- Alô.
- Boa tarde, a Sra. Cássia Zanon?
- Sim, é ela.
- Sra. Cássia, sou do atendimento ao assinante NET e estou ligando para estar oferecendo mais 15 canais à sua grade de programação que hoje conta com 111 canais.
- Ah, legal. Sem custo?
- (Silêncio constrangido) Não, tem custo.
- Ah, então não quero, obrigada.
- Mas a senhora não quer nem ouvir a proposta?
- Não precisa, eu já acho que tenho canais demais.
- A senhora não gosta de ver televisão?
- (Silêncio embasbacado) Mas tu acabaste de dizer que eu tenho 111 canais.
- A senhora não quer nem saber o preço?
- Não, obrigada.
- (Suspiro impaciente) Então está bem. Boa tarde.
- Boa tarde.
Eu sou mesmo a desgraça dos telemarketings.
Sempre fui colorada, mas só passei a compreender mesmo o que isso quer dizer depois de começar a ir a campo. Mesmo - ou principalmente - àqueles jogos que não enchem um quinto do estádio e que o time empata - ou perde.
Não entendo como alguém pode não torcer para time algum. A sensação de fazer parte de algo que mobiliza milhares e milhares de pessoas é de certa forma reconfortante e dá uma certa crença na capacidade de mobilização da humanidade em torno de uma causa comum. Imagino que ajude quando se trata de uma torcida via de regra civilizada e alegre como a do Internacional.
Não toco flauta. Justamente para que não toquem flauta em mim. Gosto de comemorar as vitórias do meu time com os outros torcedores.
Em jogos como o de ontem, no Beira-Rio, fico feliz ao ver a maior parte das quase 50 mil pessoas que se prestam a passar frio para ver o time tentar uma vitória quase impossível ficar até o final de um jogo evidentemente perdido. E aplaudir a equipe, mesmo sem ter vencido. Isso, afinal, é o tal espírito esportivo.
A loira de voz esquisita que narrava o jogo estava atrás de mim ontem devia ser banida de qualquer evento social. Qualquer. Ou ir a uma fonoaudióloga. Ou fazer uma cirurgia nas cordas vocais.
Torcedores de ocasião - aqueles que só acompanham quando o time está bem ou só vão ao estádio em finais - são necessários. Mas infelizmente creio que também meio que ajudem a dar má fama a qualquer torcida, vaiando o próprio time, reclamando o tempo todo. Não sabe perder? Desista de ser torcedor.
Torcedores fanáticos - aqueles que sofrem e respiram o clube, andam fardados da cabeça aos pés e têm e-mails com o nome do time - são necessários. Mas infelizmente creio que também meio que ajudem a dar má fama a qualquer torcida, sendo agressivos, exagerados, chatos. Equilíbrio é tudo nessa vida.
Se a gente parar para pensar, o futebol funciona como uma perfeita metáfora da vida. Quem desenvolve bem a tese é o Márcio. Vou ver se o convenço a botá-la no papel - ou no blog dele.
Não tem Prozac que supere a carga de energia de um gol comemorado dentro de um Beira-Rio lotado. Não tem. O problema é que vicia.
Fazia horas que eu não sentia borboletas no estômago - uma expressão maravilhosa que os falantes da língua inglesa usam para descrever aquela sensação de frio na barriga que acompanha situações emocionantes. Hoje estou assim. E cantarolando sem parar essa linda música abaixo. Aqui, na versão da Nina Simone.
Um fim de semana supimpa a todos!
O-o-h child things are gonna get easier
O-o-h child things will get brighter
O-o-h child things are gonna get easier
O-o-h child things will get brighterSomeday well get it toghether and well get it undone
Someday when the world is much brighter
Someday we'll walk in the rays of a beautiful sun
Someday when the world is much lighter(...)
Right now right now
Trabalhar com internet é, acima de tudo, trabalhar com o impalpável. Muitas vezes, com o imprevisível. O que explica o estado de pânico em que fiquei quando, na madrugada do lançamento do zerohora.com, em setembro de 2007, descobri que estavam fazendo uma contagem regressiva na rádio Gaúcha para o "momento da virada". Ocorre que site nenhum, pelo menos não que eu lembre de ter visto, entre imediatamente e inteiro no ar. Tem toda uma história de servidores e webcaches e não sei mais quês que eu ainda não consigo explicar direito - o que justifica o fato de que não trabalhar na TI, suponho. E esse processo leva alguns minutos - às vezes horas - pra se completar.
