
As melhores combinações para os pratos típicos das ceias

Jogo permite que qualquer um brinque de administrar sua própria vinícola

Saiba qual a melhor forma de guardar seus vinhos em casa
O enólogo Christian Bernardi (de pé) conduziu a degustaçãoFoto: Lucinara Masiero, divulgação |
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Este post chega aqui com um certo atraso, mas é preciso resgatar como foi bacana a degustação do Jantar sob as Estrelas na última sexta-feira, em Bento Gonçalves. Uma pancada de chuva chegou a ameaçar a realização do evento ao ar livre, mas no final das contas o tempo ajudou e tudo seguiu conforme o planejado. Quem deixou de ir por causa do clima realmente perdeu uma grande chance de aprender mais sobre espumantes. Foram provados oito rótulos, todos de cantinas localizadas no Vale dos Vinhedos. O percurso foi comandado com maestria pelo enólogo Christian Bernardi, presidente da ABE. E para quem ficou com inveja, programe-se: uma nova edição está sendo programada pela Aprovale para logo, logo. Abaixo você vê um breve resumo de impressões dos produtos. 1 - AURORA ESPUMANTE PROSECCO Logo ao cair no cálice (aliás, a taça oficial do espumante brasileiro, produzido pela Strauss e que foi presenteado aos participantes), a bebida mostrou uma explosão de perlage. Não levou muito tempo para as borbulhas alcançarem um nível comum, mas a primeira impressão foi ótima. Infelizmente, foi o único em que foi possível avaliar esse aspecto dos rótulos, pois o rodízio de vinhos no mesmo cálice inibiu as borbulhas dos demais. Na boca, chamou a atenção o tom de nozes. É um espumante leve e rápido, como esperado de um prosecco. 2 - DOM CÂNDIDO BRUT O perlage, como já foi dito, saiu prejudicado, mas o aspecto visual foi compensado por um aroma redondo e amanteigado. A impressão no nariz se confirmou na boca, onde o espumante marcou boa presença. 3 - DON LAURINDO BRUT A combinação de riesling e chardonnay oferece uma delicadeza muito agradável neste primeiro champenoise da noite. Segundo Christian Bernardi, esse é um corte que tem muitos adeptos no Brasil. Ao se degustar este rótulo, firme no nariz e ligeiro na boca, se entende o porquê. 4 - ANGHEBEN BRUT Assim que foi servida, a bebida chamou a atenção por um excessivo aroma de fermento. Na boca, algo parecia errado. Aí o profissional acusou: a amostra estava com problema de rolha. A constatação de Christian aliviou a todos, pois é sabido que a qualidade oferecida pela Angheben não era compatível com a avaliação que seria feita daquele rótulo. No final das contas, a situação foi válida para comprovar que a rolha defeituosa não é lenda nem coisa de enochato. 5 - PECULIARE BRUT Esse espumante chegou anunciado por um forte aroma de miolo de pão, redondo e agradável. Na boca, porém, se mostrou menos untuoso do que o Dom Cândido Brut, seu colega com 100% chardonnay. Se manteve prazeroso, mas ligeiro demais para um varietal dessa uva branca. 6 - CASA VALDUGA BRUT 130 Se alguém esperava boa presença em boca por parte de um dos espumantes, se refestelou com esta amostra. Tanto no aroma quanto no paladar, lembrou frutas brancas em calda, tamanha a presença das referências à baunilha. E o melhor: não deixou de apresentar aquela acidez necessária para equilibrar os espumantes. É um rótulo que pede o acompanhamento de um belo prato de comida. 7 - MIOLO CUVÉE TRADITION DEMI-SEC Este vinho veio fazer uma substituição de última hora, preenchendo a vaga deixada pelo Millésime Brut da Miolo, que infelizmente não conseguiu comparecer, mas estava muito bem representado. Um dos poucos não brut da noite, o demi-sec se apresentou muito fresco e doce sem se tornar enjoativo. Equilíbrio seria a palavra para classificar esse produto. Bastante límpido e claro, tinha uma cor que não denunciava a presença de pinot noir, mas a uva estava lá para conferir estrutura ao líquido. 8 - CAVALLERI MOSCATEL ROSÉ A cor deste espumante chama atenção pela beleza. No nariz, o aroma lembra muito calda de frutas vermelhas. Na boca, uma experiência interessante: o ataque inicial parece maçã, e logo evolui para um sabor de mel muito marcado. Um excelente produto no segmento dos moscatéis.
