A arte do disco é sensacional, combina com a alegria que leva dentro! |
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Acaba de sair o disco da volta dos Paralamas do Sucesso! Esta frase causa, propositadamente, estranheza, mas é a sensação que tenho. Sensações assim são coisas difíceis de explicar, mas eu vou tentar.
Os Paralamas sempre foram a banda brasileira REFERÊNCIA para o Nenhum de Nós. Nos sentíamos próximos, nos ideais, gosto pelo rock latino (principalmente o argentino) e na relação interna da banda. Antes mesmo de conhecê-los eles já nos pareciam amigos. Lembro que em um dos nossos primeiros grandes shows no centro do país, dividimos o palco com algumas bandas importantes da cena do rock brasileiro daquele momento. A principal delas era o Paralamas. Chegamos em um estádio de futebol do interior de São Paulo para o tal show. Os camarins eram grandes barracas do exército colocadas em uma área restrita atrás do palco.
Nós chegamos, descemos de nosso transporte e caminhamos reto para nossa barraca, sem nem olhar para os lados. Timidez, respeito, um certo medinho e insegurança se misturavam em minha cabeça e coração. Eu pensava em encontrar com nossos ídolos, mas ao mesmo tempo tinha medo da aproximação. Será que eles nos receberiam bem? Será que eles já chegaram? Poderíamos ir falar com eles?........ Nossas reflexões foram interrompidas bruscamente. Não tivemos tempo de dar vazão às inseguranças: os três Paralamas entraram em nossa barraca e já saíram conversando e fazendo comentários generosos como se nos conhecessem há muito tempo. Herbert elogiou detalhadamente o trabalho de composição de “Camila” e daí desandamos a falar de referências, música, Charly Garcia…. Em minutos as outras bandas também entraram e o que começou como o camarim privado e silencioso dos “novatos” se transformou em uma barulhenta e divertida área de convivência que nós nunca – nem em nossos melhores sonhos – imaginamos que poderia acontecer. Os responsáveis? Os Paralamas. Aliás, este episódio define muito bem o que significam os Paralamas para nós (e, imagino, para muitos artistas brasileiros). Generosidade é a palavra que melhor define os caras.
Com o passar do tempo nos tornamos mais próximos, até que realizei um enorme sonho: me tornei parceiro de composição do Herbert e, claro, dos Paralamas. Isso está, para mim, entre os pontos mais altos de minha carreira.
Este magnífico sonho sofreu um duro golpe – o mesmo que abalou o Brasil - quando do acidente do Herbert. A começar pela dolorosa perda da Lucy, esposa do Herbert, que sempre foi gentil e doce comigo. Ela dizia que o Nenhum era o Prefab Sprout brasileiro. Um raro elogio.
Acompanhei de forma distante tudo que aconteceu depois. Apreensivo e preocupado com tudo que viria a seguir: a recuperação emocional e física do Herbert.
O tempo passou e fui convidado para assistir o show da volta (um evento especial para o Fantástico). Cheguei um dia antes ao Rio e o Barone me apanhou no hotel para me levar para assistir o último ensaio antes da apresentação. No caminho ele me alertou: pode que o Herbert não lembre de ti! Fica sossegado que a lembrança de algumas pessoas demora um pouco para voltar… Fiquei esperando a van chegar e, apreensivo, de pé na porta do estúdio aguardava a proximação dele e o cumprimento que definiria em qual parte das memórias dele eu estava.
Meus cortes de cabelo sempre foram um item tratado de forma especial pelos meus paralâmicos amigos. Ou seja, eles SEMPRE pegavam no meu pé! Sabiam o nome do meu cabeleireiro (em função da canção “O sorriso de Jennifer", da qual ele - Claudinho - era a fonte de inspiração), nome este que erravam propositadamente susbtituindo por algum diminutivo desabonador. Coisa de quem se sente próximo e amigo o suficiente para detonar meu visual sem me avacalhar demais.
A cadeira de rodas se aproximou. Quando estava apenas alguns metros distante de mim veio a frase e o alívio:”O Carlinhos errou feio desta vez! Tem um ninho de passarinho na tua cabeça!” Não lembro se foi bem este o texto, mas foi algo mais ou menos assim…
Recomeçamos uma re-aproximação, mas com o tempo fui percebendo que as coisas não haviam, naturalmente, voltado para o mesmo lugar. O elo de amizade ainda estava ali, mas o fio que conduzia à parceria e à criação artística havia se partido. Passei muito tempo conversando com o Barone e tentando estabelecer maneiras de retomar o que se perdeu. Lamentavelmente isso ainda não aconteceu… Paciência.
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De qualquer maneira, me enche de alegria ouvir o disco novo dos Paralamas (Brasil Afora). Ouço ali a volta de uma força criativa e o surgimento de novas fontes de inspiração. A banda está em sua melhor forma e o resultado emociona pela proximidade artística e conceitual que tem com os melhores momentos dos caras. Os discos anteriores (pós trauma) são MUITO bons, mas este novo tem um algo mais. Daí aquela sensação difícil de explicar. Na boa, não consigo parar de ouvir o disco! As músicas arrebatam e arrebentam!
Tenho minhas preferidas que são – não sendo injusto com as demais: Meu sonho, Quanto ao tempo (matadora!), Aposte em mim e Mormaço (com a preciosa participação do Zé Ramalho). Tempero Zen é uma delicada obra-prima e Tão bela é a prova viva de que o ROCK brasileiro é VIVO! Sei lá, o disco é bárbaro. É um disco imensamente FELIZ!! A sensação de novidade e a empolgação que BRASIL AFORA me causaram me fizeram lembrar de um Thedy candidato a rockeiro e compositor que buscava alguma inspiração para seguir adiante com um sonho que viria a se chamar Nenhum de Nós. Por estas e por outras, tenho uma impagável dívida com Herbert, Barone e Bi. Os Paralamas do Sucesso!!!