O protagonista de C.R.A.Z.Y., Zac, ainda criançaFoto: Divulgação |
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Sou daquelas mães que se emocionam só de ver os filhos brincando juntos. Quem me lê com regularidade, ou até aleatoriamente, já deve ter percebido isso. Acho que eles são um presente, uma sorte, uma graça maior na vida.
Mas vocês, caros leitores, jamais me ouvirão aconselhando alguém a ter filhos, dizendo que são algo imprescindível para a felicidade, a solução para todos os seus problemas ou um antídoto para a finitude.
Temos um instinto natural de reprodução, sim. E muitos de nós encontram felicidade na prole. Mas gosto de pensar que somos mais do que animais instintivos, que vivem para procriar. E acredito que toda espécie tem exceções entre seus exemplares.
No ótimo filme C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor (Canadá, 2005), do diretor Jean-Marc Vallée, o pai, zeloso, porém embrutecido pelos próprios tabus, tem dificuldade de aceitar as escolhas e a orientação sexual do filho. Então, diz ao jovem que não entende como alguém pode ser homossexual, porque, para ele, não se pode abrir mão do grande prazer da vida que é ter filhos. “Não há nada mais lindo”, conclui.
Não foi a primeira vez que ouvi este argumento vindo de pessoas que não gostariam que os filhos fossem homossexuais.
É compreensível que se queira que os seres que mais amamos tenham uma experiência similar à nossa. É mais fácil de orientá-los. E o que deu certo para nós há de dar certo para os nossos pequenos.
Só que, pasmem, não é possível repetir na vida dos filhos aquilo que apreciamos em nossas próprias vidas. E muito menos esperar que eles concretizem os sonhos que não alcançamos.
Além disso, o que nos faz pensar que todo heterossexual precisa se reproduzir para ser feliz? Há uma cobrança que ignora os desejos, sentimentos e até a vocação dos indivíduos para a paternidade. E se o tal indivíduo não for biologicamente apto a fazê-lo? Não há esperança de felicidade para ele?
Como se tudo isso fosse pouco, ainda é preciso lembrar que qualquer ser humano deve ter o direito da adoção, independentemente de sua orientação sexual. Não é ela que vai garantir se vamos ser bons pais ou não. Ou alguém aí acredita que apenas ser heterossexual já garante um bom pai ou mãe?
Porém, todas estas alternativas não servem para conformar os pais que no fundo desejam ser eternos através da perpetuação dos seus genes, e delegam ao fruto das próprias entranhas esta tarefa inglória.
Não há nada errado em querer ser avô. Especialmente se for um avô ou avó que vira uma lembrança com cheiro de bolo quentinho, ou de uma aula de pescaria.
Mas essa é uma oportunidade que a vida pode nos oferecer (e que podemos desperdiçar e não usufruir), ou não. Ter netos não é algo que possamos programar, como se fosse uma carreira ou uma viagem de férias.
Se queremos ser lembrados, há formas que dependem exclusivamente de nós. Você pode ser uma personalidade e batizar uma rua com seu nome, ser um pensador e criar uma teoria revolucionária, ser arquiteto e desenhar uma cidade, ser poeta e eternizar seus versos, e assim por diante.
Ou pode ser uma pessoa legal, que muda o ambiente ao seu redor, que faz diferença onde vive e na vida daqueles com quem convive. Especialmente dos seus filhos.
Separei uma das minhas sequências favoritas de C.R.A.Z.Y, com o protagonista (Marc-André Grondin) cantando Space Oddity com David Bowie na vitrola:
Você é sensato? Sim? Tem certeza? Então leia a coluna da Martha Medeiros na Viver! deste fim de semana aqui.
Eu até que me achava sensata. Descobri que não sou, infelizmente.
Mas pensando bem até sensatez pode ser demais.
