Depois de uma segunda-feira com poucos jogos, a rodada de hoje do Brasil Open promete.
Antes, vamos aos resultados.
Ainda ontem, dois brasileiros disputaram a rodada decisiva do quali. Rogerio Silva venceu o português Sousa em três sets, enquanto Caio Zampieri perdeu para o argentino Berlocq, também na negra.
Já pela chave, Ricardo Mello estreou bem, batendo o italiano Lorenzi em dois sets.
Hoje à tarde, tivemos duas derrotas brasileiras.
Marcos Daniel caiu diante do qualifier português Rui Machado, em dois sets duros. O gaúcho ainda não venceu nesta temporada, o que sempre gera insegurança. Mas faz parte do tênis e é preciso seguir em frente, trabalhando.
Uma curiosidade: na segunda rodada do quali, Machado perdia para o brasileiro Kirche por 5x1 na negra. Virou a partida, depois atropelou seu adversário na última do quali e agora está aí.
O tênis é assim mesmo. Não há nada que dê mais confiança a um jogador do que "ressurgir das cinzas". Em Santiago, por exemplo, Bellucci escapou da derrota diante do chileno Capdeville na segunda rodada.
Além de Daniel, também foi eliminado hoje o qualifier Rogerio Silva. Ele caiu diante do chileno Massu em três sets.
Agora à noite, entram em quadra Ricardo Hocevar, Thomaz Bellucci, Thiago Alves e João Souza.
Com a desistência por lesão do francês Richard Gasquet, que seria seu adversário, Hocevar enfrentará agora um qualifier, o argentino Berlocq.
Bellucci e Alves se enfrentam e Feijão fecha a rodada contra o romeno Hanescu.
O Sportv2 deverá estar transmitindo os jogos noturnos.
Feminino
Se no masculino o tênis brasileiro está no bom caminho já há alguns anos, infelizmente ainda não podemos dizer o mesmo do nosso tênis feminino.
Na semana passada, a equipe brasileira da Fed Cup foi a Assunção para disputar o Grupo Americano da competição e ficou apenas no quarto lugar. Depois de vencer as fracas seleções de Porto Rico e Cuba, perdemos para Canadá e Paraguai.
Olhando os rankings das jogadoras da nossa equipe, o resultado até que não pode ser considerado ruim. Mas é justamente aí que está o problema: falta qualidade.
Aposto que poucos sabiam que nossas meninas estavam defendendo o Brasil na última semana, o que é bem mais grave do que pode parecer.
Algo precisa ser feito pelo nosso tênis feminino, e pra ontem.
O paulista Thomaz Bellucci derrotou o argentino Juan Monaco e sagrou-se campeão do ATP de Santiago.
A final foi disputada ontem à noite, lá pelas 23h daqui. Dessa vez, consegui assistir pela internet.
Os dois primeiros games da partida foram muito disputados e vencidos pelo brasileiro. Monaco se irritou com isso e, quando se deu conta, já estava perdendo por 4x0.
Thomaz aproveitou bem a vantagem e fechou o primeiro set sem problemas.
Logo no início do segundo, a história meio que se repetiu, mas dessa vez quem levou a melhor foi o argentino.
E foi a vez do brasileiro perder um pouco o foco, e cometer muitos erros não-forçados a seguir. Monaco não errou praticamente nada e ganhou o set sem perder nenhum game.
O terceiro set foi de altíssimo nível, com ambos tenistas jogando bem e tentando tomar a iniciativa dos pontos, pancadaria pura. Thomaz buscava mais os ângulos, enquanto Monaco tentava manter a bola mais profunda.
Foi o argentino quem teve a primeira chance de quebrar e saltar na frente, mas Thomaz ficou firme no game e manteve o serviço. No game seguinte, o brasileiro aproveitou para ser mais agressivo, arriscando um pouco mais nas devoluções.
E foi extremamente feliz, quebrando o saque do argentino justamente com um winner de devolução de revés para fazer 3x2 e saque.
Depois, ele soube muito bem administrar a importante vantagem obtida. Controlou a ansiedade, respirou fundo e jogou um ponto de cada vez, tentando manter o controle dos pontos, mas evitando cometer erros bobos.
