Foto: Reprodução/Cia das Letras |
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O jornal britânico The Times fez uma lista com os 100 melhores livros da década e colocou Persépolis, da quadrinista iraniana Marjane Satrapi, em segundo lugar. A obra autobiográfica, parcialmente ambientada durante a revolução de 1979 no Irã, foi classificada pelo jornal como um livro essencial para entender um país pouco compreendido*.
Das três obras em quadrinhos que aparecem na lista, duas são escritas por mulheres. A outra é Fun Home, da americana Alison Bechdel (a HQ saiu no Brasil pela editora Conrad). O livro, que aparece na 42ª posição, também é autobiográfico. Nele, Alison conta a experiência de ter descoberto que o pai era gay ao mesmo tempo em que se assume como lésbica, no fim da adolescência.
A terceira HQ da lista do Times é Jimmy Corrigan, o Garoto Mais Esperto do Mundo, de Chris Ware, que aparece na 79ª posição. Coincidentemente a HQ está sendo lançada este mês no Brasil pela Cia dos Quadrinhos. A graphic novel aborda a vida de um homem de meia-idade que parte em uma viagem para encontrar o pai que nunca conheceu.
Confira aqui a lista completa dos livros eleitos pelo Times.
* Resolvi ressuscitar a resenha que escrevi de Persépolis na época do lançamento de sua edição encadernada, no começo do ano passado:
Irã autobiográfico
Com um histórico de milênios de invasões, conflitos religiosos e políticos, o Irã ainda é uma incógnita para o Ocidente. Marjane Satrapi ajuda a elucidar um pouco do passado recente do país com Persépolis (Cia das Letras), obra autobiográfica em quadrinhos que havia sido publicada em quatro partes no Brasil e que agora é relançada em volume único.
Satrapi, cujo bisavô foi imperador do país, cresceu no meio da revolução de inspiração comunista que derrubou o Xá Rezah Pahlavi em 1979. Aos olhos da esquerda e dos líderes religiosos do país, Pahlavi era visto como uma marionete dos americanos e ingleses. Nos anos em que esteve no poder, o Xá promoveu a ocidentalização do país e a aproximação com Israel. Ao mesmo tempo, seu regime se tornou cada dia mais despótico e intolerante com a oposição. Estima-se que no final do seu reinado havia 2200 presos políticos no Irã.
Educada em uma escola francesa laica de Teerã, Satrapi tinha 10 anos na época da revolução. Filha de intelectuais comunistas, ela cresceu em meio ao marxismo e à religião. Favoráveis à deposição do Xá, os pais da menina logo se deram conta de que a revolta popular que derrubou Pahlavi havia sido rapidamente apropriada por líderes religiosos, que transformaram o Irã em uma república islâmica. Os opositores de esquerda que derrubaram o Xá, pularam do fogo para a frigideira, já que continuaram a ser perseguidos pelo novo regime.
Cedo, Satrapi teve que conviver com as mudanças impostas pelos líderes religiosos. Na escola ela era obrigada a usar véu e meninos e meninas agora tinham que estudar em salas de aula separadas. O regime ia se tornando cada dia mais duro, forçando a jovem Marjane a se acostumar com a perseguição a parentes e amigos da família.
Em meio à confusão interna do país, o Iraque de Saddam Hussein invadiu o Irã e começou uma guerra que se arrastou de 1980 até 1988. Marjane e sua família viram de perto a escassez de alimentos, os bombardeios, a hostilidade a refugiados de outra partes do país que vinham para Teerã, a proliferação de mártires e a convocação de amigos de infância para a guerra. Tudo isso ao mesmo tempo em que tentavam levar uma vida normal.
Com a proibição ao álcool e o combate aos "valores ocidentais decadentes" correndo solta no país, os iranianos tinham que se virar para conseguir algum tipo de diversão. Várias festas clandestinas na casa dos Satrapi foram interrompidas pelas patrulhas dos guardiões da revolução, que fiscalizavam qualquer atividade subversiva. Não raro tudo era resolvido com a boa e velha propina aos patrulheiros e com alguns litros de vinho despejados no vaso sanitário.
A paranóia era tanta que a simples encomenda de algumas fitas cassete e de um pôster do Iron Maiden feita por Marjane aos seus pais, que haviam ido visitar a Turquia, se transformava em uma perigosíssima operação clandestina.
