
Este blog participa do evento na Praça da Alfândega, de 31 de outubro a 16 de novembro
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O Hospital Psiquiátrico São Pedro está comemorando 125 anos hoje, dia 29 de Junho de 2009. Do dia 26 ao dia 29 de Junho, foi realizada a 2ª Jornada de Psiquiatria e Saúde Mental, que teve como tema "São Pedro e a epidemia do Crack". O hospital também conta com uma organização não-governamental chamada "Amigos da Memória do Hospital Psiquiátrico São Pedro", a AMeHSP, presidido por Vera Calegaro. A contribuição da ONG para a festa dos 125 anos da história foi a restauração da porta de entrada do Pavilhão A. Hoje, com a presença de médicos, funcionários, convidados, do diretor geral do HPSP, Luiz Carlos Illafon Coronel, da governadora Yeda Crussius e de sua filha, Tarsila Crussius, foi apresentada a porta restaurada, vista na foto acima.
Ilustração do ContoFoto: Arquivo Pessoal |
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Depois de um tempo sumido, o Conto de Sábado está de volta. O conto é "Nossa Felicidade", já publicado em "Um Céu Tão Estrelado Quanto Esse". Já aviso que é longo - então, quem for semianalfabeto ou preguiçoso, é melhor desistir agora...
Espero que gostem!
(por sinal, o conto é de antes da reforma ortográfica - então, se tiver alguma "idéia" por aí, ignore-a)
Trancou a porta, caminhou até o interruptor de luz e o desligou. No escuro, colocou seu ursinho de pelúcia embaixo do braço e entrou nas cobertas. Deu boa-noite para o Jesus Cristo que morava acima de sua cama e mandou um beijinho para a lua que brilhava entre a persiana da janela. Eram recém sete horas e vinte e sete minutos de sexta-feira, mas ele decidira ir dormir mais cedo aquele dia. Detestava sextas-feiras, pois era quando os pais mais tinham contato. De segunda a quarta a mãe trabalhava até mais tarde, nas quintas o pai jogava boliche. Porém, nas sextas-feiras os dois acabavam passando a noite toda em casa, e isso nunca dava em boa coisa.
Escutou a porta da entrada ranger. Era a mãe chegando. Escutou o pai resmungar algo, talvez dar-lhe as boas vindas. O garoto tremeu na sua cama. Em pouquíssimo tempo, como era tão costumeiro nas sextas, ouviu o barulho de cadeiras sendo empurradas, mesas sendo deslocadas, vasos sendo mudados de lugar e vários talheres se batendo. Era assim sempre. Ouvia os pais gritarem, excitados, algo que lhe parecia xingamentos e juras de morte. Após algum tempo, chegou, tão repentinamente quanto o começo, o fim. Na finalmente muda calmaria da noite, o garoto podia ouvir o vento cálido batendo nas árvores. Fazia calor. a maioria das crianças não gosta ou tem medo do vento soprando, mas, para esse menino, o som era calmante e aconchegante, pois era o sinal de que os pais haviam parado de fazer barulho, de gritar e de 'interagir', sendo que fazer barulho e gritar era a única maneira que eles sabiam interagir. O sibilar do vento era especialmente bom nas sextas-feiras.
Logo, o barulho recomeçou. Os dois estavam gritando, urrando e mexendo nas coisas novamente, mas dessa vez ainda mais intensamente. o garoto tinha vontade de tirar a coberta que tapava sua face e gritar ainda mais alto que eles, urrar de maneira mais eloqüente que eles, mexer em mais coisas e de maneira mais rápida que eles. Talvez assim eles parassem e o deixassem dormir. Talvez. Porém, pensou, nunca saberia, pois lhe faltavam coragem para gritar, força para urrar e vontade para mexer. Provavelmente, ficaria simplesmente deitado ali, como sempre, esperando que o barulho acabasse, tentando dormir apesar de tudo.
Quando ouviu passos na escada, notou que a pior parte estava por vir. a mãe abriu a porta.
- filho, querido, por que você está fechado aqui? Está muito calor, deixe a porta aberta! o pai ligou o ar condicionado do corredor.