Trilha sonora para a insensatez:
George Cloney e o diretor Jason ReitmanFoto: Paramount/Divulgação |
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Assim que o filme começou a passar na sala de cinema, eu desejei não ter lido as centenas de linhas que li sobre ele. Por isso é quase uma maldade escrever sobre Up in the Air – ou, na infame adaptação para o português, Amor Sem Escalas, premiado longa que estreou em Blumenau sexta-feira. Mas vou tentar descrever o que senti, e não antecipar a sinopse nem narrar o que vi na tela, para não estragar as surpresas.
O diretor Jason Reitman, um cara de 32 anos, mais uma vez apresenta sua história sob o olhar de personagens que fogem do estereótipo – ou melhor, do caminho mais rápido, como ele mesmo define em uma das falas do roteiro de Up in the Air.
O canadense já havia feito esta opção ao construir tanto o lobista da indústria tabagista absolutamente encantador, do ótimo Obrigado Por Fumar (2005), quanto a adolescente cabeça que fica grávida do melhor amigo, no reconhecido Juno (2007).
Desta vez, o personagem é igualmente sensível, inteligente e irresistível, só que em vez de cheio de amarras que o prendem ao chão, vive suspenso no ar, como sugere o título original. Ryan Bingham (George Clooney) é tão convicto de sua escolha pela leveza que chega a dar palestras sobre como a vida seria mais plena se não carregássemos tanto peso.
O filme joga no ar questões como a impessoalidade do nosso tempo, em que demissões acontecem por teleconferência e relacionamentos terminam por e-mail. Os meandros desumanos do mundo corporativo, que transformam tudo em organogramas e planilhas de Excel. O conflito entre a visão que temos da vida aos 20 e depois dos 30, quando desistimos de criar tantas expectativas – “é contraproducente”, diz a personagem de Vera Farmiga. E especialmente a dificuldade, e o conforto, de manter os laços familiares. Mas o tema das palestras proferidas pelo protagonista, perfeitamente ilustrado como “O que tem na sua mochila?”, é a amarração perfeita para todos estes dilemas.
O que a gente carrega na mochila? A casa, o carro, o trabalho, o casamento, os pais, os irmãos, os filhos... Uma montanha de coisas e pessoas que, segundo o personagem criado sob medida para Clooney, nos impede de sair do lugar, e até de viver. Para ele, viver é se mover, e é impossível sair do lugar com tanto peso nas costas.
O diretor e roteirista nos desafia a pensar sobre isso. E, claro, dá um contrapeso a todas estas responsabilidades, quando personagens anônimos aparecem para mostrar como às vezes são alguns destes “fardos” que nos empurram para frente. Mas também não julga quem escolhe viver no ar.
Esta é a qualidade maior de realizadores como Jason Reitman. Levantam questões, nos fazem pensar sem julgamentos. Na vida, nem tudo é certo e errado. Nem tudo tem uma lição de moral no fim. Nem todo mundo é azul como propõe Avatar, por exemplo. Para toda esta reflexão pesada é preciso dispor do humor, da delicadeza, enfim, da leveza. E isso é o que oferece Up in the Air.
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O ator Hugh Laurie não é assim tão popular. Agora o doutor Gregory House, isso uma penca de gente conhece.
E quem nunca viu a série que leva o nome do médico mais adoravelmente cruel da tevê americana devia correr para conhecer (a sexta temporada passa no canal Universal, 43 da Net, às quintas-feiras, e episódios mais antigos são reprisados de segunda a sexta, às 20h).
Mas agora eu quero falar sobre a faceta mais desconhecida ainda de Laurie, a de escritor. O britânico tem um romance de espionagem publicado em 1996 e que chegou só agora no Brasil.
Quer saber mais? Leia reportagem amanhã no Lazer! Não aguenta de curiosidade? Eu adianto um trecho de O Vendedor de Armas (Planeta, 288 páginas, R$ 39,90):
"Imagine que você precisa quebrar o braço de alguém.
Não interessa se é o direito ou o esquerdo. O ponto é que você precisa quebrá-lo, porque se não o fizer... bom, isso não importa também. Vamos dizer que coisas ruins vão acontecer se você não fizer isso.