Quando a situação começou a apertar, Marjane, aos 14 anos, foi enviada para um período de exílio na Áustria. A ebulição de hormônios da puberdade chegou ao mesmo tempo em que ela estava em um país do qual ela não conhecia a cultura e muito menos a língua.
Apesar de ter tido uma educação liberal, os costumes europeus estavam a anos-luz do comportamento do pessoal mais descolado com quem convivia no Irã. Em Viena, Marjane adotou um visual punk e se deparou com as primeiras decepções amorosas e a descoberta do sexo. Lá ela também teve que encarar o preconceito racial e enfiou o pé na jaca em suas experiências com as drogas.
A exemplo de Art Spielgman (Maus) e Keiji Nakazawa (Gen, Pés Descalços), Marjane Satrapi, hoje radicada na França, faz um belo retrato de sua própria experiência tendo como pano de fundo eventos históricos. Os traços simples e estilizados de Satrapi são o complemento perfeito para sua narrativa direta e enxuta.
Persépolis teve os direitos de publicação vendidos para mais de 20 países e ganhou uma adaptação cinematográfica em um longa-metragem de animação. Na dublagem em inglês as vozes dos personagens são feitas por gente legal como Sean Penn, Catherine Deneuve e o mestre Iggy Pop.
P.S.: A partir deste sábado, o blog também está hospedado no novo site do Donna DC. Nada melhor do que a notícia do reconhecimento de duas quadrinistas para fazer a estreia no site.
Foto: Divulgação |
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Xalberto, veterano colaborador da edição brasileira da revista Mad, inaugura uma exposição com seus desenhos para a publicação nesta sexta-feira em Florianópolis. O desenhista, que mora há três anos na capital catarinense, colabora com a Mad brasileira desde sua primeira encarnação, na extinta Editora Vecchi, nos anos 1970.
Na mostra, estarão expostos pela primeira vez os trabalhos originais do desenhista para a revista. São ilustrações em formatos variados em diversas fases da Mad.
A mostra Desenhos Loucos do Xalberto abre às 19h no ateliê A Casa - Oficinas de Arte, na Rua José Francisco Dias Areis, 438, Trindade. Os trabalhos vão ficar expostos no local até 12 de dezembro.
Foto: Reprodução/Panini-Mauricio de Sousa Produções |
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Mauricio de Sousa não anda dando ponto sem nó ultimamente. Desde que lançou a bem-sucedida versão jovem da Turma da Mônica no ano passado, o empresário e desenhista tem virado notícia a cada novo projeto.
A última novidade a fazer barulho foi o lançamento de um personagem supostamente gay, Caio o novo melhor amigo da Tina. Na verdade, a iniciativa parece mais com um teste de terreno para medir a reação do público a um tema inédito nas HQs de Mauricio.
Segundo nota do próprio Mauricio à imprensa, a história, intitulada O triângulo das confusões e publicada na revista Tina # 6 "deve ser lida e interpretada pelo leitor. Não há qualquer afirmação sobre a sexualidade deste ou daquele personagem."
Realmente, a homossexualidade do rapaz é apenas sugerida na história. Depois de uma crise de ciúmes do namorado de Tina, Caio diz que não há motivos para preocupação, pois ele é comprometido. Ao falar isso, o amigo de Tina aponta para um cara barbado, que concorda com a afirmação.
Ao mesmo tempo em que dá margem para interpretações, o desenhista defende que a revista da Tina, ao contrário da Turma da Mônica e da Mônica Jovem, não é destinada ao público infantil ou mesmo infanto-juvenil. De acordo com Mauricio, o gibi é destinado a um público adulto jovem e suas histórias seriam um reflexo disso.
O desenhista também ressalta que uma posição será mantida em todas as suas produções: "o respeito pelo ser humano, pela pessoa, e a elegância no trato de qualquer tema". Ponto para ele.
Resta agora aguardar o desenrolar da história nas próxima edições de Tina. Caio vai voltar e sair do armário? Ou Rolo retomará o papel de melhor amigo da Tina?
Com informações do Papo de Quadrinho e G1.
Foto: Divulgação/Hoplon/Devir |
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Em um futuro onde a Terra foi interditada, um anti-herói ressuscitado no espaço tem que cumprir uma missão com a qual não concorda. Este é o cenário do primeiro volume de Taikodom: Eterno Retorno, do roteirista Roctavio de Castro e do desenhista Eduardo Ferrara.
A HQ é a primeira incursão do Universo Taikodom nos quadrinhos. Pra quem não sabe, o Taikodom é um game online produzido pela Hoplon Infotainment, empresa baseada em Florianópolis. Antes de virar quadrinhos, o game já havia inspirado dois livros.