Método: charmat
Categoria: brut
Temperatura de serviço: 8°C
Variedades: 100% prosecco
Álcool: 12%
Origem: Bento Gonçalves
Método: charmat
Categoria: brut
Temperatura de serviço: entre 4ºC e 8ºC
Variedades: 100% chardonnay
Álcool: 12%
Origem: Veranópolis
Método: champenoise
Categoria: brut
Temperatura de serviço: entre 5ºC e 8ºC
Variedades: 70% chardonnay e 30% riesling itálico
Álcool: 12%
Origem: Encruzilhada do Sul
Método: champenoise
Categoria: brut
Temperatura de serviço: entre 3ºC e 8ºC
Variedades: 50% pinot noir e 50% chardonnay
Álcool: 12%
Origem: Encruzilhada do Sul
Método: charmat
Categoria: brut
Temperatura de serviço: entre 4ºC e 8ºC
Variedades: 100% chardonnay
Álcool: 12%
Origem: Vale dos Vinhedos
Método: charmat
Categoria: brut
Temperatura de serviço: entre 4ºC e 6ºC
Variedades: pinot noir e chardonnay
Álcool: 13%
Origem: Vale dos Vinhedos
Método: charmat
Categoria: demi-sec
Temperatura de serviço: entre 6ºC e 8ºC
Variedades: pinot noir e chardonnay
Álcool: 11%
Origem: Vale dos Vinhedos
Método: asti
Categoria: moscatel
Temperatura de serviço: entre 4°C e 8°C
Variedades: moscato hamburgo
Álcool: 7,5%
Origem: Vale dos Vinhedos
A notícia não é nova, mas vale a pena rever o vídeo abaixo em que a polícia fecha uma fábrica clandestina de "vinho" e faz a apreensão dos garrafões. Chama a atenção os ingredientes e o método de elaboração desses produtos: nem mesmo um único grão de uva entra na fórmula.
O vídeo serve para alertar os apreciadores de vinhos de mesa: certifique-se da procedência dos garrafões. O desleixo dentro do cálice pode resultar em grandes prejuízos à saúde.
O texto sobre leilões enológicos da semana passada fermentou um assunto que intriga muitos degustadores iniciantes: como pode uma simples garrafa de vinho custar US$ 25 mil ou mais? O que leva 750ml de uma bebida custar os olhos da cara? Para início de conversa, não são simples garrafas de vinhos. Uma coisa é chamar de caro aquele exemplar que você comprou no supermercado e nem gostou muito. Outra é entender que esses produtos de valor exorbitante são exclusivos, distantes da realidade do enófilo padrão, e carregam consigo uma série de diferenciais que podem ser basicamente divididos em seis quesitos. A questão pendente é se vale a pena pagar tanto por um prazer tão efêmero? Depende. Para os adeptos de generalizações, que classificam os rótulos apenas como "bons" ou "ruins", não. Claro que existem exageros nos preços, mas acredite: há vinhos em que é possível enxergar dentro do cálice todos os itens descritos acima. Aí você saberá que aquela pequena fortuna foi bem gasta.
Investimento: para elaborar um produto de alta gama é preciso gastar. Assim, o vitivinicultor tem de adquirir o terreno adequado, os clones top de cada casta (não se engane: nem todo cabernet sauvignon é igual), embarcar tecnologia na cantina, equipar a cave com barricas (que dependendo da qualidade podem custar mais de US$ 500 cada), enfim, comprar o melhor para produzir o melhor.
Minuciosidade: os grandes vinhos são talhados com o máximo cuidado. Colheita, seleção e desengaço (separar o grão da uva da haste) são processos que podem ser mecanizados, mas em vinícolas top é comum que eles sejam manuais. Para isso é preciso gente qualificada, e gente custa caro. Aqui é preciso incluir o trabalho de enólogos e cantineiros experientes, que vão tratar a bebida com o respeito que ela merece.
Desperdício: para alcançar um produto de qualidade é preciso abrir mão de quantidade, ou seja, jogar fora parte do que poderia virar UM vinho, mas não é bom suficiente para ser O vinho. Exemplos são a prática do raleio, que reduz a carga de cachos de uma videira para que os que sobraram se desenvolvam melhor, e a preferência dada ao mosto flor, suco retirado das uvas sem o uso de prensagem (o chamado vinho de prensa traz consigo acidez e taninos menos desejados para um produto premium, por isso é dispensado ou utilizado em quantidades menores para balancear o resultado final).