Assim, muito concentrado,Thomaz fechou o set e o torneio. Parciais de 6x2 0x6 e 6x4, depois de mais de duas horas de muita correria.
Ele, o João e o tênis brasileiro estão de parabéns!
Seu novo ranking é o 28°lugar e ainda dá pra subir bem neste primeiro semestre, já que, até julho, ele só tem os pontos da final do Brasil Open para defender.
Alguém aí está surpreso? Eu não.
Thomaz Bellucci é finalista do ATP de Santiago.
Ontem à noite, ele derrubou o principal favorito ao título e herói local, o chileno Fernando Gonzalez, número onze do mundo, em três sets, de virada.
O brasileiro não começou muito bem a partida. Gonzalez venceu o primeiro set sem muitas dificuldades e logo no início do segundo conseguiu uma quebra. Mesmo atrás, Bellucci teve o mérito de ficar ligado no jogo e esperar a sua chance. E ela veio.
Depois de aproveitar a sua primeira oportunidade de quebra em toda a partida e igualar o segundo set em 4x4, o jogo mudou completamente. O chileno acusou o golpe e Thomaz passou a dominar as ações. A partir dali, só deu ele.
Mais uma bela vitória do brasileiro, certamente uma das mais importantes de sua carreira, e que o deixará muito próximo de furar o top-30 no próximo ranking.
Na outra semifinal, não deu para o nosso Feijão. O argentino Juan Monaco impôs o seu jogo do início ao fim, venceu em dois sets, e será o adversário de Bellucci na grande final.
De todas as maneiras, o jovem brasileiro só tem motivos para estar feliz. Logo na primeira vez em que conseguiu passar um quali de ATP, foi semifinalista.
O que prova que o bicho não é tão feio quanto se diz, e que sempre vale a pena investir nos torneios maiores. Entre um ATP 250 como este e alguns challengers mais fortes existe, é claro, uma diferença de nível, mas ela é pequena.
Na Costa do Sauípe, o quali do Brasil Open começou ontem.
O juvenil Tiago Fernandes, que recebeu um convite da organização, acabou sendo a grande atração do dia, mas foi derrotado pelo português Sousa na primeira rodada, em três sets.
Tudo normal. A diferença de nível entre torneios juvenis e profissionais, essa sim, é mesmo gigantesca. E o fato de o jogo ter sido relativamente equilibrado já valeu a experiência.
Lembro que em 2005, no último ano em que joguei profissionalmente, fui a Zagreb, na Croácia, jogar o challenger local, que sempre acontece uma semana antes de Roland Garros.
Na primeira rodada, joguei contra um juvenil que era a revelação local: Marin Cilic, hoje top-10. Mesmo já estando em final de carreira e longe da melhor forma, ganhei em dois sets, até com certa facilidade.
Duas semanas depois, Cilic seria o campeão juvenil de Roland Garros.
Escrevo isso para mostrar o quanto a decisão do Larri, técnico do Tiago, de recusar o convite para jogar a chave principal e, ao invés disso, colocá-lo no quali, foi prudente e sábia.
Outros técnicos, menos experientes, certamente teriam se empolgado com a idéia, colocando o dinheiro da premiação e o glamour dos holofotes na frente do nariz, alimentando no próprio menino expectativas ainda um tanto irreais.
O quali do Brasil Open está bem forte e tem poucos brasileiros. Apenas três deles venceram a partida de estréia: Zampieri, Rogerinho e Kirche.
A chave principal já foi sorteada. Bellucci pega Thiago Alves, que recebeu convite. Marcos Daniel espera um qualifier. Feijão, por ter sido semifinalista em Santiago, recebeu um "special exempt" e encara o romeno Victor Hanescu, cabeça cinco.
Além de Alves, foram convidados também Ricardo Mello e Ricardo Hocevar. Mello pega o italiano Paolo Lorenzi, enquanto Hocevar desafia o francês Richard Gasquet, uma das atrações do evento.
Se por um lado a edição deste ano do Brasil Open não atraiu nenhum jogador "de ponta", por outro ela deverá ter uma participação mais efetiva dos tenistas brasileiros. Tomara que sim.
