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Shabu-shabu do Tonghai |
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O shabu-shabu já pode ser encontrado em Porto Alegre. Saí agora há pouco do Tonghai, um excelente restaurante chinês quando você pode encomendar alguns pratos especiais. É o caso dos banquetes comemorativos, é o caso também do shabu-shabu, o fondue chinês que já mencionei algumas vezes no Cookies. Para saboreá-lo, você deve ligar com 48 horas de antecedência e garantir um mínimo de quatro pessoas para a refeição.
O shabu-shabu de hoje constava de uma panela com caldo de ave, fatias muito finas de carne bovina e diversos acompanhamentos, todos levados crus à mesa e cozidos nessa panela com o caldo fumegante. Na lista de ingredientes constavam:
- bolinhos de peixe
- bolinhos de camarão
- camarões grandes
- massa de feijão verde muito fina
- cogumelos
- broto de feijão
- pastéis feitos com uma fina omelete e recheados com carne de porco e agrião [as omeletes são preparadas delicadamente numa concha levada diretamente ao fogo]
- fatias de vela (uma massa feita de arroz)
- tofu
- acelga
- couve-chinesa
- agrião
Depois de fartar-se com os cozidos, resta o caldo. E este caldo fica divino depois do cozimento de todos os ingredientes.
Restaurante Babbo, do chef Mario Batali, em Nova York |
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Antes de viajar para Nova York, eu li Calor, livro em que o jornalista Bill Buford conta suas aventuras como escravo na cozinha de um dos maiores chefes de cozinha de Nova York, Mario Batali [leia meu comentário sobre o livro aqui no Cookies]. O restaurante do extravagante Batali que serviu para as experiências de Buford é o Babbo, escolhido o melhor restaurante de Nova York em 98. Pois, da leitura surgiu a curiosidade e resolvemos tentar uma reserva para o menu degustação do Babbo. Conseguir uma mesa no restaurante seria quase impossível se não fosse o escalonamento: há reservas para as 17h, 20h e 22h15. Conseguimos nesse último horário e tivemos que regular muito o apetite nas horas que antecederam o jantar. O Babbo é um restaurante menor do que eu esperava, com um bar na entrada, uma mesa de operações dos garçons colocada estrategicamente no centro do restaurante e um mezanino com mais mesas. Ah, e uma enoteca fenomenal. Decidimos fazer o tasting menu, mesmo depois de experimentar um pão italiano não tão animador logo na chegada. O menu degustação começou bem com um Culatello com fiddleheads e pecorino. O culatello é um presunto cru italiano cortado em fatias muito finas e fiddleheads são brotos de folhas muito jovens - e ainda enroladas em espiral - da samamabaia. Eu nunca havia provado esse vegetal estranho, com um gosto que lembra vagamente o aspargo verde, e com uma textura levemente crocante. Começou bem. O segundo prato foi um papardelle com morels e tomilho. Eu adoro papardelle e este estava delicioso. Os morels são cogumelos difíceis de encontrar por aqui e muito saborosos. Era o segundo prato e este também trazia queijo pecorino. O terceiro prato era um tortei de pato com sugo finto, um molho à base de tomate, vinho e algumas especiarias. Sugo finto quer dizer molho falso porque, embora aparente, ele é feito sem nenhuma carne. O molho estava delicioso, mas o prato não chegou a ser marcante, exceto pelo uso de mais queijo pecorino. O quarto prato estava maravilhoso e foi o melhor da noite: Galinha da Guiné assada com fregula verde e vinagrete de trufas negras. Um nome pomposo para um prato maravilhoso. A fregula é uma massa originada na Sardenha e consiste em pequeníssimos pedaços quadradinhos de massa feita com semolina. [aqui uma foto do prato] Depois um Coach Farm's Finest com sementes de funcho e mel. Uma fatia de queijo fresco de cabra, um pouco picante, servido com uma porção de mel e sementes de funcho que fazem um trio interessante de sabores. Mas aí já era queijo demais. Depois, mais três sobremesas, todas elas para cumprir tabela, sem nenhuma distinção. Pensamos na saída que o D.O.M., do Alex Atala, dá de dez no Babbo. Fui ver a lista da revista Restaurant e ele está em 90º atrás do Fasano, outro brasileiro na lista dos 100 melhores. De qualquer forma, ainda é uma excelente posição. Batali tem outros restaurantes e um que experimentamos foi a pizzaria Otto, também citada no livro de Buford. Um simpático pão italiano embrulhado em papel e azeite de oliva para começar. Depois salada caprese e uma pizza sensacional. Massa fina e crocante. Comemos uma bem simples, mas saborosa. Levava molho de tomate, queijo pecorino, claro, e um bom e velho ovo frito pousado no centro do disco. Espalha-se o ovo na superfície da pizza e bom apetite! Recomendo.
Bagel no Ess-a-bagel |
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Nas listas que buscamos do melhor bagel de Nova York, o Ess-a-bagel, na First Avenue, era quase sempre o primeiro. Batemos por lá já com alguma fome e por isso pedimos dois bagels, pães diferentes, um tradicional e outro de pumpernickel (com um maravilhoso toque de kümmel). O recheio era o mesmo em ambos: salmão defumado fatiado à faca, cream-cheese, cebola crua e alcaparras. Uma maravilha nem sempre fácil de encontrar por aqui. [Na rede do Cookies coloquei um vídeo que mostra como preparar o bagel novaiorquino em casa. Quem se candidata?]