Tradição: como em qualquer produto hoje em dia, a marca faz a diferença. Não necessariamente na qualidade, mas na credibilidade e no preço. Existem cantinas que levaram anos para construir sua imagem e há as celebridades instantâneas. E quando uma empresa se torna referência em seu ramo, é natural que debite essa responsabilidade na conta de seus clientes _ que, aliás, são os culpados por a colocarem em um pedestal.
Oferta x demanda: aí está outra uma regra que não pode ser atribuída exclusivamente ao universo enológico. Para quem acha que vinhos assim são difíceis de sair da prateleira, é bom dizer que muitos são vendidos enquanto ainda estão na barrica, quando não há a garantia de que sairão tão bons quanto seus antecessores. Além disso, produtos assim costumam receber ótimas críticas de avaliadores famosos, o que causa uma corrida entre os consumidores.
Juros: o conceito de juro parece nascido no mercado financeiro, mas é algo da natureza. Ao plantar uma semente, o agricultor precisa esperar o crescimento da planta para colher seu rendimento, que é a fruta. Na enologia é igual. Tem um custo esperar que videiras envelheçam e produzam uvas melhores, assim como guardar o vinho em barricas ou em garrafas nas caves subterrâneas. Quem retém a bebida para que ela amadureça corretamente, seja o produtor ou um intermediário, vai repassar esse gasto ao consumidor final. E quanto mais valioso o item guardado, maior o juro.
Tanto na vitivinicultura quanto na ovinocultura, Darcy Miolo não abre mão da busca por um padrão de excelênciaFoto: Cristiano Lameira, especial |
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Foi por obra do acaso que nasceu uma das cabanhas mais promissoras de ovinos texel do Estado. Em 2000, quando a vinícola Miolo buscava expandir os seus vinhedos com a aquisição da Fazenda Fortaleza do Seival, em Candiota, na região da Campanha, um pequeno lote de ovelhas da raça deixado pelo antigo dono foi o embrião do criatório que hoje acumula até títulos de grande campeão na Expointer. "Havia umas 40 ovelhas que nos interessamos em ficar. E como já eram texel, fomos melhorando o plantel, comprando carneiros e fazendo parcerias com outros produtores", recorda Darcy Miolo, 68 anos, que administra a Cabanha Fortaleza do Seival, apesar de ter a propriedade, assim como a vinícola, em sociedade com os irmãos Paulo e Antônio. Além do plantel de ovinos, hoje com cerca de 2 mil animais, a família se dedica à criação de cavalos crioulos e bovinos braford e hereford na fazenda de 3 mil hectares que reserva menos de 15% da área aos parreirais com castas portuguesas e francesas. Vinhedos e pecuária, explica Darcy, formaram a receita lógica para explorar de forma econômica toda a extensão da propriedade. Uma harmonização que vale tanto no campo quanto à mesa, onde pratos a base de carne de cordeiro pedem um bom vinho tinto. "Sugiro o Fortaleza do Seival cabernet sauvignon para acompanhar um bom churrasco de ovelha. Pode ser a paleta ou um carré", propõe Darcy, para quem vitivinicultura e criação de animais têm em comum o foco na excelência. Mesmo que a casualidade tenha uma boa parcela de responsabilidade na transformação de um colono da Serra em um cabanheiro na Campanha, administrar uma vasta estância era algo que já povoava a sua imaginação. Antes de ajudar a consolidar a Miolo como uma das principais vinícolas do país, Darcy conheceu a região como caminhoneiro transportando grãos, o seu ganha-pão da juventude. Ali, ao cruzar as grandes planícies de vegetação rasteira, começou a nutrir a aspiração agora materializada. Darcy lembra que a Miolo procurou a Campanha por praticamente inexistir na região de Bento Gonçalves, matriz da vinícola, áreas disponíveis para expansão dos parreirais. Na Miolo, ainda forma com os irmãos a trinca que toca as principais áreas do negócio. É o responsável pelo setor administrativo e financeiro, enquanto Antônio cuida da parte comercial, Paulo da vitivinicultura e o filho Adriano é o enólogo-chefe do grupo. Rumo ao Freio de Ouro "No futuro, queremos ganhar um Freio de Ouro", projeta Darcy, que tem à frente da cabanha o filho Cássio, 25 anos, estudante de Veterinária em Bagé. Em um estágio um pouco mais inicial está o criatório de bovinos, com um rebanho de 1,8 mil cabeças. Mesmo com alguns touros produzidos, a ordem é aprimorar a qualidade dos exemplares sem se precipitar para estrear no circuito das mostras. O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Texel, Enio Müller, confirma que, apesar de jovem, a cabanha liderada por Darcy é referência na raça. Lembra do grande campeonato macho e fêmea na Expointer 2003, apenas três anos após o início do trabalho de seleção.