Dois brasileiros estão nas quartas do ATP de Santiago.
Thomaz Bellucci confirmou contra o chileno Paul Capdeville, em três sets muito duros, enquanto João Souza surpreendeu o espanhol Pere Riba em sets diretos.
Feijão pega hoje outro espanhol, o experiente Alberto Martin, que por sinal foi o responsável pelas eliminações de Marcos Daniel e Ricardo Mello.
Thomaz encara o argentino Eduardo Schwank, um adversário duro a quem ele já enfrentou outras vezes, com vitória para ambos os lados.
Aos poucos, o tênis brasileiro vai crescendo. Não é de hoje. Esta nova fase começou há alguns anos, e tem tudo a ver com os 35 futures por ano, com os novos e cada vez melhores centros de treinamento, entre outras coisas.
É claro que, nesse momento, com um tenista de 22 anos consolidado no top-40, um campeão de Grand-Slam juvenil e outros jovens começando a deslanchar, fica muito fácil ser otimista.
Aqui no Brasil, as pessoas tendem a reconhecer apenas o fato consumado, aplaudir quem venceu. Mas ninguém é capaz de fazer previsões, otimistas ou não, e pouquíssimos conseguem enxergar um centímetro além do óbvio.
Há três anos, por exemplo, alguns diziam que nosso tênis estava acabado. Que estávamos prestes a virar "uma Bolívia ou um Paraguai". Se alguém já esqueceu disso, eu não esqueci.
São os mesmos que, em meados do ano passado, diziam que o garoto Bellucci não tinha atitude, que ele jamais seria top-50, que havia sido um erro trocar de técnico, etc, etc...
Pois esses mesmos "visionários" fizeram terra arrasada quando perdemos para o Equador por causa de dois míseros pontos. Disseram, entre outras coisas, que "jamais teremos outra oportunidade igual".
E agora, poucos meses depois, ainda pensam dessa maneira?
Infelizmente, assim ainda funciona a maioria das pessoas, e não me refiro apenas aos comentaristas. Muda-se de opinião rapidamente. O desprezo maldoso vira bajulação exagerada em um piscar de olhos.
Pouco a pouco, felizmente, esta cultura imediatista e ultrapassada está ficando pra trás. Muitos podem não perceber mudança alguma, mas eu percebo.
Confio na minha memória, mas confio ainda mais na minha intuição.
Os treinos estão indo muito bem, apesar do calor quase desumano que tem feito desde o início da semana aqui em Porto Alegre.
Ontem, lá pelas 21h, depois, portanto, do pôr do sol, o termômetro ainda marcava incríveis 37°C. Durante o dia, a temperatura tem circulado na casa dos 40°C. Imaginem em uma quadra de tênis, sujo de saibro e correndo atrás da bolinha.
Nasci em Porto Alegre e, sinceramente, não lembro de haver presenciado um calor igual ao dos últimos dias.
Com um clima assim, é preciso, obviamente, ter alguns cuidados especiais, especialmente no que diz respeito aos horários de treinos.
De manhã, ficamos na quadra das 8h às 11h, horário onde o calor ainda não atingiu o seu auge. À tarde, só voltamos às 16h para mais uma hora de exercícios na quadra. E depois ainda tem a preparação física...
Nem preciso dizer em que condições os atletas terminam o dia.
Mesmo eu, que já não preciso mais correr, mas apenas caminhar em volta da quadra, falar e fazer demonstrações de vez em quando, chego em casa exausto.
Nosso esporte é mesmo duro, competitivo. E não existem atalhos, muito menos solução milagrosa. O que existe é o trabalho, e a repetição.
A recém firmada parceria entre o Instituto Tênis e a Associação Leopoldina Juvenil, principal clube de tênis do nosso estado, tem tudo para ser bem sucedida e duradoura.
No início da semana, concedi uma entrevista pra TV local falando da minha saída da Copa Davis, do futuro do nosso tênis e dos objetivos da nova parceria.
A entrevista deverá ir ao ar neste sábado de manhã, no programa RBS Esportes, e tomara que seja apresentada na íntegra.
