Foto: Ursula's Art, Reprodução (ursulashaw.blogspot.com) |
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Fernanda Souza
Acho que é a primeira vez que vou fazer isso. Mas assumo: eu quero me casar. Não que eu esteja por aí procurando alguém e tendo isso como meta, um alvo a ser atingido. E dependendo das circunstâncias eu até mude de idéia. Mas quando encontrar alguém que me faça rir, alguém com quem eu queira acordar todos os dias da minha vida, aquela pessoa para quem vou compartilhar as coisas banais e as mais íntimas, que me faça sentir amada do jeitinho que eu sou, que eu faça feliz para me sentir feliz, que eu ame e me ame de verdade, sim, quero me casar com tudo que tenho direito.
Até hoje não tinha dito isso com todas as palavras. Tinha dificuldades de admitir. Imagina, eu, uma mulher moderna, ops, pós-moderna, independente, que tem seu apê, seu carro, sua profissão... Toda mulher pensa nisso? Mas eu não sou igual a todas as mulheres! Dizer que queria casar parecia coisa de mulher que foi criada para ter um marido que a sustente. Coisa de mulher do passado. Bobagem.
E depois, nunca tive muitos namoros daqueles de apresentar aos pais e os que foram apresentados não foram muito além, então isso nunca foi um fato concreto na minha vida. Para quê então assumir esse desejo? Talvez eu nem o tivesse mesmo, ou me faltava maturidade para encará-lo. E para a família não me incomodar muito dizia: ah, acho que nunca vou querer casar... Embora casamento possa ser muitas coisas, até mesmo não dividir o mesmo teto ou sequer ter uma cerimônia. Mas sempre fui a favor de que tenha um ritual. Seja como for: tradicional na igreja, com véu, grinalda, bolo, festão e valsa, seja na beira da praia, durante uma viagem ou a loucura e o sonho que cada um pode ter para esse momento da vida. Acho que tem que ter um rito de passagem.
Talvez seja porque estou na fase dos casamentos (porque a nossa vida pode ser dividida em comemorações: tem a época das festas de criança, depois os 15 anos, as formaturas, os casamentos, os batizados, as festas de um aninho...). Talvez porque depois da minha formatura, eu tenha achado o máximo dar uma festa. E talvez porque minha irmã se casou há um ano e foi uma festa linda e emocionante, onde toda a família estava unida, apesar de meus pais terem brigado durante toda nossa infância depois que se separaram. E talvez porque minhas amigas próximas estão quase lá. E formatura, apesar de ser emocionante, uma conquista pessoal, não mobiliza as pessoas tanto quanto um casamento. Não sei se é o fato das pessoas assumirem o amor publicamente ou o conceito de um nova família, mas todo mundo se emociona mais.
Às vezes penso nas músicas que gostaria de colocar na cerimônia, uma valsa diferente, uma festa temática, pois gosto de coisas originais. Mas sei que o mais importante não é a questão casamento, e sim encontrar a pessoa certa. O conceito pode parecer utópico, mas duvido que seja para quem está amando. E aí não importa como vai ser.
Depois de admitir isso e ainda publicamente, só falta eu me livrar de uma coisa: minhas reflexões. Não dizem que quem pensa não casa? E eu ando doidinha para comprar uma bicicleta.

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