- ah, ah... Tudo bem - ele detestava o frio. Fazia realmente muito calor, mas o geladinho do ar condicionado era mil vezes pior. Com o calor, sentia como se o tocassem, como se alguém o segurasse ternamente, como se ele pertencesse. Mas com o frio era diferente, parecia que não havia ninguém lá, que ninguém o tocava, que ele estava vivendo a alguns metros da realidade. Na verdade, sabia que tudo isso era verdade: a ausência de alguém, a solidão, a sua desconexão com a realidade, mas o calor pelo menos o fazia sentir-se diferente do que era, fazia-o sentir como se fosse amado, como se tivesse alguém, como se fosse real.
- você já está de pijama, filhão? - era o pai.
- sim, sim, estava pensando em ir dormir mais cedo e...
- mas as visitas vão chegar às oito! Você já devia ir se arrumando!
- ah, não sei estou me sentindo muito bem...
- o que? Verdade? Mãe, precisamos levar esse guri prum hospital!
- é verdade, querido! Vou ligar pros convidados e dizer que a festa está cancelada!
- não, não, pai, mãe, tudo bem... Eu estou bem. Acho que era o calor do quarto fechado - mentia - então, quem vem aqui hoje?
- a Elizabeth, o Nestor, a Magda e o namorado novo da Magda.
- mas mãe, por que a festa das sextas sempre é aqui em casa?
- o que, querida? Você convidou a Magda?
- sim, querido, eu gosto dela.
- tudo bem, mas... Você não acha ela meio... Atirada?
- atirada? Bom, sim, mas mesmo assim, nós não a convidávamos pra uma das nossas festas desde...
- sim, eu sei, querida, mas aquela vez ela deu em cima do Ricardo e...
- ora, o Ricardo também é de aprontar das suas! Tenho certeza que não foi apenas culpa dela.
- ah, provavelmente não, mas mesmo assim...
O garoto limitou-se a escutar a escalação do dia e os defeitos que o pai punha na Magda, sem a menor vontade de ter de agüentar a Elizabeth falando de como a droga do seu filho Gustavo - ou 'Gutinho' - era perfeito. Levantou-se e colocou por cima do pijama uma camisa social e uma calça folgada, que quase venciam o frio do ar condicionado.
Em alguns minutos, estava plantado na cozinha, segurando uma grande bandeja com os pratos de entrada da janta. Os pais gostavam quando ele trazia as entradas, pois os convidados achavam o máximo. Ele realmente detestava, mas tinha medo de falar: os pais eram realmente felizes. a mãe era provavelmente a garota mais linda da classe de '89, o pai fora capitão do time de lacrosse da faculdade. a mãe era a dona de uma empresa e o pai era tão cotado na sua que tinha o luxo de trabalhar em casa. Não tinham problema com dinheiro. Deviam fazer sexo umas três ou quatro vezes por semana, no seu quarto, sem fazer barulho para não acordar o filho, sussurrando juras de amor no ouvido do outro. a mãe cozinhava muito bem, o pai tocava o piano enquanto ela fazia a janta pra deixá-la ainda mais feliz. A felicidade escorria de todos os poros daquela relação. Na verdade, havia apenas uma coisa infeliz naquela casa: o garoto. Tirando ele, era um ambiente perfeito.
Certa vez, na escola, o tema de artes plásticas era pintar um auto-retrato de sua família. Quando chegou em casa, o garoto - sabendo muito mais de simbolismo e metáforas do que alguém de sua idade deveria saber - desenhou duas maçãs redondinhas e vermelhíssimas, com uma pinha entre as duas, ferindo-as e arranhando suas superfícies lisas. para ele, era assim sua família: ele não passava de uma espécie de pinha espinhosa que fora atirada por engano ali no meio das duas maçãs perfeitas, com a única função - mas sem a intenção - de desarmonizar a perfeição das maçãs, redondas e vermelhas. Tirou zero no trabalho e pegou recuperação em artes plásticas.