O mesmo reconhecimento que a genética da Fortaleza do Seival tem hoje nos ovinos texel virá em breve com os cavalos crioulo e bovinos hereford e braford, promete Darcy Miolo. Nos equinos, o plantel conta com cerca de cem animais e os exemplares mais destacados já participaram de exposições na região, como em Bagé e Pelotas. Os planos, porém, são ambiciosos.
Foto: divulgação |
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As últimas informações que chegam sobre a degustação que abrirá o Jantar sob as Estrelas, hoje à noite, só tornam mais evidente que a experiência é imperdível para os enoapaixonados que estiverem por Bento Gonçalves. A taça que será entregue de brinde aos 40 sortudos que conseguirem uma vaga no encontro é a Taça Oficial do Espumante Brasileiro (na foto ao lado), produzida pela Strauss e lançada pela ABE na Avaliação Nacional de Vinhos, em setembro. Se não estiver interessado no recipiente, vá pelo conteúdo. Abaixo você confere a lista de rótulos que serão degustados: - Angheben: Angheben Brut Restou alguma dúvida? Nesse caso, saiba que hoje à noite serão sorteadas três garrafas especiais entre os participantes. São elas: - Miolo Cuvée Tradition E tudo isso por míseros R$ 12. Os interessados devem correr, por boa parte das vagas já foram preenchidas. Para garantir as últimas, é preciso fazer contato através do e-mail secretaria@valedosvinhedos.com.br ou pelo telefone da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) - (54) 3451.9601.
- Aurora: Prosseco Aurora
- Casa Valduga: Casa Valduga 130 anos
- Cavalleri: Moscatel Rosé
- Dom Cândido: Dom Cândido Brut
- Don Laurindo: Don Laurindo Brut
- Miolo: Millésime Brut
- Peculiare: Peculiare Brut
- Don Laurindo Tannat 2005 (garrafa de 3 litros)
- Prosseco Aurora
Os argentinos Maria Luiza Salazar e Jorge Giovanini conheceram algumas das vinícolas da SerraFoto: Gilmar Gomes, divulgação |
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Neste ano, a expectativa da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) é de que a nova safra seja festejada por cerca de 37 mil visitantes, incrementando em 15% o fluxo turístico na região. Entre os turistas que visitaram a localidade no último final de semana, é possível encontrar estrangeiros vindo de países da América Latina e até da Europa. O alemão Michael Walther, 40 anos, é casado com a porto-alegrense Elisane, 34, e há 11 reside com os filhos Matheus, oito, Vincent, três, e Leticia, dois, em Dresden, no país natal de Walther. Sempre que vem ao Brasil, a família costuma fazer turismo na Serra, principalmente em Gramado. Mas já é a segunda vez que o roteiro escolhido está em Bento Gonçalves. "Porque aqui é tudo aberto, a região é linda, é quase italiana e por causa das uvas. E a comida também é maravilhosa para os alemães", justifica o visitante estrangeiro. Além de agradar os pais, a hospedagem no Vale dos Vinhedos tem função educativa para os filhos. "É bom para mostrar às crianças como é feita a colheita", comenta Elisane. O funcionário público Luis Carlos Bassaneze, 43, de Passo Fundo, amassou uva com os filhos Lucas, nove, e Leticia, seis. "Viemos para as crianças conhecerem. Na casa do meu avô, que era de Monte Belo do Sul, nós fazíamos isso. Hoje não tem mais disso lá", conta a mãe Carla Bassaneze, 40. Além da tradição, os vinhos servem de isca aos turistas. O casal de argentinos Maria Luiza Salazar, 49, e Jorge Giovanini, 49, de Puerto Iguazú, famosa por abrigar um dos maiores destinos turísticos do mundo, as Cataratas, estavam ansiosos para chegar ao Vale dos Vinhedos. Mais do que isso, queriam conhecer melhor os rótulos nacionais, já que são donos de uma boutique que comercializa apenas vinhos argentinos e cuja clientela, em sua maioria, é de brasileiros. "Conhecemos as principais regiões vinícolas da Argentina, como Mendoza e Salta, e da Itália, como a Toscana, mas nunca tínhamos presenciado a época da vindima. Aqui o tratamento é muito mais individualizado", confessa Maria Luiza, destacando também o passeio da Maria Fumaça. Obviamente Giovanini não vai dizer que o vinho brasileiro é melhor do que o argentino, mas a opinião do hermano que trabalha no ramo é bastante favorável. "O Brasil está fazendo vinhos de melhor qualidade", elogia.