O dia foi muito bom para o tênis brasileiro. Três de nossos jogadores começaram com o pé direito em torneios ATP.
Em Santiago, duas vitórias. Thomaz Bellucci derrotou o nosso conhecido Nicolas Lapentti, em três sets, de virada. Depois de levar 6x3 no primeiro, atropelou um 6x1 6x1 pra cima do equatoriano.
Depois, foi a vez de João Olavo Souza, o nosso Feijão. Além de passar pela primeira vez um qualifyng de ATP, derrubou o sétimo cabeça-de-chave, Simon Greul, da Alemanha, também de virada, porém no tie-break.
Belas vitórias. Feijão encara agora o espanhol Pere Riba, enquanto Thomaz pega o vencedor do duelo entre os locais Capdeville e Saavedra.
Lembrando que Ricardo Mello estréia ainda hoje, contra o uruguaio Pablo Cuevas, e que Marcos Daniel perdeu ontem.
Do outro lado do mundo, mais precisamente em Johanesburgo, na África do Sul, Thiago Alves também virou o jogo para vencer o ucraniano Dolgopolov em três sets.
Assim como em Santiago, a chave de Alves não é ruim. O próximo adversário é o indiano Devvarman, ex-campeão universitário, mas ainda sem corresponder às expectativas no circuito internacional.
Vamos lá.
Acordei cedinho hoje para não perder nenhum detalhe da grande final.
A partida foi agradável e bem disputada, mas confesso que esperava um pouco mais do desafiante Murray.
Federer, com exceção de alguns poucos momentos de turbulência, controlou o jogo à sua maneira, jogou como quis.
Murray ficou muito preso ao contra-ataque, se tornando, assim, um adversário previsível. Apesar de ter sacado e devolvido bem, faltou a ele soltar mais o golpe de direita e chegar mais na rede.
Nos momentos de pressão, Federer sabia que bastava não errar e esperar a hora certa de ir pra cima. Foi o que ele fez quando se viu em desvantagem no terceiro set.
Com a vitória em sets diretos e mais número um do que nunca, o suíço chegou ao seu 16°título de Grand-Slam, ratificando sua condição de melhor tenista de todos os tempos.
Uma das coisas que, atualmente, mais chamam à atenção no jogo de Federer é a evolução de seu revés. Um golpe que era deficiente há quatro ou cinco anos, hoje é mais uma de suas armas. Culpa de Nadal.
Futebol gaúcho
Agora há pouco, tivemos o primeiro Gre-Nal da década de 10. E mais uma vitória colorada.
No primeiro tempo, o Inter foi superior, criando uma série de oportunidades claras, contra nenhuma do Grêmio.
Na etapa final, o Grêmio cresceu e o jogo ficou equilibrado. Não gostei das substituições feitas pelo técnico do Inter. Achei que o time perdeu intensidade.
Quando a partida estava ficando morna e se encaminhando para um empate sem gols, Alecsandro, que até então era um dos piores em campo, marcou o gol em um bonito chute da entrada da área.
E ficou nisso. Vitória merecida, especialmente pelo que se viu no primeiro tempo.
Antes de começar a escrever sobre os assuntos do tênis, preciso dizer que achei sensacional o "Globo Repórter", exibido ontem à noite. Pra quem não viu, o tema do programa era a velhice e seus desafios.
Aqueles que me lêem sabem que sou um crítico do modo como se faz jornalismo no Brasil, e do baixíssimo nível da maioria dos nosso programas de TV aberta.
O programa de ontem mostrou que é possível combinar emoção, qualidade e cultura e, assim, contribuir positivamente para a evolução da nossa sociedade.
Vamos ao tênis.
O alagoano Tiago Fernandes conquistou o Australian Open, se tornando assim o primeiro juvenil brasileiro a vencer um Grand-Slam.
Nem preciso dizer que se trata de um belíssimo resultado e de uma grande notícia para o nosso tênis.
Conheço o Tiago desde que o chamei para fazer parte da equipe da Davis, há quase dois anos. Na época, ele tinha apenas 15 anos, mas já pude perceber que se trata de um menino diferenciado.