Escutou a mãe chamar. Entrou na sala de jantar, carregando a bandeja com os pratos. Estavam ali a Elizabeth - provavelmente mais gorda do que a última vez que a vira e certamente mais gorda do que o ministério de saúde advertiria -, o Nestor - parecendo, como sempre, fumaça, quase apagado, quase imóvel, mas ainda assim passageiro -, a Magda - que era realmente bonita - e o novo namorado do Magda - que era eu. Quando vi a expressão na cara do garoto, entendi logo tudo: ele, apesar de todos abraços da mãe e do pai, se sentia intocado; apesar de todos amigos e amigas, se sentia sozinho; e, apesar dos beliscões doerem e dos fósforos queimarem, sentia como se não fosse desse mundo. Fiquei surpreso ao notar tudo isso, não pelo fato em si, estou acostumado a ver isso, mas apenas em poucos garotos mais velhos com singular azar ou em quase todos homens calejados. Pra falar a verdade, era a primeira vez que eu via isso em um garoto de menos de dez anos. Quase engasguei com a vodka que bebia ao ver os seus olhos.
- então, Elizabeth, Nestor, Magda, vocês já o conhecem, Tiago, esse é o nosso filho.
- ah, prazer - eu disse.
- prazer, Tiago - ele respondeu, tentando parecer simpático. A vaca da Elizabeth fez beiço. Obviamente, ele não parecera simpático ao tentar ser, mas o simples esforço de tentar já lhe dava certo crédito. Na verdade, a implicância da gordona era porque, naquele ano, o pobre garoto havia tirado dez em literatura quando o idiota do Gustavo recebera nove.
- hei, garoto, você vai comer tudo isso sozinho? - perguntou a Magda, referindo-se aos pratos que ele carregava na bandeja. Devo admitir que a Magda era bem espirituosa. nesse momento em particular, tentava ser engraçada. Até conseguira, mas o garoto não riu.
- oh, não, não, são os pratos de entrada, a mãe pediu pra trazer e... - estava sem jeito.
- tudo bem, querido - interpelou sua mãe -, pode ir pro seu quarto, ele está muito cansado! Diga boa noite pras visitas, filho.
- boa noite...
- boa noite, querido - respondeu o pai.
- boa noite - disseram os outros. Eu fiquei quieto.
Vimos o garoto subir as escadas, no seu lento e triste ritmo, o ritmo de quem sabe que não vai poder dormir a noite toda por causa da festa cheia de alegria que acontecerá na sua sala de jantar, o ritmo de quem não se sente amado, o ritmo de quem tem medo do frio e acha que não pertence à realidade.
- sabem - finalmente começou a Elizabeth - hoje o gutinho está dormindo na casa do professor Nestor! - olhei para o marido da Elizabeth, o Nestor, mas acho que esse tal de professor Nestor e ele não eram a mesma pessoa. Afinal, o Nestor que eu via permanecia mirando a parede, com aquele olhar de lagarto que sabe que sua vida não vai mudar muito, nem pra melhor nem pra pior, e nem se importa com isso - o professor Nestor disse que o gutinho é muito bom em matemática. Ele queria assistir com o gutinho um filme sobre um matemático famoso, tanta fé ele tem no gutinho - me admirei dela deixar o filho ir dormir com um desconhecido. Eu não deixaria - hei, o professor Nestor não convidou o seu filho? - referia-se ao garoto. Me emputeci. Era o típico caso de mãe exibindo o filho para fins ilícitos.
- sim, mas eles não deixaram o garoto ir - eu respondi, fazendo aquilo que tão comumente fazia e deixando de lado as regras do convívio social saudável - por causa das acusações do professor Nestor ser um pedófilo.
- o que? - a velha bufava.
- é, você não soube? - girei o copo de vodca na minha mão. os gelinhos tilintaram - o professor Nestor é um foragido. Aparentemente, ele come criancinhas.
- como você ousa falar assim do p...
