O técnico Silas conhece Ferdinando do Avaí e tem no jogador plena confiança. A passagem dos dois para o clube grande foi quase simultânea. O treinador veio antes, o volante, logo depois. Já nas primeiras partidas, ficou claro que a parceria não seria desfeita. Ferdinando é titular desde a primeira hora, a despeito das turbulências que só agoram começam a se dissipar.
Volante, como goleiro ou centroavante é cargo de confiança. Naquela posição, jogadores medianos sobrevivem por conta de força, determinação, liderança e outros quesitos que pouco ou nada tem a ver com a bola. Ferdinando se encaixa nesta definição de jogador capaz de garantir titularidade não por amizade ou bruxaria com o comandante, mas pelo que irradia aos companheiros. Os zagueiros talvez se sintam mais seguros com Ferdinando, o time pode precisar do seu vigor e da história de vida dele. O jogador começou tarde na profissão, foi pedreiro ou coisa parecida antes de enveredar pela bola e hoje está no Grêmio.
O ideal é que o meiocampo começasse por um passe melhor, uma visão de jogo mais apurada, uma técnica mais refinada, enfim. Mas Silas tem tudo isso na figura de Douglas. De Ferdinando, o treinador quer exemplo de determinação e segurança defensiva. É preciso respeitar a ideia do técnico, ainda que eu não esteja plenamente convencido de que ela seja a melhor.
O prato principal será servido a partir de 11 de junho. Até lá, Dunga não terá muito o que observar. Terá, sim, que treinar, conversar. Fazer o time entender como se joga e ganha Copa do Mundo.
Antes de enclausurar-se com o grupo na preparação ao Mundial, testa o time, numa única vez. Será dia 2 de março contra a Irlanda, em Londres. Um teste apenas. Não sei se forte o suficiente. Mas é um teste, convenhamos. Os irlandeses ainda cicatrizam as feridas da eliminação. Procuram entender como aquele gol absurdo de Henry, passou batido. Enfim, os irlandeses estarão no nosso caminho.
Pelo que observei da lista dos convocados de hoje, notei que o treinador da seleção prima por uma de suas maiores características desde que assumiu em 2006. Mantém uma regularidade. Não inventa muito. Procura dar oportunidade àqueles que já estavam integrados ao processo de seleção brasileira.
Só não consigo entender a insistência. Defeito dele? Talvez. Josué e Elano. Sinceramente, não enxergo nada de especial nos dois. Nem pra grupo. Não sei o que eles podem acrescentar. Tem tanto jogador que pode ser bem mais útil. Jogador que pode "abraçar a causa" e se tornar fundamental numa campanha que visa ser a melhor entre todas as 32 seleções que vão disputar o Mundial. Mas não convoco. Torço, assim como outtros tantos mihlões de brasileiros.
Outro ponto. A ausência de Ronaldinho não me surpreende. E não deve surpreender Dunga. Lembro que escrevi em outra data sobre a fase do gaúcho. Ronaldinho só mereceria ser lembrado outra vez, se estivesse realmente compromissado em disputar outra Copa. Fazer parte de um período de entrega e dedicação absoluta. Abrindo mão dos prazeres que a vida milionária o proporciona. Ronaldinho teve lâmpejos dos tempos áureos. Estagnou. E estagnou num período crucial pra definição dos nomes. A não convocação pra este amistoso, indica que o camisa 80 do Milan assistirá o Mundial de casa, no conforto de Milão. Dunga parece convicto disso. A não ser que o próprio Ronaldinho reverta a situação.
Enquanto isso, vamos torcendo. A Copa, bem ou mal, já é realidade.
Sim, existiu na história time campeão com goleiro médio ou até ruim. Mas não é a praxe. Os maiores times do mundo nas mais variadas épocas começaram sempre por goleiros não menos inesquecíveis. Sepp Mayer, campeão do mundo com a Alemanha em 74. Gilmar, campeão do mundo em 58 e 62 com o Brasil. Fillol, campeão do mundo com a Argentina em 78. Nas exceções que confirmam regra, Félix era o goleiro mediano do supertime de 70. Pumpido não era muito melhor na Argentina de 86. E Barthez era um goleiro discutível na França campeã de 1998.
Saindo das seleções e indo para os clubes, os exemplos mudam pouco. Mazaropi não era, exatamente, um goleiro de grandes recursos técnicos e nem estatura ideal tinha. Porém, nunca vi um jogador crescer tanto na hora grande e ser fundamental para a conquista do seu time. Leão era o início do grande Palmeiras. Manga dispensa comentários no Inter de 75. Raul começava aquela escalação estelar do Cruzeiro da década de 70 e do Flamengo da década de 80. O Grêmio de Eurico Lara, Mazaropi, Danrlei...Estou passeando pela história dos times campeões para chegar a Lauro e o Inter 2010.
