isto é, a língua dos burrões da ortografia. Se escrever certo não é da tribo, tribo não, "rebanho". O rebanho dos tapados. Grosso? Não, realista.

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