O que quero perguntar é o seguinte: você quebraria o braço da pessoa rapidinho – tipo crack, oops, desculpe, deixa eu ajudar você com esta tala improvisada – ou prefere fazer aquele serviço completo que dura uns bons oito minutos, aumentando a pressão aos poucos, até que a dor fique rosa e verde e quente e fria e tudo isso junto, o que a torna dolorosamente insuportável?"
E aí? Achei que Hugh Laurie nasceu para interpretar o House.
Há 22 dias e 20 horas não acordo no meio da noite quando a porta do quarto é aberta por uma mãozinha assustada depois de um pesadelo infantil. E nos fins de semana, durmo até a hora que eu quiser. Daqui a 1 dia e 6 horas vou poder respirar sem sentir um aperto no peito.
Há 22 dias e 20 horas não preciso dirigir de uma ponta à outra da cidade com um trânsito de irritar um budista para ir até a escola. Posso comer em um restaurante que não sirva a comida em bandejas de plástico. E até conversar sobre o livro do Saramago, que finalmente pude ler em silêncio.
Há 22 dias e 20 horas posso ir ao shopping e passear até cansar de tanto ver roupas e provar sapatos. Entro em lojas de louça sem medo de que tudo venha abaixo. Vou ao supermercado sem precisar procurar ninguém pelos corredores a cada cinco minutos.
Há 22 dias e 20 horas assisto a filmes sem personagens fofinhos de animação e sem interrupções que me fazem perder a virada da história.
Posso ir ao banheiro com a porta trancada e não preciso me molhar inteira para ver se pequenos pés e orelhas estão limpos.
Há 22 dias e 20 horas chego em casa e encontro tudo arrumado. Não tem tênis nem brinquedos espalhados pelo chão e nem uma pilha de roupa suja para lavar.
Há 22 dias e 20 horas faço serão no trabalho sem culpa, nem preciso correr para casa e largar o que estou fazendo na mão de colegas em caso de febre. Até namoro meu marido como se a rotina doméstica não existisse.
Há 22 dias e 20 horas está faltando alguma coisa.
Daqui a 1 dia e 6 horas vou sentir o cheirinho azedo de suor mais agradável do que qualquer perfume que já aspirei. Vou poder abraçar os dois corpinhos que fazem meu coração derreter mas ao mesmo tempo ficar mais forte. E ouvir perto do meu ouvido as vozinhas que me fazem sorrir sempre que dizem “eu te amo”.
Daqui a 1 dia e 6 horas vou reencontrar o que fez e faz cada minuto da minha vida valer a pena.
Daqui a 1 dia e 6 horas meus dois filhos amados voltam da temporada de 24 dias e 2 horas na casa dos avós.
Daqui a 1 dias e seis horas eu volto a estar completa.
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Como bom aprendiz de catarinense, recepcionei amigos de longe que vieram conhecer as belezas do nosso Estado. E em um almoço com a nossa mata como vista, o casal vindo de Brasília demonstrou uma honestidade impraticável para alguns de seus vizinhos. Contaram que só abastecem o tocador de MP3 com músicas compradas. E ainda bradaram: baixar músicas ilegalmente, nem pensar.
O discurso acordou os dilemas que carrego com relação à pirataria. Sou tão atormentada por eles que nem tenho um tocador de MP3 para não sucumbir à tentação. Como bem descreveu o publicitário Zé Pedro Goulart, o aviso para não baixar música ilegalmente impresso na caixinha do iPod se compara a escrever “não lamba” em um chicabom.
Esta facilidade em acessar músicas e vídeos está mudando não só a maneira como se comercializa os produtos culturais, mas também está influenciando a forma como são produzidos.
Neste início de ano, a MTV Brasil reprisa episódios históricos de seu “Acústico”. Vi shows de Gilberto Gil e Gal Costa, por exemplo, os dois gravados com esmero irretocável nos anos 1990. Até me emocionei, como quem vê um animalzinho em extinção.
Superproduções como essas, de graça na TV, estão cada vez mais difíceis. Imaginem a trabalheira para fazer um programa assim. Semanas de ensaio dos músicos, fazendo arranjos e acertando os instrumentos desplugados com a voz do cantor ou cantora e seus convidados de luxo. Figurinos, cenários, arte do disco.