O goleiro foi titular da Ponte Preta, sobrou no Cruzeiro e atuava no Sertãozinho. No time colorado, tem o título importante e inédito da SUl-Americana com boas atuações. Depois daquele primeiro momento iluminado, desceu alguns degraus na sua média de atuações. Lauro é um bom goleiro, um nota sete. A pergunta é : basta um goleiro nota sete para ser campeão da Libertadores ? Olhe em volta; o Cruzeiro tem Fábio. O São Paulo, Rogério Ceni. O Flamengo, Bruno. O Corínthians, Felipe. Todos melhores do que Lauro. O que fazer ?
Se eu fosse dirigente do Inter, tomava uma decisão técnica. Se fosse para contratar outro goleiro, teria que ser um excepcional. Alguém que chegasse ao Beira-RIo titular já no aeroporto. Como aconteceu na contratação de Manga para substituir Schneider. Do contrário, apostaria num goleiro da casa. Os dois que o Inter tem são frequentadores de seleções brasileiras de base. Muriel vem de um grande ano no Caxias e na Portuguesa. Agenor foi capitão do Inter B campeão da copa Arthur Dallegrave. Qualquer um deles poderia repetir Taffarel. Para quem não lembra, em 1985 ele substituiu o goleiro contratado junto ao Vasco da Gama. Roberto Costa veio para ser titular, mas era apenas um bom goleiro. Pedindo passagem, Taffarel passou por cima.
O que não pode é tratar a primeira posição do time com desleixo. Ou bem se confia em Lauro e torna ostensivo o apoio, ou se aposta fortemente em um dos goleiros de seleção de base do elenco ou, enfim, se contrate um goleiro superior. Contratar um arqueiro do nível de Lauro para disputar posição seria um grande erro.
Se há um setor no time atual do Grêmio que não causa nenhuma preocupação nem em Silas, nem na direção e no torcecedor, este setor é ataque. A dupla Jonas e Borges anda deitando e rolando.
Dois jogadores que a cada rodada entrosam-se com mais facilidade. Mostram entendimento. Cumprem a risca as orientações táticas passadas pelo treinador. Borges é o da referência, embora saiba buscar o jogo nos lados do campo. Mas tem como principal virtude, o posicionamento e o senso pra fazer gol. Ontem, aproveitou a grande fragilidade técnica do Universidade e atropelou.
Jonas é o atacante com o qual Silas conta pra mexer com a marcação adversária. O camisa sete anda com liberdade pra movimentar-se por onde bem entende. Jonas sempre foi assim. Tem velocidade, técnica e um baita oportunismo, a exemplo do parceiro de frente.
A importância da dupla pro time se comprova nos números. O Grêmio já marcou 15 gols no Gauchão. É o segundo melhor ataque. Dos 15, Jonas e Borges fizeram juntos, 12 gols. Incomparável.
Os dois estão confirmados pra estreia na Copa do Brasil, quarta, lá diante do Araguaia. A julgar pelo que estão fazendo no Gauchão, boas perspectivas pros gremistas. Sempre é bom lembrar que vitória por dois ou mais gols de diferença nesta primeira fase, fora de casa, garante a classificação. Mais do que na hora de Jonas e Borges seguirem neste ritmo. O Grêmio só tem a ganhar.
Jorge Fossatti age como se fosse um veterano no Beira-Rio. Age como há muito trabalhasse por aqui. Está de bem com ele, com o grupo, a direção. É um treinador matreiro, experimentado. Tomou as rédeas com firmeza e tem tudo pra não largá-las tão cedo.
Digo isso porque é fácil de perceber esta rápida adaptação do uruguaio com o jeito de ser e trabalhar por aqui. Embora a proximidade geográfica, alguns costumes, a comunicação, a língua, por vezes dificulta. Se bem que no futebol, a linguagem é universal e com um pouco de entendimento, já é possível conseguir boa coisa.
Fossatti está convicto daquilo que precisa pra alcançar o sucesso, especialmente na Libertadores. Formou um grupo, apostou em alguns nomes e com eles espera se dar bem. Cometeu alguns deslizes, como deixar Giuliano no banco. A lesão de D´Alessandro, bem ou não, forçou o técnico a consertar o erro. Giuliano voltou à equipe e terá a oportunidade de dar sequência ao bom futebol que já havia demonstrado em 2009. É um dos onze incontestáveis!
No Gauchão, o treinador observa as peças. Experimenta. Quando chegar dia 23, um outro passo começa a ser dado. Este bem mais ambicioso!
Muitos têm sido os torcedores que questionam, mandam mensagens, ligam, me param na rua, pra questionar o Grêmio. Querem saber o porque da insistência de Silas com alguns nomes que não conseguem corresponder neste início de temporada.