- pessoal, sirvam-se! - era a mãe do garoto interrompendo a discussão. A Elizabeth, gorda como era, parou sua frase e atracou-se no prato dos camarões, quase esquecendo das minhas invenções sobre o professor Nestor. a mãe do garoto suspirou, aliviada. Incrivelmente, ela fizera a mediação da briga não por ser a anfitriã, mas porque era uma boa pessoa que não queria ver o circo pegar fogo. Difícil encontrar isso. Olhei pra Magda. Ela me fitava com aquela expressão de 'você não vai, não de novo', lembrando-se das várias vezes que eu arranjava brigas que, para ela, eram sem motivo de ser. O Nestor mordiscava um pão, ainda olhando pra parede. o pai do garoto comia os camarões que a Elizabeth derrubava de seu prato. A mãe do garoto me encarava, quase implorando que eu parasse de provocar a Elizabeth. Eu levantei o copo de vodca para ela, que era minha maneira de dizer 'não'.
Como toda festa que se torna jantar, as pessoas comiam compulsivamente, sem parar, empanturrando-se de comida muito mais do que precisavam ou deveriam, e ninguém falava. eu bebericava minha vodca, sob o pretexto de já ter jantado em casa. Tentava fazer o mínimo de barulho, imaginando que o garoto queria dormir.
- sabem - começou de novo a Elizabeth, que finalmente parecia ter comido o bastante - o gutinho nesse domingo aprendeu a andar de bicicleta. Sem rodinhas! Incrível, não é? - pensei em dizer que até demorou um pouco, mas decido atender aos apelos da mãe do garoto e da Magda e mudo de assunto:
- vocês não acharam o garoto meio triste?
- meu filho? - era a mãe.
- sim, ele.
- bom, ele está meio cansado e...
- não sei, ele parecer ser experiente nisso.
- nisso o que?
- ser infeliz.
- o que? - o pai interveio. Olhei pra Magda. Ela tapou a face com as mãozinhas. Tinha certeza que eu ia brigar e ser expulso da festa. É, provavelmente eu ia mesmo.
- infeliz. Seu filho parece ser miseravelmente infeliz. Alguém deveria falar com ele sobre isso.
- TIAGO! - era a Magda. Puxou-me pelo braço e me levou pra fora. Disse que já voltava pros amigos. Lá fora, no jardim da família de maças com pinha, começou a sussurrar quando queria gritar - Tiago, você tá maluco? Como assim, 'seu filho é infeliz, ele devia ser tratado'? Que tipo de pai vai gostar de ouvir isso?
- eu não disse que deveria ser tratado, só que alguém deveria falar com ele... E realmente, alguém deveria falar com ele.
- e esse alguém por acaso é você?
- não, claro que não, eu também sou infeliz. Tem que ser alguém legalzinho. Podia ser você, Mag.
- o que? Eu tenho cara de psiquiatra?! - ela gritou. Eu não gostava muito quando ela gritava, mas pelo menos assim seus peitos sacudiam. Dei uma olhada nos seus peitos. Eram belos peitos.
- é claro que não, amor, você não tem cara de psiquiatra...
- se eu deixar você voltar, você se comporta? - levantei o copo de vodca pra ela - isso é um não, né?
- é.
- por que você se recusa a agir dum jeito aceitável? Por favor, eu te amo - ora, que amor - mas você não pode ficar fazendo barraco e arrumando briga toda vez que a gente sair!
- ah, não! Mas você viu aquela gorda? Ela fica falando dessa droga desse gutinho o tempo todo, como se fosse alguma coisa especial e...
- o gutinho é super inteligente.
- aposto que esse garoto é muito mais.
- ah, por favor, não embeste em defender o garoto. Se a mãe dele não fez nada, por que você foi fazer?
- você sabe que eu não consigo deixar esse tipo de coisa passar impune.
- ora, pare de agir como um justiceiro ou algo assim!
- tá, desculpa. Deve ser a vodca. Volta pra festa dos teus amigos, se diverte. eu vou pra casa. Se quiser, me liga quando chegar.
- te amo - ela realmente parecia me amar quando eu ia pra casa ficar longe dos amigos dela.
- também te amo - a beijei e ela se virou. Aproveitei e dei uma olhada na sua bunda. Era uma bela bunda. Notei que no caminho ela imaginava o que ia dizer pros outros convidados, alguma desculpa que meu patrão me chamou ou algo assim. Ela entrou na casa.
