Escrevo sob centenas de protestos, censuras brandas e sobretudo xingamentos irados que recebo desde a semana passada, por ter me manifestado sobre o debate entre a presidente do Cpers, Rejane de Oliveira, e a secretária de Educação, Mariza Abreu. Difícil escrever aqui debaixo. Mas havia previsto que tal ocorreria. Porque aqui, no Rio Grande amado, tudo tem de ser bom ou mau, certo ou errado, mocinho ou bandido. Aqui não é possível a reflexão, só a adesão. Compreendo, portanto, a reação dos que me atacam. O que não quer dizer que me conformo com ela.
A maioria dos críticos questionou o meu direito de falar mal do Cpers. Alguns perguntaram, com ironia, se sou “especialista em Cpers”, outros afirmaram que não entendo de Educação, uns tantos me acusaram de estar ideologicamente mal-intencionado.
Bem. Verdade que não cheguei a “falar mal” do Cpers. Estranhei a atitude algo intransigente da presidente da entidade, de oposição cega e inamovível a qualquer proposta do governo. Mas esse detalhe é irrelevante. O importante foi ter acreditado que eu, como pai, como filho de professora, como ex-aluno, como jornalista ou como cidadão gaúcho, poderia reclamar da atuação dos professores ou do Cpers ou de quaisquer funcionários públicos. Alguns professores e sindicalistas acham que não. Nenhuma dessas condições me daria direito à queixa. Certo. Então vou valer-me de outra condição. Vou falar como patrão. Contribuo, e contribuo bem, para o pagamento dos salários do funcionalismo público gaúcho, inclusive dos diretores do Cpers, inclusive da presidente do sindicato. Eles estão, sim, sujeitos à minha fiscalização e ao meu exame.
E, como patrão, vou dar-lhes um aviso: não estou satisfeito com seu rendimento. Até entendo que a culpa não é só deles. Há décadas que o governo do Estado, do qual igualmente sou patrão, também não se comporta como deveria.
No entanto, ainda posso falar do alto de outra condição: posso falar como trabalhador. É deste prisma que vou citar um ponto, um único ponto que, suponho, possa ser positivo no projeto do governo e que talvez não mereça a oposição encanzinada e birrenta do Cpers.
Eu, como trabalhador da RBS, assim como meus colegas, nós temos direito ao PPR, um Plano de Participação nos Resultados anuais da empresa. Se o faturamento for positivo, os funcionários ganham uma parcela dele. Tempos atrás, um dos critérios para se avaliar quem ganharia essa bonificação era a avaliação dos chefes de setor. Então eu, como editor, fazia o seguinte: dava nota máxima a todos os colegas aos quais avaliava. Não só eu: a maioria dos editores fazia o mesmo. Porque a lógica é óbvia: se todos podem ganhar um prêmio, quem não ganha é prejudicado. Assim, o prêmio não é mais prêmio; é punição, e punição dura. Logo, só se pretendesse punir alguém severamente não lhe daria nota máxima. Mas só neste caso.
Ora, um dos atuais critérios de promoção dos professores é semelhante a esse: é a avaliação dos diretores. Aliás, diretores eleitos pelo voto de professores, alunos e funcionários. Outro dos critérios é o tempo de serviço — a cada três anos o professor ganha uma promoção. Ambos são critérios questionáveis.
Talvez o Cpers pudesse pelo menos discutir esse ponto. Ou até discutir outros, quem sabe? Não digo aceitar, simplesmente: discutir. Tentar melhorar. Tentar avançar. Penso assim, e é possível que outros milhões de patrões do Estado pensem parecido. Seria bom que os funcionários levassem isso em conta. Seria bom. Porque, olha, quem está falando aqui é quem manda. É o patrão.
* Texto publicado hoje na página 3 de Zero Hora.
David Coimbra nasceu em Porto Alegre há 46 anos. Depois de trabalhar em mais de 10 redações do sul do Brasil, hoje é editor executivo de Esportes e colunista de Zero Hora, além de comentarista da TVCOM.
Fale com o colunista
david.coimbra@zerohora.com.br
> Você perdeu alguma História Falada do David? Clique aqui e divirta-se com todos os vídeos.
David por Wianey:
"É preciso ter cuidado ao conversar com o David, pois em tudo ele percebe uma situação que descreverá com o talento dos grandes contadores de histórias."
Leia o blog do Wianey
David por Sant'Ana:
"David Coimbra, o sátiro peralta dos torsos e tornozelos femininos."
Leia o blog do Sant'Ana
David por Rosane:
"O que mais me encanta no David é a capacidade de criar histórias a partir de retalhos do cotidiano, com textos cheios de malícia."
Leia o blog da Rosane
Barbeador Philips 8200 Series HQ-8260Fast Shop.com.br12 x R$ 45,75

Barbeador Panasonic ES8109SMagazine Luiza12 x R$ 66,58

Lav. Louça Electrolux LE12XPortalGenial.com10 x R$ 287,99

PC Cooler Master Intel Pentium Core i7 6144 MBytesMagazine Luiza12 x R$ 833,25

Som Britânia BS55Extra.com.brR$ 42,68
Dúvidas Frequentes | Fale conosco | Anuncie - © 2009 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.