Tenho reiterado que ainda é cedo pra que se julgue o técnico e coloque em xeque sua condição. Silas está em início de trabalho, vai fechando o primeiro mês. É natural que ainda tenha oscilações, tanto na parte técnica, quanto na tática. O treinador está na fase de conhecimento dos jogadores. Trabalhando pra encontrar aqueles que tenham as características ideais de assumir a titularidade.
O GreNal, a derrota pra ser bem específica, foi o que levou aos questionamentos. A maneira como o time se comportou, jogadores que não se empenharam. Tudo isso, passa pela pauta da torcida.
O Grêmio, é notório, está em processo de entrosamento. Perder clássico, faz parte. O problema, é o histórico recente. Silas, o Grêmio, a direção, ainda explicam o jogo de Erechim e pra se reabilitar, já que o Gauchão não permite muito tempo nem pra lamentações, nem pra euforias mais extensas, o time recebe o perigos São Luiz. Equipe de investimentos menores, mas bastante coeso e determinado.
Se fosse em outras condições, não haveria qualquer dúvida. O Grêmio ganharia ao natural. Diferenças lógicas e óbvias. O detalhe é que tudo aquilo que leva a desconfiança da torcida, pode pesar contra.
Outra vez, o time de Silas estará mudado. Estará no centro das atenções e das avaliações. Sem poder errar.
Não é todo o dia que em jogos de dimensão como o GreNal, um consegue ser superior ao outro durante um relativo período. Aqui no Rio Grande do Sul, o Inter está quebrando esta escrita. Ao passar pelo Grêmio em Erechim, consolidou uma campanha invejável em clássicos nestes últimos dois anos. Em seis GreNais, contabilizando os cinco do ano passado, mais este primeiro de 2010, soma cinco vitórias e uma única derrota.
A de ontem no Colosso da Lagoa, como prima a história dos GreNais, outra vez se deu no detalhe. Bastou uma destatenção da defesa gremista pra que Alecsandro definisse o jogo. O atacante não estava nada bem. Era candidato, inclusive, a deixar o time. Fossatti optou por retirar Taison. Manteve o camisa nove e ele decidiu o GreNal. Falei em Taison. Esse, definitivamente, não consegue repetir o desempenho de um ano atrás. Corre sério risco de perder a posição logo ali. Por outro lado, Sandrou jogou muito. Foi um incansável, marcou e apoiou na mesma intensidade. Vive uma fase especial.
O Inter ganhou o clássico por ter melhores alternativas. O grupo, o entrosamento, fizeram a diferença, sem dúvida.
No lado gremista, a decepção se dá, como disse o próprio técnico Silas após a derrota, pelo fato de o resultado brecar o avanço que ele já observava na equipe. Silas ainda está na fase de conhecimento das peças que dispõe. Está no processo de ajustes. Uma certeza é evidente. O treinador necessita definir o esquema. Tem optado por três zagueiros e um único armador. Ontem, Souza ficou sobrecarregado. Estável e confiável por enquanto, a dupla de atacantes. Nos outros setores, vagas em aberto. Hugo deve voltar ao time? Joílson é a melhor alternativa na ala direita? Maurício é um dos titulares da defesa? São questões a serem resolvidas imediatamente. Sem tempo pra muitas explicações.
Por hora, os colorados curtem a supremacia no clássico. Por hora. Quarta-feira, mais uma página vira.
Jorge Fossati parece saber por que ganha; significa que deverá saber por que perderá quando isso acontecer. Na entrevista coletiva do treinador, ele valorizou a vitória no clássico, mas não se furtou a falar de um lance que outro técnico talvez deixasse passar por conta do sucesso no grenal. Nos acréscimos, Guinazu fez uma falta inútil e infantil na beira do campo num jogador do Grêmio que estava de costas para a área colorada. O time gremista teria que construir um ataque faltando poucos segundos para o fim. Com a bisonha falta cometida pelo argentino, a bola foi para a boca do gol e beijou a trave no chute de Maylson. Fossati falou que não se pode cometer uma falta daquelas. E tem razão.
É um detalhe do jogo, mas grenal se ganha assim mesmo, detalhando. Antes, o Inter teve as mais claras chances de gol e Víctor impediu que a bola entrasse. O Grêmio, porém, não jogou mal no 3.5.2 pensado por Silas. Só não foi melhor porque Souza teve atuação mediana e os dois volantes gremistas mostraram um repertório muito comum para a dimensão de um grande clube. Do outro lado, o meiocampo do Inter teve um Sandro soberbo e um GIuliano perto disso no primeiro tempo.
