Outra dica da Laura: Speech Debelle também esteve nos palcos do festival de Glastonbury. Faz rap, mas longe das quebradas hip-hop da América. Talvez uma contrapartida britânica à Erikah Badu (que aliás, teve seu último e excelente álbum lançado aqui no Brasil).
Na música de Debelle há drama, mas uma certa delicadeza, cordas, violões, pianos, uma base jazz, às vezes resvalando em fraseados meio radioheadianos, como em Searching. Excelente. The Key é outra matadora. O single de estréia, Go Then, Bye, saiu dia 25 de maio na Inglaterra. Acho que dessa moça também vamos ouvir falar mais pra frente. Abaixo, a faixa-título:
![]() |
Mark Oliver Everett, o complicado sujeito que capitaneia há quase 15 anos o grupo de rock alternativo Eels, volta como uma barba ao estilo ZZ Top quatro anos depois do sombrio álbum duplo Blinking Lights and Other Revelations. Mr. E agora encarna um lobisomem uivante em Hombre Lobo, o sétimo disco da banda, álbum garageiro que tem como subtítulo 12 songs about desire que vem acompanhado de um vídeo de 30 minutos contendo os bastidores da gravação intitulado Tremendous Dynamite, nome de uma das canções. Everett estreou com o Eels cantando My Beloved Monster, e agora ele próprio assume a sua porção monstruosa e experimenta todos os tipos de desejos e sentimentos recolhidos. O resultado é um disco mais solto, mais pesado, em que ele exorciza seus demônios gritando e cantando em alto e bom som. Abaixo duas canções do CD: Prizefighter e That Look You Give That Guy.
Colaboração do Magoo, também consternado pela passagem do ídolo que não se alimentava mais. Até o Magoo, um headbanger, lamentando a morte do Michael Jackson. Isso mostra como o artista das luvas brancas marcou nossas vidas:
"Muitos amavam, muitos odiavam. Mas Michael Jackson será eterno. Se até os punks estão homenageando o cara, não há como negar isso. No vídeo abaixo, uma "coleção" de vários representantes do punk rock da Suíça se uniram para uma versão.. digamos... inovadora do clássico We Are The World. Desafinação pouca é bobagem, mas o vídeo - regado a muito chopp, vale alguns minutos de atenção."
Banner do Tra-la-lá nos tempos de Sávio, Romário e Edmundo (Sávio é o do meio) |
![]() |
Não, infelizmente não é o retorno ao Tra-la-lá. O fato é que Fábio Bianchini Mattos, o Mutley, está de volta ao mundo do blogs. Para compartilhar as postagens, trocou dois velhos jornalistas chatos pela Carmem Miranda, o que, convenhamos, não é uma má idéia.
Trata-se do Tico-tico no FUBAP. Sucesso, Mumu!
"I've seen the future, baby, it is murder" canta Leonard Cohen enquanto rolam os créditos finais de Natural Born Killers (Assassinos por Natureza, 1994), com certeza o melhor filme de Oliver Stone, feito a partir de uma história de Quentin tarantino. Escolhida por Trent Reznor, o responsável pela trilha sonora do filme, The Future, clássico do bardo canadense, embala a idílica viagem final da família formado pelos singelos Mickey e Mallory Knoxx, como vocês podem ver aí abaixo. E também é um dos destaques do magnífico álbum duplo Leonard Cohen _ Live in London, cuja resenha vocês poderão ler amanhã no variedades do DC:
Esse disco novo do Grizzly Bear, Veckatimest, também deve ficar entre os melhores de 2009. Claro que praticamente ninguém no Brasil conhece o Bear. Eu acredito que até mesmo no Brooklyn (NY) ninguém conhece o Bear - mas muitos passaram a conhecer, quando tocaram em programas como o de Jools Holland (UK)e o Late Night do Letterman.
Minha grande surpresa: como ninguém tinha pensado em usar um nome desses em uma banda? É magnífico. Os caras são comparados a Beirut, Sigur Rós, Animal Collective e Shins. Também lembram a melhor época do Coldplay. A julgar pelo Veckatimest, podem ser melhor do que todos os demais. Essa abaixo, primeiro no vídeo oficial e depois no Jools, dói de tão boa:
Coisas que só mesmo a minha antenadíssima e versátil colega Laura Coutinho é capaz de descobrir. Stornoway é o nome do grupo, que vem de Oxford (terra do Radiohead) e lançou seu primeiro single no dia 8 passado.
Eles se apresentaram no palco acústico do Glastonbury Festival sábado e, sinceramente, acho que vamos ouvir falar mais deles. Belíssimo folk - confiram as demais ali no link deles.
Essa abaixo é o tal single, Zorbing. Vídeo criativo e simples:
O editor-executivo do Diário Catarinense considerou esse texto abaixo excelente, o que muito me honrou. Foi publicado em tiragens da edição de domingo. O combinado era eu ter colocado no blog sábado à tarde, mas preferi enfrentar muita chuva e muito frio para, como diria o Martinho da Vila, "ver o Vasco jogar" (se bem que em Calango Vascaíno, o Martinho canta que sua "única alegria é ver o Vasco jogar". Convenhamos, a vida do personagem da letra está um desânimo só por esses dias).
MICHAEL JACKSON
Superestrela definitiva
Ei, você lembra de alguém que morreu e, apenas por ser famoso, fez o mundo parar? Não, meu amigo, Ayrton Senna não fez o mundo parar e se lamentar. Aqui, sem dúvida fez, e em parte da Europa também. Só que nos EUA, transeuntes passavam em frente às tevês, assistiam a um acidente que parecia muito feio, e tornavam a caminhar pelas calçadas.