Com o site da Zero acabou dando tudo certo, embora os editores - que então estreavam no mundo online - achassem que aquelas páginas que não carregavam 30 segundos depois de "virada a chave" fossem um erro, e não parte do processo natural da coisa. às vezes, porém, enfrentamos alguns perrengues. E não é só no clic não. Ou o estimado leitor nunca clicou num link quebrado ou deparou com uma página de "estamos em manutenção" em outro site ou portal?
Tudo isso pra dizer que eu estava aqui, acordada, só esperando o momento de dizer que já dava pra acessar o www.diariosm.com.br, o novo site do jornal Diário de Santa Maria. Ele e o www.sualingua.com.br, site do professor Claudio Moreno que entrou no ar ontem, são os mais novos filhotes do clicRBS. Infelizmente, eu não meto mais a mão na massa com a edição, mas o infelizmente é só porque eu acho divertido, já que ambos estão em excelentes mãos.
A verdade é que acho que estou começando a me acostumar com o trabalho da equipe que integro desde que saí da redação - lá se vão quase três anos: entregar os filhotes para outros criarem.
Começou devagar quase parando, em 2007. Achei a história toda muito sem graça, muito parecida com tanta coisa que tinha começado e terminado em seguida. Larguei de mão. Aliás, comigo costuma ser assim. Não me furto a abraçar novidades, mas se a coisa não engrena de saída, custo a crer que algum dia vá engrenar.
Para me contrariar, engrenou. Não lembro exatamente quando foi - acho que no final do ano passado -, mas voltei atrás. Tirei as teias de aranha que tinham se formado e desatei a brincar de novo. E não parei. Desde então, já houve várias e várias ondas de gente fazendo a mesma coisa. Neste instante, sigo 495 e sou seguida por 677 pessoas/sites/empresas no Twitter.
Sem o dito cujo, eu não teria lido nada do que segue...
@rodrigogodoy Itaú Bankline, agora com opção de enviar o comprovante por e-mail, direto do final da transação. Eu sempre "printava". Gostei. :-)
@riqfreire Reparou que ninguém invoca o deus Brahma na novela? (Se a Glória Perez puser Brahma no texto, é capaz da Globo cobrar o merchã da Ambev)
@maurodorfman Rever Era do Gelo 2 pela enésima vez agarrado em duas filhinhas cheirosas = felicidade.
@anabrambilla ACHEI temaki em Porto Alegre!!! Legal, triste e gostoso matar a baita saudade de São Paulo.
@ciscocosta Meu protesto contra a ditadura iraniana: não aprenderei a pronunciar a oclusão glotal em "Khamenei".
@eduardonuness Quando nasci, a #1 da Billboard era Physical, da Olivia Newton-John: http://www.joshhosler.biz/N... #merda
@revistasuper Esse cara ganhou um modem de 1964 e decidiu testá-lo. Será que funciona? http://migre.me/2f9s
@priscilafantin AHHHH!!!! O twitter me atrasa!!! Meu curso avançado de técnicas ancestrais de cura começa as 19:30!!!!!! ALOHA!
@melquijr A falta de tempo é um ótimo álibi para arrogância.
@joelmaterto Narcisa, bêbada, e sua filosofia de banheiro de boteco, salva meu fim de dia: http://bit.ly/Z2A63
@emilianourbim Ser mais que peão e menos que chefe é terminar o dia se sentindo um escroto e um capacho.
Quero dizer... como NÃO se viciar nisso? Ou então... POR QUE se viciar nisso?
Enfim, estou em crise existencial. Preciso de ajuda, atenção, conversa. E seria legal se ela viesse com mais de 140 caracteres.
#prontofalei
A auto-imagem (tem hífen? não tem? enfim...) é uma coisa incrível mesmo. Cortei os cabelos hoje. Curtos de novo. Não tanto quanto já usei, mas, ainda assim, acima dos ombros. E me dei conta de que, por alto, 70% da minha vida passei com os cabelos assim. Adoro.