Quer outro detalhe ? Alecsandro jogava menos do que Taison quando o menino foi substituído por Edu. Fossati apostou na capacidade de conclusão do seu camisa nove e teve a resposta. O gol do grenal foi de Alecsandro. Vitória no clássico.
Não há por que arrasar a terra que está sendo cultivada por Silas. Mas convém ao treinador que perceba rapidamente o que já resta bem claro. Souza, pelo que está jogando, vai acabar na ala-direita para abrir espaço a Douglas. Lúcio ganhou a ala-esquerda. Os volantes reservas merecem a chance de sequência de jogos diante das atuações apenas cotidianas dos atuais titulares. Fernando e Maylson merecem. Na frente, não há por que mexer.
Foi um grenal de meio de caminho. Não é suficiente para revolucionar a atitude de quem foi derrotado, tampouco de decretar que o vencedor terá sucesso absoluto.
O post chamado grenal suscitou a velha e saudável rivalidade entre gremistas e colorados. Excetuando os excessos de um ou outro, as opiniões são candentes em favor deste e contra aquele. É do jogo, um clássico tão importante transforma pessoas serenas em retóricos fervorosos.
A polêmica sempre será sobre o favoritismo no grenal. O colorado que xingou Fossati por deixar Giuliano fora da estreia agora defende seu time como o melhor do mundo. O gremista que murmurou vaia no Olímpico contra o Veranópolis pela má atuação da sua equipe hoje não admite vitória por menos de dois gols. Os torcedores se inflamam e se contradizem, é da sua natureza. Nem por isso deixam de ter no íntimo da consciência a realidade presente de que tudo pode acontecer diferente do desejado.
Se o Inter vai confirmar o favoritismo, só o domingo dirá. Se o Grêmio reverterá esta expectativa e provocará uma crise na solidez colorada, idem. Até lá, tudo é só projeção e expectativa. Todos envolvidos no grenal veremos e ouviremos de tudo até que a verdade do jogo se estabeleça.
E esta, por enquanto, ninguém conhece.
A - ATAQUES - Jonas e Borges surgem como o ponto mais confiável deste começo de ano no Grêmio. Titulares indiscutíveis, jogam o GreNal de domingo, procurando manter a média. No Inter, Taison e Alecsandro estão juntos de novo. Será que vai dar certo?
B - BOLA PARADA - No Grêmio Souza, no Inter, Giuliano, este se sair jogando. Duas belas alternativas neste tipo de jogada. Detalhes decidem GreNal, é histórico.
C - CAPITÃES - Victor e Guiñazu têm naturezas diferentes. O gremista era calmo, quase não movia um músculo da face. Mudou um pouco o estilo desde que se tornou capitão. Grita, cobra e exagera. Precisa se controlar. O colorado é sanguíneo. Participativo ao extremo. Joga e fala na mesma proporção. Também se excede.
DIVIDIDA - GreNal se sabe, joga-se com força, marcação redobrada. Um jogo atípico. Mas nem sempre, força e divididas mais ríspidas ganham o clássico.
EQUILÍBRIO - Essa é uma palavra que acompanha o GreNal, apesar da vantagem, do momento de um ou de outro. Time mais bem equilibrado, tanto técnica, quanto emocionalmente, de maneira geral se dá bem.
FORÇA - O maior confronto do futebol gaúcho se caracteriza por ser um jogo de força. Dois clubes de grandezas iguais. Um que não vive sem o outro. Encontro de gigantes, dentro e fora de campo.
GOL - Ápice do futebol, ápice no GreNal, claro. Pra nossa alegria, o clássico tem nos brindado com bastante gols, graças a Deus!
HISTÓRIA - Grêmio e Inter já completaram cem anos da rivalidade histórica. Recheada de capítulos e personagens. Erechim faz parte desta trajetória.
ÍNDIO - O zagueiro é o cara que mais se deu bem nos recentes GreNais. Tem feito muitos gols, tornando sua presença como uma constante preocupação pros gremistas.
JUVENTUDE - Giuliano e Mário Fernandes simbolizam a renovação no GreNal. Talentosos, têm a capacidade de mostrar um grande futebol mesmo num confronto como esse.
LAMBANÇA - GreNal que é GreNal também é marcado por lambanças. Seja de arbitragem, ou de confusões em campo, ela marca presença nos 100 anos de rivalidade. Que domingo, passe longe do Colosso da Lagoa!
MÁRIO FERNANDES - Foi o único ponto positivo da passagem de Paulo Autuori ano passado no Olímpico. Atua como zagueiro, mas de lateral também se garante. Pro clássico de domingo, ainda é uma incógnita onde o garoto de 18 anos vai atuar.
NÓ TÁTICO - Treinador que consegue "amarrar" seu oponente em GreNal, geralmente se consagra. Tite e Mano Menezes, recentemente, conseguiram.