Olhei pra janela no segundo andar. Através da persiana, pude ver o garoto. Sua silhueta escura e imóvel parecia estar ali faz horas, escutando toda nossa conversa. Abanei para ele. Ele abanou de volta. Tentei dar um sorriso bem simpático. Tentei colocar um pouco de significado no sorriso. Queria dizer que era normal ser infeliz assim, que não tinha do que ter vergonha, mas que nem tudo era tão ruim, que o frio não era tão gelado e que, de uma maneira ou de outra, ele pertencia à realidade. Olhei uma última vez pra sombra na janela, me virei e fui.
No caminho, imaginei se ele era exatamente como eu quando pequeno. Parecia bastante. Eu, agora, porém, tinha mudado, estava mais otimista e cheio de sorrisos. Sempre tivera a perspectiva de estava sozinho e que nunca seria feliz, mas amolecera ultimamente. É que algumas coisas me deixavam não-infeliz. Os peitos e a bunda da Magda. O jeitinho como ela escondia a face quando eu ia fazer alguma idiotice. O barulhinho do gelo tilintando no meu copo de vodca. O sopro do vento nas sextas-feiras. A cor do meu cobertor recém-lavado. Tudo isso eu amava. Não me davam motivo o bastante para ser feliz, mas me deixavam, pelo menos, faceiro. Olhei pro céu e pedi a Deus que ele desse pro garoto algumas dessas coisas, coisas que o fizessem ligeiramente feliz, e que ele não tivesse que conviver sempre com gente feliz, pois não há maldição maior do que essa.
A Magda ligou aquela noite. Aparentemente, com a minha saída, a festa ficou muito chata. É, ela sempre diz isso.
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Nessa semana participei da 19ª Feira do Livro do Rainha do Brasil. Foi tudo muito legal, e eu queria agradecer à organização, à todos que compareceram e participaram das palestras: Muito obrigado, e até ano que vem!
p.s.: as fotos estão menores e sem qualidade. Quem quiser as originais, mande e-mail pedindo e dizendo qual quer para carlosaugusto52@gmail.com :)
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Aí estão as fotos da Feira do Livro da escola Nossa Senhora do Brasil!
Já é o terceiro ano que participo da Feira, e só tenho coisas boas a dizer desse nosso relacionamento: os alunos são super educados e queridos, as professoras são ótimas e carinhosas educadoras, e é tudo muito organizado. Como sempre, as cerimônias de abertura e encerramento foram destaque, com apresentações de dança, canto e teatro.
Realizei contação de histórias do livro "Cadu na terra do sol nascente", e também dei aulas de inglês, ensinando algumas coisas sobre os animais, divulgando o livro "Cadu and the Animals".
Também participaram da Feira do Livro a escritora Iria Poças e o cantor-escritor-compositor-surfista Gabriel, o Pensador, que divulgava seu livro "diário noturno". Trocamos dedicatórias rapidamente e ele partiu, mas levando minha caneta de autógrafos - que foi prontamente devolvida. Valeu, GoP! Eu não sei o que seria sem minha caneta de autógrafos...
Aproveito para mandar um grande abraço à todos do NSdB, agradecendo, mais uma vez, pelo carinho e pela recepção. Até ano que vem!
(p.s.: as fotos estão menores e sem qualidade, quem quiser as originais, mande e-mail pedindo e dizendo qual quer para carlosaugusto52@gmail.com )
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Não sei muito bem como, mas algumas pessoas simplesmente foram abandonadas por tudo aquilo de humano que tinham. Se no passado tiveram um traço de poesia em si, apagou-se com o tempo...
Em indeterminado pedaço do caminho, em certa curva da estrada, deixaram seu semblante repousando no chão, tal como os velhos chinelos de um peregrino cansado. Agora já sem ensaiar emoção alguma, cobriram-se de uma camada de falsidade e, meras réplicas de cera de um museu, já não parecem gente.
A protuberância chamada nariz, as curvinhas chamadas orelhas e os furinhos chamados olhos estão todos lá - sem nenhum garantir a presença de uma alma. São apenas carne que roça, ossos que rangem e músculos que movem... Animais, plenamente, mais do que nunca, infinitamente - jamais, outra vez, seres humanos.