Minha alma tem cabelos curtos. Assim como a minha alma não é loira. Tentei fazer luzes durante um ano, entre 1996 e 1997, mas não me reconhecia no espelho - além de achar aquela coisa toda de touca e tinta uma chatice. O estranho é que quem me conheceu naquela época jurava que eu era loira de verdade.
Hoje, achei divertio ver que muita gente se espantou com o novo corte. É que fazia mais de dois anos que as melenas só cresciam, e eu seguia com a minha alma de cabelos curtos.
Moral do post? Não adianta. Por menos mulherzinha que eu seja, não posso deixar de admitir: cabelos são tudo na vida de uma pessoa.
Pensei em escrever sobre o David Sedaris que li há umas três semanas, sobre o Elza, A Garota, do Sérgio Rodrigues, que terminei na quarta passada, ou sobre trechos dos livros que estou lendo agora, mas nunca parece dar tempo de tratá-los com o cuidado que me parecem necessário. O mesmo aconteceu em relação aos shows do Burt Bacharach e da Dionne Warwick com a Gal Costa que vi nos últimos tempos e os filmes - perfeitamente esquecíveis - a que andei indo assistir no cinema e os seriados que têm prendido a minha atenção. Queria falar sobre algumas refeições que, na hora, considerei memoráveis, mas agora não consigo lembrar o que foi ou quando ou onde as comi. Tive vontade de expor a minha relação ambígua com os exercícios físicos e a sensação de que muita gente faz coisas só porque todo mundo está fazendo, mas, na ocasião, achei que seria mais produtivo sair para uma caminhada na beira do Guaíba - acho que foi mesmo. Cheguei a começar mentalmente um post sobre por que vou sempre chamar o Rio Guaíba de rio, não importa o que digam os especialistas, e era um começo bacana, mas ele me fugiu antes mesmo de me sentar na frente do computador. Ando matutanto sobre a leveza que quero imprimir à minha vida, mas o peso dos compromissos em excesso tem me feito deixar mais esse texto de lado.
Fora que - acho que é crise dos 35 anos - ando com uma forte sensação de estar desperdiçando o tempo dos meus poucos porém qualificados leitores com tamanhas banalidades.
Será que preciso voltar para a terapia? ;-)
Bom começo de semana a todos.
Ignore o discurso de "o vídeo não presta" da Jana - quem a conhece sabe que ela é assim mesmo, exagerada demais para se desfazer - e clique no play. O vídeo que ela fez e editou é uma delícia.
Saudade, dona Jana.
The Sound of Music é uma das minhas quase inconfessáveis preferências cinematográficas. Talvez também por isso eu tenha gostado tanto do vídeo indicado por um amigo ontem.
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Um encontro imaginário entre a atriz e a cineasta é o tema da peça dirigida pelas queridas Márcia do Canto e Liliana Sulzbach. Eu vou. Vamos?
Ando sumida, sem tempo para muito mais do que 140 caracteres. O Twitter, no entanto, não pára.
O pessoal da Zero Hora me pediu ontem um texto falando sobre a influência das redes sociais nos relacionamentos humanos. Daí saiu o texto que foi publicado na página 5 do jornal de hoje, e eu reproduzo abaixo.
Como assim, virtual?
Facebook, Twitter, Last.fm, LinkedIn, Na rede, Interatores, Orkut, del.icio.us, Flickr. Entre em alguma dessas redes sociais, e é batata: meu nome está lá. Em todas, a pessoa física Cássia Zanon virou cassiazanon – ou @cassiazanon, no caso do Twitter. Seja por necessidade profissional ou gosto pessoal, estão lá o link para meu blog, meu currículo, as músicas que tenho ouvido, comentários sobre o dia-a-dia, sugestões de artigos sobre assuntos que me interessam e, imagino, interessam a quem me interessa.