OBVIEDADE - Por ser um jogo diferenciado, o GreNal não permite "mesmices". Pra se ganhar o clássico, é necessário o algo mais.
PRESSA - Rapidez não significa vantagem. Pelo contrário. Correr, fazer as coisas de forma acelerada em GreNal, pode ser crucial.
QUERER GANHAR - O espírito de GreNal é esse. Não se pode entrar em campo, só por entrar. Quanto mais concentrado e disposto, mais chances pra se dar bem.
RITMO DE JOGO - Pesa muito. No clássico então...Na comparção atual, o Grêmio está com mais ritmo que o Inter. Não significa, porém, vantagem suprema pro GreNal.
SILAS - Estreia em GreNais. Tem nas mãos um grupo forte. Mais qualificado que o Grêmio de 2009. Trabalha pra equilibrar o time neste começo de temporada.
TÁTICA - Os dois treinadores mandaram suas equipes no meio da semana com o 3-5-2. Podem repetir a tática pro GreNal. Mistério que vai imperar até o domingo.
UNIÃO - A das torcidas em Erechim é o que se tem a destacar. Estádio cheio, dividido meio a meio. Assim é que deve ser!!
VIOLÊNCIA - Melhor nem falar...
XADREZ - Jogo diferenciado, tal qual o xadrez. Inteligência, faz a diferença.
ZEBRA - Essa, não conta. Em GreNal, zebra não existe!!
O ataque do Grêmio seria titular no Inter da Libertadores, alguém duvida ? O meiocampo colorado entraria todo na escalação gremista, certo ? O time do Olímpico teria mais Vítor, Mário Fernandes e Souza como titulares indiscutíveis de uma hipotética seleção grenal. Ainda assim, a titularidade de Souza só seria absoluta improvisado na lateral-direita.
Dá uma olhada; Vítor, Souza, Mário Fernandes, Bolívar e Kléber; Sandro, Guinazu, Giuliano e D'Alessandro; Jonas e Borges. Para usar uma expressão exagerada, eu corro o mundo com este time e disputo qualquer competição com chance de conquista. Seria uma excelente equipe. À exceção de D'Alessandro, vitimado por uma fissura no rosto, todos os outros estarão em campo domingo em Erechim. Será um grenal de qualidade.
Silas e Jorge Fossati são novidade, trazem ideias novas e enfrentam críticas naturais de um começo. O time de Silas leva muito gol. Fossati cometeu um erro importante ao deixar Giuliano no banco no seu onze ideal de início de temporada. Eles serão protagonistas no Colosso da Lagoa. O favoritismo do Inter existe, mas é leve, nada escandaloso que tornasse uma surpresa a vitória do Grêmio. Um clássico se decide também pelo erro, talvez mais do que pelo acerto. Errar e acertar são verbos que primam pelo detalhe.
Vai ser bom de ver, mas não mudará o rumo do trabalho de um e de outro a menos que aconteça uma inusitada goleada. Esta, sim, definiria novos caminhos. mas não acredito nela. Só creio é num jogo de primeira.
Grêmio e Inter viveram momentos bem distintos na rodada pré GreNal. Passarm por seus adversários, mas cada um de um jeito, cada um com características diferentes.
Começo pelo Beira-Rio. Aqui o Inter esbanjou superioridade contra um fragilizado Juventude. Com os titulares, em nenhum momento se viu em dificuldades pra golear o time de Caxias que passa por uma reciclagem. Fossatti mudou. Contrariou aquilo que vinha sendo trabalhado. Surpreendeu até. Com Taison e Alecsandro, formatou o time no tradicional 3-5-2. Sobrou Giuliano. Logo Giuliano, o melhor meia da equipe, o jogador que dá sustentação e qualidade ao meio.
Mesmo sem Giuliano, o Inter passeou em campo e explorou ao máximo as deficiências da equipe de Osmar Loss. Taison se movimentou, foi participativo, ativo e voltou a marcar. Depois que D´Alessandro lesionou-se, Giuliano entrou e deu velocidade ao setor de meio. Foi uma boa amostra pros colorados no primeiro teste de 2010.
Lá em Santa Cruz, Silas alterou o esquema. Reproduziu o 3-5-2 colorado e quase viu a invencibilidade da temporada ir por terra. Os zagueiros batiam cabeça. Davam espaços ao Santa Cruz, embora a pouca produtividade ofensiva dos donos da casa. Tanto é que o Santa Cruz só chutou duas bolas ao gol durante o primeiro tempo e fez um. O Grêmio sentiu e, atrapalhado, não conseguia responder a altura.