Quem tem seu negócio focado para o turismo, no entanto, não tem do que se queixar da safra. Atraídos principalmente pelo período de férias e pela colheita, a taxa de ocupação dos hotéis da região é alta. No Villa Michelon, por exemplo, chega a quase 100% nos finais de semana. E aos visitantes não faltam atrações. Podem escolher entre cantinas de caráter familiar, com fabricação quase artesanal e que oferecem contato direto com os produtores, ou visitar vinícolas de exportação e aproveitar para fazer um curso de degustação. Uma das principais novidades do vale está na Vinícola Torcello, de Rogério Valduga, cuja proposta é explorar o conceito de vinícola boutique ou de garagem. A empresa produz somente 10 mil garrafas por ano. Desde outubro do ano passado, dentro do galpão de armazenamento do vinho está construído um restaurante, que simula uma casa antiga dos primeiros imigrantes e só atende por agendamento. "Eu gosto do contato direto, por isso queria uma coisa diferente das grandes vinícolas, o olho no olho. Não queremos vender milhões de litros, mas pequenas quantidades e com o cliente interagindo conosco", justifica Rogério. O pai do proprietário da vinícola, Remy Valduga, 69 anos, é quem traduz essa interação. Grande conhecedor da história da imigração em Bento, com diversos livros publicados, o descendente conta, depois do jantar, as dificuldades dos italianos que se estabeleceram na Serra. E como nem só de sofrimento é feita a saga dos colonos italianos, Remy também descontrai contando piadas, e os turistas se deleitam com a combinação de farta gastronomia e muitas risadas. "Nós não tínhamos a cultura do turismo, tínhamos a cultura do trabalho", explica Remy, sobre a crescente evolução do turismo. O foco principal da Miolo, a maior vinícola do Vale dos Vinhedos, é a produção de vinhos finos e espumantes, mas o turismo se tornou parte importante do negócio, e quem a visita é contemplado com a oportunidade de obter mais informações sobre a bebida. No passeio oferecido para conhecer a produção e a história da empresa, fundada em 1897, é possível ver de perto as técnicas de elaboração e os efeitos que elas produzem no vinho. Para completar, a degustação orientada por um enólogo torna o turista mais familiarizado com o assunto e, consequentemente, apto a tomar gosto pelo tema. "A gente costuma dizer para os turistas que é a planta que escolhe o que vai produzir, não o produtor", diz o enólogo Willian dos Santos Triches, ao mostrar as variedades de uva expostas logo na entrada da vinícola.
Colher a uva, amassar a fruta com os pés (acima), tomar parte na missa e festejar o fim da jornada são tradições reproduzidas pelos empreendimentos turísticosFoto: Gilmar Gomes, divulgação |
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Na vindima do Vale dos Vinhedos, aberta oficialmente neste final de semana, a coleta dos cachos nos parreirais tem valor muito maior do que os lucros que o fruto vai gerar a agricultores e vinícolas. Com a qualidade da safra ameaçada pela intensidade da chuva, é o turismo que mais festeja a abertura da temporada de colheita. São mais de 30 cantinas somente naquela região, e os visitantes não só podem degustar o vinho mas também conhecer o processo de fabricação da bebida e colocar a mão na massa. Ou melhor, os pés na uva. Além de contemplar o verde dos vinhedos e a variedade de tonalidades da fruta, quem passa pela região entre Bento Gonçalves e Garibaldi nesta época sente o aroma da uva. Nas cantinas, os visitantes deparam com milhares de garrafas vazias à espera da safra 2010. Isso significa que estão acompanhando de perto o período mais importante do ano para a cadeia vitivinícola. A cerimônia de abertura da vindima no Vale dos Vinhedos, centralizada no Hotel Villa Michelon no sábado, envolveu a comunidade e os turistas que lotaram os empreendimentos hoteleiros. Como a safra não deve ser das melhores, quem veio de longe conseguiu comemorar mais do que quem vive da atividade. "Esse evento teve um significado muito especial neste ano, porque está muito difícil para a agricultura. Choveu demais", explica o diretor do Villa Michelon, Moysés Michelon. Por mais apreensivos que estejam, os agricultores e as cantinas aproveitaram a bênção de Nossa Senhora da Uva, durante a missa no sábado, para renovar as esperanças em uma safra de qualidade. Se o clima colaborar nos próximos dias, os produtores acreditam que ainda é possível reverter o quadro que se anuncia negro para o setor. É principalmente com as manifestações da cultura típica regional, como a missa festiva, que os turistas se deliciam quando vêm à Serra em busca das atrações da vitivinicultura. Após assistir a abertura da vindima, colher a uva, amassar a fruta com os pés e participar de uma celebração religiosa ao ar livre, é chegada a hora de comemorar o fim da jornada. Assim como para os descendentes, primeiro vêm o trabalho e a fé, depois a festa, ou melhor, o filó com pão e salame.