Dentro desses sites, reencontro amigos de infância, do colégio, da faculdade, colegas e ex-colegas de trabalho. Também faço novas amizades e entro em contato com profissionais reconhecidos nas minhas áreas de atuação. Para quem está enfronhado no mundo digital há uma década, isso não chega a ser uma novidade. A novidade é a adoção dos novos meios de relacionamento por parte de cada vez mais pessoas.
Antes mesmo de surgirem as ferramentas, as redes sociais se montavam em blogs, sites e listas de discussão por e-mail. Exatamente como no mundo físico, em que as pessoas há séculos se reúnem em torno de interesses comuns em confrarias, clubes e associações. A diferença é que as associações de agora não respeitam mais distâncias e abrangem muito mais gente.
Apesar de inúmeras provas em contrário, ainda há quem fale da superficialidade das relações engendradas na internet. Só que não necessariamente os perfis virtuais são diferentes das pessoas reais. Como na vida civil, aliás, há de tudo: relacionamentos profundos e encontros de conveniência, alianças profissionais importantes e agressões gratuitas, quem se expõe menos e quem se expõe demais, quem é igual no Orkut e na happy hour e quem se transforma atrás do escudo do anonimato. Já é praticamente ponto pacífico que não são as ferramentas as responsáveis pelas características das redes sociais virtuais, mas sim as mesmas pessoas que fazem da nossa sociedade o que ela é.
A teoria dos seis graus de separação não surgiu com a internet, mas estudos já sugerem que a distância entre duas pessoas seja menor graças a ela. Assim como os 15 minutos de fama hoje são medidos em bytes. Cada segmento da sociedade está ali representado, e cada um deles tem seus microfamosos. As redes sociais virtuais dão origem e espaço a mais formadores de opinião. Os círculos de influenciadores deixam de se restringir apenas à mídia tradicional. Exatamente como na vida real. Só que mais rápido, e em maior volume.
Em 25 de março, com o lançamento do site clicEsportes, nasceu também a rede social Na rede – narede.clicrbs.com.br. Entre os idealizadores dos sites, havia a dúvida: será que alguém precisa de mais uma rede social? Os mais de 3,5 mil internautas que aderiram ao ponto de encontro em 25 dias parecem atestar que sim.
Pouco antes de sair a caminho do supermercado para comprar os ingredientes do Frango à Marengo que pretendo preparar amanhã ao meio-dia, resolvo revirar o arquivo do meu blog para achar um post em que lembrava ter listado todos os ingredientes. Encontrei-o aqui neste link. Havia sido publicado em 13 de abril de 2008. Um ano e uma semana atrás.
Antes de fechar o navegador, resolvo dar uma olhadinha na central de blogs do clicRBS. Qual o último post atualizado? Este aqui, do Anonymus, com a dica do dia: Frango à Marengo.
Coincidências à parte, o Zé Antônio que me perdoe, mas acho que a minha receita é mais gostosa.
Bom feriado!
;-)
Os dias estavam lindos, maravilhosos, agradabilíssimos. Mas como não dá para passar o tempo todo na rua, aproveitei os momentos de folga para ver alguns DVDs e um filme na TV. A seguir, minhas breves e superficiais considerações, para registro.
Apenas uma vez - Mesmo com tudo o que se falou do filme, eu demorei a me mexer e ver. Só não me arrependo da demora porque foi excelente ter algo tão encantador ainda por ver num feriado de Páscoa. Lindo, lindo! Agora eu PRECISO da trilha sonora.
A Outra - Sobre as irmãs Bolena. Bem mais ou menos. Vi no Telecine Premium depois de já passada a primeira meia hora. Únicas observações: o que é de linda essa Scarlett Johansson e o que é de canastrão esse Eric Bana?
Amor e Inocência - Bonitinho. Me deu vontade de ler Jane Austen. E rever os filmes baseados na obra dela. Ainda bem que não gastei com ingresso de cinema, though.
Madagascar 2 - O roteiro é divertidíssimo. Vale prestar muita atenção nas paisagens e na coreografia à Bob Fosse do leão Alex.
Nossa vida sem Grace - Independente com o John Cusack fazendo papel de um pai viúvo. Bonito. Mas meio deprê. As menininhas são uma graça.
Para saber mais sobre o assunto, clica aqui.
Cássia Zanon
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