Bom porte físico, bons golpes. Mas o que mais me chamaram à atenção foram o seu nível cultural muito acima da média, e sua postura, dentro e fora da quadra.
Como eu já acreditava, bem antes dessa conquista, nas possibilidades de ele se tornar um grande jogador no futuro, espero que todo esse sucesso prematuro não atrapalhe em nada a sua trajetória.
Fica aqui um apelo para a nossa imprensa: não exagerem. Deixem o menino crescer e trabalhar em paz, e não o comparem com o Guga.
Hoje de manhã, pude acompanhar a final feminina.
Serena e Henin fizeram uma bela partida. No final, prevaleceu a força da americana, que venceu em três sets bem disputados.
Apesar da derrota, ficou claro que a baixinha fez, sim, muita falta ao circuito - imaginem o tênis masculino se Federer tivesse feito a mesma coisa há uns dois ou três anos.
Isso porque tanto Henin como Federer são jogadores que se impõem não pela força física, mas pela combinação de técnica e velocidade de jogo. Logo, eles representam a evolução do esporte.
Com a força das irmãs Williams, a volta de Henin e Clijsters, e o inevitável amadurecimento das mais jovens, o tênis feminino tem tudo para dar a volta por cima em 2010.
E o que dizer da grande final de amanhã?
Pra mim, uma final que considero "ideal" para um torneio de Grand-Slam deve ter, necessariamente, o número um do mundo e um desafiante, de preferência mais jovem, que realmente deseje tomar o seu lugar.
Federer e Murray preenchem esses requisitos. Além disso, ambos jogaram muito tênis durante todo o torneio e chegam na decisão em perfeitas condições.
A expectativa é, simplesmente, a melhor possível.
Contra o fanatismo
Repete-se, constantemente, que o povo brasileiro é um “povo carente de ídolos”. Bobagem. Viajei o mundo inteiro e pude constatar que, na verdade, já somos os campeões mundiais nesse quesito.
Pelé, Xuxa, Romário, Senna, Ronaldo e por aí vai. Lula, cuja história inacabada virou filme, ou melhor, fábula infantil, também já virou ídolo.
Na Alemanha, por exemplo, o último ídolo se chamava Adolf Hitler - os alemães devem ter aprendido que idolatria e fanatismo andam de mãos dadas. E que fanatismo e violência também andam de mãos dadas. Já os ingleses eram obcecados pela princesa Diana. Também terminou
A verdade é que nas sociedades mais civilizadas, hoje em dia, idolatrar é coisa de criança. No máximo, de adolescente. Algo saudável. Um adulto que idolatra, no fundo, é um fanático. E um adulto fanático por qualquer coisa é sempre uma bomba prestes a explodir. É só ver o comportamento das nossas torcidas organizadas.
Roger Federer, por exemplo, é admirado no mundo inteiro, mas não chega a ser “idolatrado”, nem em seu próprio país. Sorte dele que não nasceu no Brasil. E azar nosso. Rafael Nadal tampouco é perseguido pelos espanhóis.
Os franceses amam Zidane, mas o compreendem como um ser humano, tão capaz de encantar com a bola nos pés como de dar uma cabeçada em um adversário em uma final de Copa do Mundo. Zidane não virou vilão, ao contrário, aquele lance o aproximou ainda mais das pessoas, especialmente depois que ele admitiu o erro grotesco e pediu desculpas.
Neste caso, eles é que estão certos. E nós, errados. A nossa imprensa exagera no hábito de rotular as pessoas. Somos divididos, dramaticamente, em vencedores ou perdedores, heróis ou vilões, colorados ou gremistas, reacionários ou comunistas, atletas de cristo ou “bad boys”, a favor ou contra. Não existe meio termo, não há equilíbrio. E onde não há equilíbrio, infelizmente, nunca haverá paz. Mas quem disse que a mídia deseja a paz?
Pois é justamente em um ambiente de competição extremada e radical que surge a figura do ídolo. Um ídolo gera sempre grandes manchetes, para o bem e para o mal, ou seja, a mídia o engorda para se alimentar dele.