Tomasi conta com o clima para o período de colheitaFoto: Juan Barbosa |
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Enquanto não há uma decisão, o trabalho tanto sob as parreiras quanto nas vinícolas é acelerado. As variedades brancas finas, destinadas a espumantes e alguns vinhos brancos, começam a lotar caminhões. Na Vinícola Salton, onde são esperados 20 milhões de quilos, o movimento já é intenso para o processamento da fruta, mas deve se intensificar na segunda quinzena de fevereiro. No auge da vindima, chegarão 600 mil quilos por dia na vinícola. O recebimento é um pouco superior ao de 2009, que gerou 21 milhões de garrafas de vinhos, espumantes e sucos. E a alternativa para manter a mesma qualidade em uma safra chuvosa é diversificar produtores. "Temos mais de 600 produtores entre Bento, Caxias do Sul, Flores da Cunha, Veranópolis, Garibaldi e Bagé e vamos buscar as melhores uvas para garantir a qualidade da bebida", explica o diretor técnico da Salton, Lucindo Copat. Um dos produtores que abastece a vinícola é Adelino Tomasi, que cultivou para este ano cinco hectares de uvas diversas. As que estão sendo colhidas desde o começo de janeiro são as chardonnay, uma das primeiras a chegarem nas vinícolas. A previsão dele é de colher 90 mil quilos, somando também as cabernet sauvignon, isabel bordô e concord. Para isso, contudo, Tomasi precisa que o tempo colabore: "Precisamos de um tempo seco para colher a fruta e já tivemos muito trabalho para fazer o tratamento correto para esta safra." Com alguns cachos atingidos por fungos, a variedade branca pronta para a colheita está sendo valorizada. Tomasi espera receber no mínimo R$ 1,20 pelo quilo da chardonnay, e sabe de vinícolas que cogitam o pagamento de R$ 1,50. Em tempos de chuva, o produtor que soube cuidar bem do parreiral pode sair com algum lucro neste início de vindima.
O resultado de um bom tratamento, nesta época do ano com aplicação de produtos a base de cobre, implica em aumento de investimentos. A uva deste ano, principalmente a vinífera, custou mais ao produtor. E esse gasto extra ainda não está garantido no repasse do valor pago pelas vinícolas. A queda de braço anual entre produtores e vinícolas para o cumprimento de pelo menos o preço mínimo estabelecido pela Companhia Nacional de Abastecimento continua nesta safra. E essa não é a única preocupação dos produtores. Para eles, se o mínimo for cumprido, será ótimo. E se as vinícolas pagarem, melhor ainda. "Mais importante do que saber qual será valor é termos a garantia de que a tabela será cumprida e de que todos vão receber", entende o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores da Cunha e Nova Prata, Olir Schiavenin. Para cobrir os gastos com a safra, Schiavenin calcula que o preço médio a ser recebido pelas uvas comuns deva ser em torno de R$ 0,55 ao quilo. No ano passado, o valor tabelado para a isabel foi de R$ 0,46 e de R$ 0,50 para a niágara. As variedades viníferas nobres têm preço maior. Contatos entre os produtores e o governo federal estão ocorrendo para garantir um acerto favorável aos agricultores, mas a definição só deve sair em fevereiro.

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