Quem sabe Jackie Kennedy? Não. Só gente fina ou razoavelmente bem informada lamentou a passagem da distinta dama que viuvou de JFK. E na música. Kurt Cobain? Muitos moleques tiveram um dia negro sem dúvida. James Brown? Quem é do ramo lamentou, mas continuou sua vida. Marvin Gaye? Idem.
Agora, Michael Jackson é outro nível. Uma superestrela contestada, polêmica, mas uma superestrela, conhecida por quase todo mundo em todo o Planeta. Quem nunca havia ouvido falar desse senhor cinquentão com idade mental um tanto indefinida era de Plutão, ou Vênus. Até é bom puxar esse assunto: seu melhor momento no cinema é uma ponta como extraterrestre em Homens de Preto. Detalhe é que ele não se fantasiou de extraterrestre, ele vestiu suas roupas do dia-a-dia. E ninguém estranhou.
Quase todos os projetos que concebeu, ou nos quais participou fora dos estúdios, da MTV ou de gravadoras, foram fiascos ininteligíveis. Queimou a cabeleira ao filmar um comercial da Pepsi. Dançava o moonwalking, no qual parecia que ia para a frente, mas ia mesmo era para trás. Jacko tinha um parque no quintal, o Neverland, onde também criava lhamas. Não se sabe como, era black e virou white.
Além dele, só Elvis e Lennon passaram dessa para melhor criando tamanha comoção. Dylan, quando bater suas surradas botinas, vai ter viúvas específicas e em determinados países. Assim como Bruce Springsteen, assim como Neil Young. Vamos ter as comoções regionais, como no dia – que acho, vai demorar – em que perderemos Roberto Carlos. Dois nomes hoje podem concorrer com Jacko no necromercado, apenas dois: Paul McCartney e Madonna. Prince deveria estar lá, mas perdeu o bonde da história a partir dos anos 1990.
Podem me perguntar: e aí, não vai falar bem da música de Michael Jackson? Claro que vou. Ele pessoalmente não era um cara talentoso, no sentido Stevie Wonder do termo. Mas sempre teve as pessoas certas em volta dele – até mesmo o patriarca Jackson.
Ele aprendeu as coisas que devia aprender quando criança, com as pessoas que sabiam das coisas, e o grupo que formou com seus irmãos gravou alguns clássicos, como I Want You Back e ABC. Depois, já decolando da gravadora Motown para pousar na Columbia, The Jacksons deixaram claro que tinham uma considerável contribuição ao que se tornou a disco music.
Mas a tacada de mestre foi juntar-se ao produtor Quincy Jones e ao compositor Rod Temperton. Off the Wall é na minha cabeça o disco pop por excelência. E aí chegamos a Thriller, o pop-rock chegando às estrelas – singrando o cosmo, como diria o Surfista Prateado. Na capa, o terno de Jackson é branco e brilhante, e ele parece estar deliciado em apresentar aquelas nove músicas que formam o conjunto financeiramente mais bem sucedido da história da música prensada em discos. Isso era 1983. Quatro anos depois, voltou com Bad, onde ainda é grandioso, mas já emite os sinais da desordem psíquica e da megalomania que dominaria a sua vida a partir dos 1990.
Eu admiro Michael Jackson. Com todos os horrores e excentricidades, ele ainda é adorado. Vai ser lembrando e reverenciado quase como um santo. Não esperem pelo derradeiros suspiros de Madonna e Paul – agora, com Michael, é a hora de entender, sentir o que é essa palavra tão usada, e com tanta inexatidão: a superestrela.
![]() |
Conversava com o meu estimado amigo Marcos Espíndola, nos instantes pré-jogo da seleção, sobre as qualidades do espetacular Kasabian novo, West Ryder Pauper Lunatic Asylum.
Assim como a seleção brasileira da tarde de ontem, o Kasabian mostrou-se arrogante, no sentido positivo do adjetivo. "Nós somos bons o suficiente para virar esse jogo em cima de vocês". Um dos maiores jogos que já vi a seleção fazer, embora todos os cronistas e especialistas, para meu espanto, estejam colocando defeitos.
Muita gente boa também torce o nariz para o Kasabian. Só que eu vou defender esses caras. É óbvio que eles têm uma certa quedinha pelo Primal Scream (vejam o vocalista no palco), mas é o melhor disco electro-psicodélico das últimas temporadas. Essa abaixo é a preferida do Espíndola.
É impressionante. Só as mortes de Lennon e Elvis, quando se fala em música pop, causaram o mesmo impacto da morte do Michael Jackson. E os únicos que vão causar algo parecido,talvez, serão Paul McCartney e Madonna.
Dylan, Bowie, Brian Wilson, Neil Young - todos mestres - infelizmente não estão no mesmo alcance unversal desses aí em cima. Nem os Rolling Stones têm o impacto global que este quinteto têm na cultura do Ocidente. É algo a ser analisado. Especialmente o Jacko, doido de pedra.

Dorva Rezende e Renê Müller são (talvez não nessa ordem) o Bom e o Mau da crítica musical do Diário Catarinense. Eles informam, opinam, analisam ou simplesmente palpitam sobre novidades e velharias do mundo da música e afins, com links, dicas, listas ou apenas observações.
E-mails de contato:
iPod Shuffle 1GB Verde - AppleWal-Mart5 x R$39.80
TV 26 Polegadas LCD - LGeFácilR$1099.00
Micro System com MP3 - PhilipsFast Shop.com.brR$237.21
Notebook HPPernambucanasEm 12x de R$274.92
TV SharpCompare PreçosA partir de R$ 350,00
Dúvidas Frequentes | Fale conosco | Anuncie - © 2009 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.