Na etapa final, foi na base da superação que o time conquistou a virada. Jonas, sempre ele, e Borges, no único setor titular ontem, marcaram presença. Ganhar nos Plátanos não é fácil. É hhistórico. Mas não tem sido fácil igualmente, manter a defesa do Grêmio sólida.
Silas tem penado pra fazer o setor produzir, repetindo as atuações de 2009. Fica mais difícil ainda, quando se perde Réver. As alternativas estão aí no grupo. Mas me parecem abaixo do que o antigo zagueiro reproduzia.
Ontem, valeu mais pela vitória. Pro clássico, arrumar a "cozinha" terá que ser prioridade no Olímpico.
O treinador colorado vai debutar no Beira-Rio. Já esteve aqui, já experimentou o conforto dos bancos de couro do reservado. Estava do outro lado. Venceu com a LDU, ano passado, a primeira partida da decisão da Recopa. Hoje será diferente.
Fossatti terá a torcida a favor. Trocará de lado. Viverá, pela primeira vez, a experiência de comandar um time de ponta no futebol penta campeão mundial. Sabe da responsabilidade e a encara com a mais natural das formas. Calejado, procura se adaptar o mais rápido possível àquilo que é o jeito de jogar e treinar por aqui. Me parece bem a vontade, como se treinasse o Inter a bastante tempo.
Logo mais, irá pro primeiro teste. E ele cai justamente na semana GreNal. E semana GreNal, culturalmente, é uma semana atípica. Ainda mais, quando antes do clássico, se tem um Juventude pela frente. Pode não ser aquele Juventude de outros tempos. Mas um adversário que, costumeiramente, dá trabalho. Fossatti conhece a história. Sabe bem como pisar neste terreno.
Estou curioso pra saber como se dará a formatação do time. A ideia inicial, na teoria, indica somente um atacante, Alecsandro. Os dois meias, Giuliano e D´Alessandro, atuarão abertos. Pra trás, Sandro e Guiñazu dão a sustentação e tem a juda do trio de zagueiros. Os alas vão ter a incubência de apoiar bastante, mas fechar os espaços, auxiliando os volantes. Será um 3-6-1, um 3-4-3??
Pode ser os dois. Fossatti entende assim. Variação em meio ao jogo, dando ao time uma chance de poder surpreender os adversários.
Independente do esquema, o uruguaio de voz grossa e ideias centradas, imagina uma estreia vitoriosa. Afinal, como dizem por aí: A primeira vez a gente nunca esquece!!
Não creio já haver amostragem suficiente para decretar a impossibilidade de que Hugo e Souza joguem juntos no meiocampo gremista. Pelo contrário, considero bem razoável colocá-los próximos e no mesmo setor, desde que, importantíssimo detalhe, os dois se comprometam mais do que têm feito nos primeiros jogos. De fato, se não conseguirem superar o estágio em que se encontram, não terão vida longa no time. Um ou outro sobrará. Neste caso, fica Souza, dança Hugo.
Com a chegada de Douglas, o meio do Grêmio ganha a figura clássica do articulador. Ele é jogador de passe médio e longo, conclusão de fora da área, um gestor de criatividade para o restante da equipe. Acredito que será titular. Assim, considerando que Jonas e Borges estão respondendo com gols no ataque, Souza e Hugo disputariam uma posição, vantagem para o alagoano. A concorrência pode ficar píor; se Silas ceder aos apelos de um marcador a mais no meio, Souza teria que virar lateral-direito.
Como bem sabe quem me acompanha na crônica esportiva, não gosto do engessamento do meiocampo que só concebe futebol a partir da presença de três volantes. O Corínthians campeão da Copa do Brasil do ano passado desfaz completamente este pensamento único do embrutecimento. Mano Menezes escalava um faceiro e sólido 4.3.3. Douglas era o centro. Seus parceiros de meio eram Christian e Elias. Na frente, Dentinho e Jorge Henrique compunham o trio de ataque com Ronaldo. Os dois corriam por ele e por Douglas, uma vez que o meia não tinha vocação para a marcação.
Se quiserem um exemplo ainda mais bem acabado, pense no Barcelona campeão de tudo desde o ano passado. Pepe Guardiola joga desabusadamente com Messi, Ibrahimovic e Henry no ataque. Xavi e Iniesta vêm do meio. Porém, todos os delanteros catalães se sacrificam no cerco ao adversário quando este tem a bola. Tudo é uma questão de dose de sacrifício.
O Grêmio teve times vitoriosos com base no vigor e na força, mas também alcançou grandes títulos baseado em qualidade técnica e leveza. O time campeão do mundo tinha um volante, China, três meias, Osvaldo, Paulo César Caju e Mário Sérgio, e dois atacantes, Renato e Tarciso.
Se este é um time que ganhou na garra e capacidade de marcação, meu nome é Gumercindo Saraiva...