O anti-herói chama-se Gao Jung, condenado a vagar pelo espaço em animação suspensa pelo assassinato de sua parceira Lynn Mei, no ano 2070. Quando ele desperta, 150 anos depois, as coisas mudaram bastante.
Para começar, a Terra foi literalmente fechada depois de algum evento misterioso. Depois, Jung tem que conviver com uma forma de inteligência artificial implantada no cérebro. O "Grilo Falante" se chama OTTOBA7 e impede que Jung exerça seu livre arbítrio.
Gao também descobre que se tornou virtualmente imortal. Caso morra, ele simplesmente ressuscita e tem que reviver suas experiências imediatamente anteriores em um corpo clonado. Por isso, Gao tem que conter seus instintos suicidas.
A narrativa vertiginosa se alterna entre o passado terrestre de Jung e seu presente como marionete dos Spacers, seres que mandam no Universo Taikodom e que trouxeram o atormentando protagonista de volta à vida para realizar um trabalho sujo.
A conclusão das desventuras do pobre Gao Jung deverá ser conhecida neste mês, quando será lançado o segundo e último volume da HQ. Para saber mais sobre a obra, recomendo esta entrevista com o autor Roctavio de Castro, feita pelo meu chapa Romeu Martins.
Foto: Reprodução, L&PM |
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A editora L&PM lança neste mês no Brasil o primeiro volume de Peanuts Completo. A ambiciosa obra pretende reunir todas as tiras de Charlie Brown, Snoopy & Cia, produzidas por mais de 50 anos pelo cartunista Charles M. Schulz (1922-2000).
O primeiro volume traz tiras publicadas entre 1950 e 1952. O projeto segue os moldes da edição americana, editada pela Fantagraphics. Lá fora, as obras começaram a ser publicadas em 2004, com previsão de publicação de 25 volumes.
Esta é uma grande oportunidade tanto pra quem já é fã quanto pra quem quer conhecer melhor as tiras melancólicas de Schulz, que vão muito além do universo infantil.
No universo de Peanuts, ser criança também é ter que lidar com frustrações, decepções, neuroses e angústias. Não é à toa que um jornal americano chegou a definir o protagonista Charlie Brown como "Sísifo em uma camisa listrada".
Vincent se apavora com um conto de PoeFoto: Reprodução/Disney |
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O vizinho de blog Marquinhos Espíndola já cantou a bola sobre o Dia Internacional da Animação, que é comemorado nesta quarta-feira. Para celebrar a data, eventos simultâneos ocorrem em mais de 300 cidades do Brasil.
Como não vou poder conferir as mostras, separei três dos meus curtas favoritos. Confiram e tenham um feliz Dia da Animação:
1) Estória do Gato e da Lua - Esta produção portuguesa foi dirigida em 1995 por Pedro Serrazina. A animação conta a saga de um felino que se apaixona pelo satélite natural da Terra. O filme é narrado por Joaquim de Almeida. Vi este curta pela primeira vez na primeira edição do Florianópolis Audiovisual do Mercosul (FAM), em 1997.
2) Vincent - O primeiro curta de Tim Burton, de 1982, já antecipava a obra soturna pero no mucho do futuro diretor de Edward Mãos de Tesoura, Batman e Ed Wood. O filme é uma homenagem ao ator de filmes de terror Vincent Price. O próprio Price narra a história de seu xará de sete anos, obcecado por tudo que há de mórbido. Curiosamente, a última aparição de Price no cinema foi como o pai de Edward Mãos de Tesoura, segundo longa-metragem de Burton.
3) Tyger - Dirigido por Guilherme Marcondes em 2006, este curta mescla várias técnicas de animação. A produção é baseada no poema "The Tiger", de William Blake (1757-1827) (confira uma tradução aqui). No filme, prédios e habitantes de São Paulo sofrem estranhas metamorfoses a medida em que um tigre gigante cruza a cidade. O grande Samuel Casal é o responsável pelo desenho dos personagens. O curta ganhou elogios até de Neil Gaiman, o próprio.
Foto: Divulgação/Hoplon/Devir |
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O primeiro volume da história em quadrinhos Taikodom: Eterno Retorno, baseada no universo do game online Taikodom, vai ser lançada nesta segunda-feira, às 19h30min nas Livrarias Catarinense do Beiramar Shopping, em Florianópolis.