Era tanta preparação que havia uma expectativa para assistir no dia e hora determinados. Hoje o conteúdo vazaria assim que fosse gravado e estaria nos fones de ouvido da galera antes mesmo de ser prensado o CD. Uma produção cara para ver na telinha do YouTube.
Como uma empresa de TV ou gravadora vai fazer um investimento assim se o retorno desapareceu? Não vai. E a escolha foi nossa.
Por outro lado, os nossos artistas favoritos estão caindo na estrada para ganhar o pão, ou em alguns casos o brioche de cada dia. E os álbuns não precisam mais encher um CD: têm o tamanho das ideias do artista.
Com as músicas online, você não precisa ter todas as canções de um disco, apenas aquelas faixas que ficavam no repeat do CD player ou que se gastavam com a agulha da eletrola. É a evolução da mix tape – que era uma fita gravada mesmo – , só que sem a voz do locutor de rádio dizendo o slogan da emissora no meio das canções.
O problema é que não ameaçávamos o império das gravadoras com nossos k-7 Basf e TDK. Hoje, nem império há mais. Pelo menos os muros do castelo estão ruindo. Será o fim dos artigos culturais de luxo para todos? Talvez, o novo luxo seja carregar seu artista favorito com você no celular e até poder assisti-lo de perto de vez em quando.
Neste tufão de técnicas de gestão de pessoas e de métodos para ajudar a si que hoje nos atinge tanto quanto o aquecimento global, o assunto do qual vou falar neste texto já virou clichê.
E para virar clichê em um universo de lugares-comuns e pensamentos simplistas, o tema já tem que nascer banal e com pré-disposição à cafonice. Mas como a nossa vida é cheia de antagonismos – amor e ódio, sim e não, feijão e arroz –, esta pequena e singela coisinha tem poder e merece ser olhada de perto. É o elogio.
Também conhecido no mundo corporativo como feedback positivo - medo! -, este retorno sobre aquilo que fazemos bem é fundamental na nossa evolução. É o reconhecimento do nosso esforço ou talento pelo outro. Aquilo que nos faz acreditar que somos bons perante os que nos cercam.
Bem, então é simples. Para fazer alguém feliz é só elogiar a cada coisa boa que o indivíduo faz!, você conclui. Errou! Não confunda com adestramento, achando que é só dar um agradinho e dizer “bom garoto” para ter todos felizes à sua volta. Você pode até fazer isso, mas se as pessoas que você tanto elogia merecerem um terço das palavras positivas que recebem vão entender a manipulação.
Então não importa de quem vem o elogio, desde que seja sincero, você chuta. Meio ponto. Palavras positivas viram carícias no ego quando pronunciadas por uma pessoa que temos em alta conta. A estrelinha no dever de casa só vale se for da professora, o gol na escola tem um gosto melhor se o pai assistiu ao lance.
Um elogio sincero, daquela pessoa que é referência, até para o mais autoconfiante, é uma mega sena acumulada. Você fez, mereceu e levou. Acertou, parabéns!
Por isso em entrevistas aparece aquele o item “um elogio inesquecível”. Aquela palavra que nos envaidece diz muito sobre o que somos, ou melhor, o que queremos ser e como queremos ser vistos.
Eu lembro de uma vez em que minha madrinha, uma das minhas referências da infância, não soube responder a uma pergunta que fiz, e completou dizendo que era um questionamento inteligente. Eu tinha uns sete anos e ainda lembro. Hoje sei que a dúvida não era tão genial e a minha dinda podia até estar querendo se livrar da inconveniência infantil. Mas prefiro pensar que acertei na loteria.
Otto de peito abertoFoto: Talita Miranda/Divulgação |
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No Lazer de hoje tem uma reportagem sobre o novo CD do cantor e compositor pernambucano Otto. O disco, que tem o sugestivo nome de Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, está uma delícia. Sofrido e bonito, como toda dor de amor.