Réver está saindo. O Grêmio perde o zagueiro mais expressivo dos últimos anos. Abre-se uma lacuna a mais na defesa. Outra peça que se desencaixa, no já difícil quebra-cabeça que virou o setor defensivo do time. Questão pra Silas resolver. E bem.
Com a ida de Réver, Maurício, ao que tudo indica, entra. Fará companhia a Rafael Marques. A frente deles, dois volantes. Isso é fato. Adílson se mantém. Quem será o parceiro?? Outro dilema.
Os problemas do Grêmio deste início de temporada são bem pontuais. Outro zagueiro e os volantes. Do meio pra frente, não se discute. Douglas, por exemplo, está chegando!
O treinador anda experimentando. Conhecendo o grupo, o que é o mais natural em um começo de trabalho. O detalhe é que este processo se dá em meio as disputas. Jogo em cima de jogo. E vem aí um GreNal no final de semana. Antes, uma daquelas partidas encardidas no interior. Quem pensa que é moleza ir a Santa Cruz e tirar pontos lá dentro dos Plátanos, tá completamente enganado e não conhece nossa realidade local.
Mas enfim. Silas precisa solucionar o irregular sistema defensivo. Já se vê que Mário Fernandes continuará na lateral. Antes da vinda de um outro zagueiro, Maurício vai ficando. Como parceiro de Adílson, Ferdinando tem vantagem. Ambientado e acostumado ao jeito Silas de trabalhar. Acredito, no entanto, que Willian Magrão assume naturalmente a função. Mas ainda leva um tempo. Rochemback só agora melhora o condicionamento físico. Está um passo atrás. Isso sem contar com Túlio, de resposta mediana apenas.
Silas terá que ser esperto, inteligente pra montar este time. A Copa do Brasil, sonho de consumo do ano, bate a porta.
Quero ter muito cuidado ao abordar a declaração de Jorge Fossati no Bate-Bola de domingo. O treinador disse que o Grêmio está um degrau abaixo do Inter. Na semana grenal, é uma frase que cabe perfeitamente no espaço destinado a esquentar o clássico.
Porém, não vi má intenção ou presunção em Fossati ao dizer o que disse. Ele é um profissional que chega com ideias e procedimentos aos quais estamos todos nos acostumando. Da mesma forma, também o forasteiro está em pleno gerúndio. Tudo ele está experimentando, testando, conhecendo, avaliando. Então, de minha parte, não considero ter havido qualquer demasia do comandante colorado que verá manchetes e opiniões negativas que talvez não esperasse nos próximos dias.
Fossati usou uma força de expressão e não menosprezou o Grêmio. No estágio atual da preparação de um e outro, o Inter está, sim, um degrau acima do rival. Nada que um grenal não possa modificar com uma grande atuação gremista e uma vitória consagradora. Mas não é a lógica, só a possibilidade.
Pois é. O atacante, mesmo não tendo ainda dado resposta oficial sobre a renovação de contrato, tem se tornado o principal jogador do time neste começo de temporada.
Contra o Caxias não foi diferente. Começou complicado. O Grêmio acabou surpreendido pelo esquema bem armado por Julio Camargo. Do outro lado, Silas manteve o que havia dado certo na estreia. No 3-5-2, como ele bem frisou, era a chance de encurtar os espaços, aproximar meio e ataque. A rigor, a equipe iniciou o confronto com o Caxias com apenas um volante de origem, Adilson. Souza também ajudou nas funções defensivas e Leandro, com o ingresso de Jonas, vinha de trás. A rigor, mais ousado, um pouco fragilizado, como se percebeu.
O Caxias construiu seu gol por ali, o primeiro. Corrigindo posições, ajustando-se em campo, o Grêmio reagiu. E contou com Jonas. E a importância do camisa sete na construção da virada, se deu de forma impositiva. Cabeceou a bola na trave pro gol do Borges, cruzou pra Hugo perder um gol, também de cabeça. No dois a um, bola dele, gol contra. Recebeu o prêmio por uma atuação vistosa, com o gol de cabeça, assim que o time levou o dois a dois.
Esse resumo do que Jonas representou pro time na segunda partida do campeonato, foi o suficiente pra que Silas o definisse como titular. O técnico enxerga. Sabe que, revigorado, Jonas será de grande utilidade ao longo de 2010. Leandro disputará vaga no meio. Ainda chegará Douglas.
O Grêmio vai encorpando, tomando forma. Sim, é Jonas e mais dez!!