A HQ foi produzida à distância pelo roteirista Roctavio de Castro, há 12 anos morador de Florianópolis, e desenhada por Eduardo Ferrara, que tem um estúdio em São Paulo.
Taikodom: Eterno Retorno se passa cerca de 20 anos depois do período atual do jogo (2228 DC). Nela, o protagonista Gao Jung, terráqueo do século 21 que acordou 150 anos no futuro, precisa cumprir uma missão que não aceitou e encarar uma realidade assustadora.
O segundo volume da HQ tem lançamento previsto para novembro. Uma prévia de Eterno Retorno pode ser baixada aqui.
O game Taikodom é produzido e publicado pela empresa catarinense Hoplon Infotainment e está em processo de publicação internacional para mais 31 países.
Bem que podia ser a Maria Flor...Foto: Reprodução |
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Antes de Marge Simpson estampar a capa da Playboy americana, personagens de quadrinhos e animações brasileiras já tinham ficado peladonas em revistas por aí. Uma delas é a Aline, aquela mesma do seriado da Globo.
No ano 2000, a cria de Adão Iturrusgurai estampou um ensaio pra lá de bagaceiro na revista Simples. Sutilmente intitulado "Arregaçando a Periquita!", o ensaio trazia Aline em posições ginecológicas, interagindo com bichinhos de pelúcia como um ursinho, uma girafa e o Picachu.
Outra personagem que apareceu em poses desinibidas foi Drag Car, como bem lembrou o pessoal do La Dolce Vita. Apesar de andar esquecida, Drag Car foi capa da Sexy em 1995. A femme fatale era uma das inimigas do Detetive Bardahl nos comerciais de aditivos para automóveis.
E aí, qual delas vocês preferem?
Foto: Driin/Divulgação |
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O artista gráfico e designer Pedro Teixeira (Driin), radicado em Florianópolis, foi convidado a expor seus trabalhos em uma exposição na Alemanha chamada Kuboshow. Esta é a segunda vez que ele vai participar do evento, que este ano ocorre nos dias 23,24 e 25 de outubro, em uma antiga fábrica na cidade de Herne.
A exposição terá a participação de 100 artistas de todo o mundo, principalmente da Europa. No ano passado, Driin apresentou no evento uma coleção de pinturas sobre fotos da artista alemã Tanja Köesters, além de pinturas sobre telas. Ele também ministrou um workshop de graffiti na cidade de Olfen, para cerca de 30 adolescentes.
Driin é formado em Design Gráfico pela Udesc e atualmente cursa o mestrado em Artes Visuais na mesma universidade. Há cerca de três anos o grafitti se tornou uma de suas expressões mais importantes.
Quem quiser conferir mais do trabalho dele pode conferir seu fotolog ou entrar em contato no e-mail tatooearte@gmail.com.
- Pra que essa boca tão grande?Foto: Reprodução |
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Esta é em homenagem ao Dia das Crianças: a cantora norueguesa Ida Maria chamou o decano Iggy Pop para participar de um clipe com animações baseadas em fábulas infantis. Iggy encarna até o Lobo Mau disfarçado de vovó (enquanto Ida é Chapeuzinho Vermelho) no vídeo da música Oh My God.
O clipe ainda cita outras histórias de crianças, como João e Maria, Rapunzel e Alice no País das Maravilhas. A direção do vídeo ficou por conta de Stefan Tornby, guitarrista da banda de Ida.
Iggy tem outras conexões com animações e quadrinhos. O discão Brick by Brick (1988) tem capa desenhada por Charles Burns (de Black Hole) e Marjane Satrapi, de Persépolis, fez a capa de seu disco mais recente, o ótimo Préliminaires. Por falar em Persépolis, Iggy fez a dublagem de um dos personagens na animação baseada na HQ.
Não custa lembrar também que o vovô punk volta ao Brasil no dia 7 de novembro, novamente liderando os Stooges. O show deve ser o primeiro da banda depois da morte do guitarrista original Ron Asheton. James Williamson, que já havia substituído Asheton na guitarra na formação da banda que gravou o clássico Raw Power (1973), vai reassumir o posto.
Confira o clipe de Ida Maria e Iggy Pop:
Via Rolling Stone Brasil.
O jornalista Gabriel Rocha é fã de HQs desde antes de saber ler. Aqui ele mostra novidades, analisa os principais lançamentos e revisita clássicos da nona arte. Twitter: http://twitter.com/Quadriteca
E-mail de contato: gabriel.rocha@diario.com.br

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