Vivem sem esquecer do ontem e sem tirar o amanhã da lista de compromissos - ainda que esquecendo por completo o agora, compreendido como sendo apenas a eterna fuga da angústia que os persegue aos quatro cantos de tudo. Esmagados pelas rodas da obrigação e aquecidos pelo berço do esquecimento, descem montanha abaixo cantando músicas de perdão e salvação - sabendo que, por mais que, desesperados, almejem, nunca terão nenhuma das duas.
Quiçá, tal aperto no peito seja sua derradeira poesia.
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Acabei de voltar da Feira do Livro do Colégio Marista Pio XII! Fiz palestras com as quartas, quintas e sextas séries, e foi tudo ótimo! Muito obrigado a todos que fizeram essa Feira do Livro inesquecível :)
Seguem as fotos, que estão com resolução ruim e agrupadas... Quem quiser em tamanho original, é só mandar um e-mail dizendo qual foto quer para carlosaugusto52@gmail.com :)
Dance like no one's watching |
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Vivemos de alegria e desencontro, de aperto e desabafo. Entre tantos altos e baixos, entre tanto amanhã para pouco ontem - ou o contrário -, precisamos de algum tipo de terapia.
Não daquelas com divã e psi-cólogo/quiatra, mas daquelas que você mesmo faz, do jeito mais simples e leve possível. Desde os quinze minutinhos a mais na cama até a fuga de meses para lugar nenhum, desde não atender o telefone quando saco enche até esticar a língua quando alguém vira de costas, encrustamos nossa vida das mais variadas cores: maneiras sublimes e fugidias de evitar algum mal maior.
Uma das minhas terapias favoritas é escutar música na janela. Coloco uma cadeira ali e, do topo do meus olhos, vejo a cidade se contorcer. Os carros ultrapassam os sinais de todas as cores, os casais alongam encontros em portões - às vezes desembocando em discussões -, e algumas almas perdidas vagam sem destino algum. Eventualmente passa uma moto trovejando, rasgando o silêncio e a paz de um jeito que só bons motoqueiros sabem fazer. Tento não me perder na busca de saber da onde essas pobres pessoas da noite vêm, e ignoro para onde vão... E assim apenas e somente me contento com a melodia que me enche os ouvidos e a alma.
Dia desses, porém, minha terapia de música na janela superou todas minhas expectativas mais generosas: um dos meus vizinhos é um dançarino enrustido.
Todo dia, religiosamente, ele vai até o seu quarto, coloca algum CD para tocar alguma coisa, e dança até cansar. Quando alguém bate à porta, ele pára, atende a pessoa e, uma vez despachado o compromisso, volta para sua dança. E dança, dança e dança. Até suas pernas não aguentarem mais - quando então vai dormir.
Esforçado e apaixonado, dança como se ninguém estivesse olhando - e, de fato, deve achar que ninguém está olhando. Eu, porém, admiro a sua dedicação e força de vontade. Fico até mesmo procurando uma trilha sonora no meu fone que combine com aquilo que meu vizinho dança - tentando criar um certo entrosamento entre nós dois.
Tudo isso, claro, é importante não pela dança em si, mas pela forma como ela é dançada - tão livre, tão revigorante, tão cheia de motivos para sorrir. Acho que, se metade das pessoas dançasse escondida, o mundo seria um lugar melhor - e seria um lugar perfeito se, a outra metade das pessoas ficasse olhando, pensando em como tudo aquilo era importante para nossa sociedade.
Mas quem sabe eu devesse praticar outro tipo de terapia, daquelas com divã.
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Acabei de voltar da Feira do Livro do Colégio Dom Feliciano! Foi muito legal, e eu gostaria de agradecer a todos os alunos, professores e coordenadores que fizeram dessa Feira do Livro um exemplo de diversão, organização e amor pela literatura! Seguem as fotos, que estão pequenininhas e agrupadas... Quem quiser em tamanho original, é só mandar um e-mail dizendo qual foto quer para carlosaugusto52@gmail.com :)
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Nessa quinta-feira e nesse sábado participei da III Feira do Livro Interescolar e do Dia da Solidariedade de Belém Novo, ambos eventos promovidos pela escola Madre Raffo, com participação da Escola Pedro Américo e EEEF Evarista Flores da Cunha. Foi tudo muito legal, e eu queria agradecer à organização das escolas, à todos que compareceram e participaram das palestras, e também à todos que foram nesse sábado frio receber seus autógrafos: Muito obrigado!