Não se esperava outro resultado que não fosse a vitória do Inter B sobre o Porto Alegre. Mas não posso negar minha decepção com a atuação colorada diante de tão frágil adversário. Venceu, manteve os cem por cento de aproveitamento, missão cumprida. Porém, sob os olhos do treinador principal, os jogadores desperdiçaram uma grande chance de aparecer e chamar a atenção. Depois do um a zero e, especialmente, após a expulsão equivocada do volante Dê, a equipe do Inter desconcentrou-se de tal forma, que o Porto Alegre até cresceu e frequentou o campo de ataque.
De qualquer maneira, Walter e Leandro Damião vão subir para o grupo principal. Merecem, os atacantes podem ser diferentes daquilo que hoje Jorge Fossati tem em mãos. O autor do gol da vitória de ontem foi o único a mostrar espírito de competição durante toda a partida. Perdeu um gol na pequena área, é verdade, mas é da função do camisa nove. Walter, ao contrário, esteve dispersivo e desatento. Entrou seis vezes em impedimento por não observar a posição do último zagueiro adversário. Ainda assim, protagonizou dois ou três lances em que sua qualidade ficou bem evidente.
= Surpreendente mesmo foi a derrota do Inter SM em casa para o São Luiz de Ijuí. Três a zero na Baixada Melancólica, o que dá ao Inter de Porto Alegre a curiosa condição de enfrentar sempre um time que fracassou feio na rodada anterior. Foi assim com o Porto Alegre que havia levado cinco na estreia, será agora contra o time santamariense. O São Luiz surpreende no melhor sentido do verbo, o Veranópolis empatou fora com o Novo Hamburgo e mostrou força. Bom começo de Gauchão.
= O Grêmio testa seu quinteto hoje à noite contra o Caxias. Por jogar em casa, o time de Silas vai arriscar com cinco jogadores de características ofensivas, um deles, Leandro, vindo de um posição recuada, a lateral ou ala-direita, os outros quatro já dispostos no campo de ataque. Não será o time que enfrentará Copa do Brasil contra adversários mais difíceis, mas serve como teste de alternativas para o treinador.
Pergunta essa, sem resposta. Pelo menos até o momento em que sairá a divulgação do time que começa o jogo de logo mais contra o Caxias. Silas fechou as portas do Olímpico ontem. Pouco se sabe, muito se especula.
Ninguém deu pistas. Silas desconversa. O treinador tem nas mãos um grupo em formação, mas mais forte, na comparação com o próprio Grêmio do ano passado. Do meio pra frente, então, nem se fala. Mulitiplicam-se as alternativas.
O treinador, na entrevista coletiva de terça deixou escapar, embora não de forma oficial, que Jonas estará em campo. Entende Silas, que com a presença do artilheiro, o time pode ser mais efetivo na frente. Borges ganharia uma parceria mais próxima, dividindo tarefas, não compremetendo o sistema proposto. Em outras palavras, Borges não estaria tão isolado, assim como aconteceu na primeira etapa lá em Pelotas.
Jonas motivou-se. Contrato que está por renovar, valorização profissional, vaga entre os titulares. O Grêmio ganha. Um bom jogo, o primeiro do time em casa na temporada. Quem não está curtindo uma praia, umas férias, que vá ao estádio!!
A boa impressão deixada contra o Ypiranga no final de semana ajudou um pouco na baixa produtividade do Inter B, ontem, mesmo com mais uma vitória. Como isso?? Pode?? Pode sim.
Mais conhecidos, mais observados, os garotos penaram pra ganhar do Porto Alegre. Lisca, profundo conhecedor das categorias de base do Inter, tratou de armar defensivamente a sua equipe, a ponto de não deixar muito espaço pro toque de bola e a velocidade, características marcantes do time de Enderson Moreira. Lisca não gostaria de reviver o pavor da estreia, quando levou 5 do Veranópolis. Não gostaria de deixar o Inter tomar conta do jogo assim como já fizera no Beira-Rio, domingo. Lisca conseguiu.
Posicionou a zaga de forma a não desgrudar de Walter e Leandro Damião. Tanto que, ao contrário da primeira partida, Walter ocupou espaço demais nas laterais do campo, longe da área e pouco produziu. Leandro estava observado de perto. Assim como Ytalo. Nem por isso, o centroavante esmoreceu. Foi premiado com uma falha do zagueiro e de cabeça, só pra variar, faturou o jogo.
Damião estará na Libertadores. Já treina no time principal a partir do início da próxima semana. Fossatti anunciou depois do jogo de ontem. Pro garoto, um justo reconhecimento ao que vem fazendo. É do ramo, especialista na bola aérea. Sabe jogar com os pés e pode, com facilidade até, trocar de função com um meia mais ofensivo. É uma alternativa interessante.
Se não valeu pelo espetáculo, a vitória contra o Porto Alegre, faz do Inter um dos mais efetivos deste início de Gauchão. Pontuar o máximo possível é a regra. Se der pra ser jogando bem, que seja.

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