Obviamente, depois de devidamente glorificados e eternizados, alguns deles começam realmente a acreditar que estão acima do bem e do mal. Que são invencíveis. Nesses casos, geralmente, a coisa termina de uma maneira surpreendente, muitas vezes trágica. A decadência faz parte da natureza, e é preciso sabedoria e equilíbrio para lidar com ela com o mínimo de sofrimento.
Pelé, instintivamente, sempre soube disso e se tornou um mestre na arte de se preservar. Parou de jogar no auge e deixou a falsa impressão de que jamais perdeu. Virou mito. Fora de campo, no entanto, além de ter sido o maior mulherengo de todos, se envolveu com gente desonesta e, certamente, não foi um bom pai. Por isso mesmo criou “Édson”, o álibi perfeito.
E o que dizer de Tiger Woods? Neste momento, tenho certeza, ele daria tudo para ser brasileiro. Seu prestígio ainda estaria intacto. Vide Ronaldo. Neste item particular, sem dúvida, com as devidas ressalvas, somos melhores do que os americanos. Bill Clinton e o mundo inteiro que o digam.
O importante é saber que, de um jeito ou de outro, dentro ou fora das quatro linhas, todos nós falhamos. Portanto, ao contrário do que se diz, ninguém merece ser idolatrado, endeusado. E todos merecem, sim, ser respeitados, até prova em contrário.
O que nós, brasileiros, realmente precisamos não é de mais ídolos e de mais fanatismo, mas de equilíbrio, de educação, e de bons exemplos, que nos ajudem a identificar e compreender a diferença entre o certo e o errado, e a escolher o nosso próprio caminho.
Definidas as semifinais do Australian Open: Federer x Tsonga e Cilic x Murray.
O favorito ao título é ele mesmo, Roger Federer, que nesta madrugada passou por Davydenko em quatro sets.
O russo chegou a abrir 6x2 e 3x1, mas se desconcentrou e viu o número um empilhar nada menos do que 13 games seguidos. Incrível! Depois, ele ainda voltou a jogar bem, mas já era tarde demais.
A partida entre Tsonga e Djokovic também foi cheia de reviravoltas. O francês levou o primeiro set no tie-break, mas vacilou no segundo tie-break e saiu de jogo. O sérvio passeou no terceiro set.
Logo no início do quarto, Tsonga elevou seu nível e conseguiu uma importantíssima quebra. Djokovic pediu atendimento médico, mas não conseguiu mais se recuperar. A partir dali, só deu Tsonga.
Na chave de baixo, Marin Cilic venceu mais uma batalha em cinco sets, desta vez contra Roddick. O croata já assegurou um lugar no top-10, e promete dar muito trabalho neste ano.
O adversário de Cilic é Andy Murray, que jogou muito tênis e derrubou Rafael Nadal em sets diretos. Nadal ainda desistiu da partida quando a vaca já tinha ido para o brejo, alegando dores no joelho. O que não fez nenhuma diferença.
Até por ser um pouco mais experiente, o britânico tem um leve favoritismo nesta partida, Lembrando que o croata o derrotou nas oitavas do último US Open.
Falando nisso, alguém se lembra do último duelo entre Federer e Tsonga?
O duelo de Montreal, vencido pelo francês por 7x6 na negra. foi tão surpreendente que na época dediquei um texto inteiro para analisar todas as variantes e emoções que tomaram conta da quadra.
As chinesas estão chegando
Depois da explosão das russas e das tenistas do Leste Europeu, chegou a vez das chinesas. Quem diria que duas jogadores daquele país seriam semifinalistas de um Grand-Slam?
Na Li e Jie Zheng são as autoras da façanha. Li derrubou ninguém menos que Venus Williams nas quartas. Zheng acabou com a aventura da russa Kirilenko.
A próxima missão delas é bastante complicada. Li pega Serena, que por sinal quase naufragou diante de Azarenka. E Zheng encara a baixinha Justine Henin, sensação deste início de temporada.
No papel, deveriam estar nas finais Federer, Murray, Serena e Henin.
Mas quem ousa duvidar de Cilic, Tsonga e das chinesas, depois de tudo o que eles já aprontaram em Melbourne?

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