Divido com vocês a minha faixa favorita, Lágrimas Negras, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, gravada em parceria com a mexicana Julieta Venegas (estes nomes também merecem atenção). Repara o verso: "Belezas são coisas acesas por dentro/Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento".
Para uma segunda-feira chuvosa:
Estudo realizado nos EUA provou que, nos países onde a igualdade entre os sexos é realidade, as meninas tendem a ter melhor desempenho do que os meninos na matemática. Apesar disso, a mesma pesquisa apontou que elas levam desvantagem quando o assunto é autoconfiança na escola.
Esta notícia confirma que a vida das mulheres ainda é dura, apesar de tudo que conquistamos. Porque não conquistamos o principal: a confiança, nem dos outros nem de nós mesmas.
Vou ilustrar com uma historinha verídica:
Há alguns dias atendi uma ligação, aqui na redação do Santa, de um assinante. Depois de ouvir a minha voz ele disse:
- Posso falar com o seu chefe.
- A minha coordenadora chega mais tarde. Quem sabe eu posso lhe
ajudar, ou o senhor prefere ligar mais tarde - respondi.
- Mas não tem um chefe homem com quem eu possa falar?
Apenas repassei a ligação para alguém tão peparado quanto eu, mas do sexo masculino. Não consegui me impor, fiquei atônita. E no final das contas, o cliente sempre tem razão, certo?
Isso ainda existe, meus caros. Pelos meus cálculos, as meninas precisam gabaritar muita prova de matemática e acreditar muito em si até que as coisas mudem.
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O mais novo chapeleiro maluco do cinema, Johnny Depp, declarou que uma das características que mais aprecia em um ser humano é a irreverência. Talvez com o inconsciente e delirante intuito de agradar o astro de Inimigos Públicos, fiquei com esta palavrinha dando voltas na cabeça.
O que é ser irreverente? A definição que se apressa em responder ao questionamento é: ser irreverente é ser engraçado. Mas esta resposta camufla o que a palavra de fato significa. Irreverência é não reverenciar. Daí a relação com o humor. Só conseguimos fazer graça com aquilo que não colocamos em um pedestal.
Pode ser uma religião, um partido político, um time de futebol, um chefe, um pai ou uma mãe. Tudo que exige admiração incontestável não admite ser satirizado. E quem ambiciona ser reverenciado não sabe rir de si mesmo, não aceita ser contestado.
Um ditador não permite ser tema de risadas, porque a partir do humor sua falibilidade vem a público. A fé precisa de reverência porque sob a simples possibilidade de falência deixa de existir. Pais que baseiam a educação na autoridade perdem o controle sobre a prole se colocados no mesmo nível dos filhos.
A irreverência é chave para o questionamento e para a criação. Se a ciência não contestasse as verdades absolutas ainda acreditaríamos que a Terra é quadrada, não existiriam vacinas nem foguetes espaciais. Se todas as instituições humanas fossem idolatradas cegamente não haveria literatura, cinema, teatro, arte, circo. Nem este blog que você lê agora estaria na tela do seu computador.
E não é preciso temas grandiosos para aplicar a irreverência. Um problema cotidiano tratado como algo intocável, é impossível de ser resolvido. Não é possível rir de tudo, mas o simples fato de admitir que algo pode ser menos do que parece já ajuda bastante.
Ser irreverente não é ser desrespeitoso. O respeito é o que nos separa da selvageria. Mas se curvar, bater continência, baixar a cabeça nem sempre tem a ver com respeito.
Se não é possível sorrir de algo tem alguma coisa errada, conteste. Mas a contestação bruta, que se choca tentando medir forças com o objeto de questionamento, sem saber rir de si mesma, também perde o seu poder criador. Nada, nem ninguém, deveria se levar tão a sério. É nestes casos que entra o Teorema de Depp: melhor será aquele que souber ser irreverente. Amém.
Os dilemas femininos modernos, sem caretice ou fórmulas prontas feministas, descritos pela editora-assistente do caderno de Lazer do Santa, Mônica Torres. Fale com a blogueira
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