...e seguem as fotos :)
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E hoje foi Dia das Mães!
Sempre que passa uma dessas datas bobas com as quais todo mundo se importa, eu primeiramente penso em como tudo é uma questão de ponto de vista. Afinal, Dia das Mães é um dia como qualquer outro - e seria muita crueldade minha esperar logo o segundo domingo de Maio para ser legal com aquela mocinha que prepara meu prezado almoço todo santo dia. E além do mais, é uma data comercial, que só fica atrás do famigerado Natal no ranking de "dias de compras" - e seria hipocrisia minha colaborar com lojas que, de tão ardilosas, usam até minha mãe como pretexto para vender seus produtos, não é mesmo?
Depois de pensar tudo isso, corro até atrás da porta (onde escondo os presentes que compro), pego o cartão e o pacote, e entrego pra minha mãe, que fica feliz da vida com sua nova cafeteira (presente nem um pouco original - mas ainda assim útil, divertido e, para melhorar o que já está bom, faz café).
Acabei passando por vários lugares e por vários grupos de pessoas hoje. Lá pelas tantas, fui visitar minha vó, e precisei estacionar o carro (coisa que faço todo dia, e não só no Dia das Mães). Como a rua estava lotada de carros - coisa muito incomum -, fui até longe, e parei perto do jardim de um velhinho que estava regando suas plantas, um dos últimos lugares do mundo onde tinha vaga para se estacionar. Como todo bom velhinho que rega suas plantas aos domingos, ele puxou assunto, e eu expliquei que estacionara longe de onde ia porque a rua estava lotada.
"É", ele respondeu: "todo ano é assim. Dia das Mães, a rua lota. Sabe por quê?"
Eu respondi que não sabia, achando a resposta "ora, porque é Dia das Mães" meio incosistente.
"Porque a mãe normalmente vive além do pai. Quase sempre é a mãe que morre mais tarde do que o pai. E pais, garoto, são coisas que nós só damos o devido valor depois da inevitável e dolorida perda. Então, sendo hoje o Dia das Mães, milhões e milhões de órfãos-por-parte-de-pai acordam e pensam: 'hoje vou visitar minha mãe, que cuidou de mim e me ama... Quero passar o máximo de tempo possível com ela. Na verdade, eu queria ter passado mais tempo com meu falecido pai'. É isso que as pessoas pensam, e daí vão correndo pra casa da mãe, estacionam na rua e almoçam. É tudo muito bonito, mas tem um ar de remorso pairando sobre essa data."
Assustado pela capacidade de síntese e explanação do velhinho, limitei-me a ficar boquiaberto, sem dizer nada, apenas concordando: ele estava coberto de razão. Quando notou que eu não falaria mais nada, continuou:
"Mas comigo é diferente. Tive azar de viver além da minha esposa, e agora disfruto do carinho dos meus filhos, que entenderam o quanto os pais são importantes e passageiros. Então, garoto, quando você vier aqui no Dia dos Pais, a rua estará quase vazia. E, quando estiver, aproveite para olhar para o meu quintal - no Dia dos Pais, dois carros estacionam aqui na frente".
Ele sorriu aquele sorriso de velhinho sábio e cinematográfico, e eu fui caminhando até a casa da minha vó - e foi isso que eu aprendi no Dia das Mães de 2009 (pretendo estacionar no mesmo local em 2010).

O escritor Carlos Augusto Pessoa de Brum, de 22 anos, fala de tudo um pouco - desde literatura até festas, desde filosofia até shows e desde cinema até música -, sem perder o bom humor... Bom, pelo menos tentando não perder o bom humor. E-mail: carlosaugusto52@gmail.com LIVROS DO AUTOR
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