Quando viram que éramos brasileiros de Porto Alegre, começaram a falar em futebol, perguntaram o que achávamos do Dunga, e um dos atendentes, de origem árabe, estranhamente começou a falar de ex-jogadores do Inter: Pato, Iarley, Fernandão... Ele era torcedor do Al Alhy, o clube egípcio derrotado pelo Internacional antes da final com o Barcelona em 2006.
Deu 1x1, ele se rendeu ao Inter e nós ao bagel.
Knishes, Woody Allen e o knish do Sabra no alto |
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Eis que lá pelo terceiro sanduíche de pastrami que comemos nas delis de NY, me chamou a atenção: o que é esse tal de knish que todos os cardápios oferecem? Uma busca rápida pela Internet me informou que é um quitute de origem judaica, feito à base de batata, com uma massa de farinha ao redor, podendo ou não ter outros ingredientes envolvidos, como cebola, repolho roxo.
Decidida a ampliar o meu sempre elástico universo gastronômico e o do Sérgio por tabela, pus no campo de busca "best knish" e "new york". Encontrei várias menções ao knish de Yonah Schimmel (fundador da bakery que leva o nome) como sendo o melhor de NY. O entusiasmo me contagiou e imaginando uma iguaria que rivalizaria com o pastrami pelo título de quitute judaico preferido (meu), concluí que eu não podia mais viver sem experimentar o tal knish.
Yonah Schimmel fica no Lower East Side, ou seja, no sul de Manhattan, nem sempre no caminho do cristão. Numa sexta-feira arrastei o Sérgio para lá, mas, quando chegamos, cansados de tanto caminhar e mortos de fome, o estabelecimento já estava fechado. Voltamos no dia seguinte. Um sábado. Um sábado em Nova York. Podendo ter ido jantar em milhares de restaurantes maravilhosos, fomos ao Yonah.
Bem, o dia estava quente. Chegamos lá. Não havia ar-condicionado. Não havia cerveja. Na verdade, não havia nem mesmo garçons, apenas um rapaz que atendia atrás do balcão (aparentemente muita gente compra knishes lá para levar para casa).
Olhamos o singelo cardápio, se é que se pode chamar assim uma folha xerox enfiada dentro de um plástico e, na dúvida, resolvi escolher o tradicional, isto é, knish plain, só de batata. Sérgio escolheu de repolho roxo e se deu menos mal. Eis que vêm para a nossa mesa dois pratos tamanho sobremesa, com o knish, que devia pesar uns 450 gramas pelo menos, tapando todo o fundo do prato. O meu era basicamente um purê de batata bastante seco, praticamente sem tempero, envolto por uma massa que subia ao redor sem no entanto se fechar em cima - ou seja, que deixava entrever a batata. Imaginem uma bola do tamanho de uma bola de bocha que recebe um soco vindo de cima, e por isso fica levemente achatado nos pólos. Havia sido previamente assado (os proprietários fazem uma questão de honra apontar que o mesmo era assado, jamais frito) e requentado no forno quando fizemos o pedido.
Bem, além de não estar muito quente, o negócio não tinha gosto algum. Um tubo de mostarda emprestado da mesa ao lado (pois o da nossa mesa estava entupido) foi o único sabor que senti. O do Sérgio pelo menos tinha um pouco de gosto de repolho, embora também não tivesse nada de memorável. O único lado positivo era o preço: cada um custou pouco mais de três dólares. Mas me custou uma refeição em Nova York. Falta de presença de espírito. Hoje vejo que eu devia simplesmente ter parado de comer e me dirigido a um restaurante. Fiquei pasma com o troço e, dias depois, quando encontrei a minha amiga Ilana Heineberg no Skype, falei para ela que tinha experimentado um knish. A réplica dela:
- Hummmm...
Falei que não tinha gostado muito, e ela disse que conhecia o knish apenas do Kaplan’s, não o do Schimmel. Mesmo assim eu estava achando que nunca mais na vida iria experimentar um knish de novo, que para mim tinha parecido a pior encarnação possível para uma pobre batata. Eis que o Sérgio, que já havia comido o knish do Sabra, do Bonfim portoalegrense, ontem foi às compras e, talvez querendo redimir a reputação do quitute, ou talvez querendo apagar as más lembranças do sábado do Yonah Schimmel, trouxe para casa uma bandeja com 10 pequenos knishes porto-alegrenses.
Colocamos no forno para esquentar, e experimentamos. A primeira diferença é o tamanho: cerca de um décimo do tamanho do parente nova-iorquino. Menor que um limão. A massa de batata era leve e deliciosamente temperada com cebola e, acho, pimenta preta, além de sal, claro, e talvez outras coisas. Talvez um pouco de açúcar. A massa, ao redor, era folheada, leve, fina, crocante, com as pontas, bem, despontando levemente para cima, e não parecendo que tinham tomado um soco vertical. Acho até que eu já havia experimentado o knish do seu sabra, mas não conhecia pelo nome. Da próxima vez, vou no Kaplan’s. Yonah Schimmel, para mim, só no próximo filme do Woody Allen, Whaever works, para o qual o estabelecimento centenário serve de cenário.
Bubble tea |
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O Bubble tea também é algo que devo à minha amiga Elisa Prenna, cujo apetite e curiosidade gastronômica é inversamente proporcional ao seu tamanho.
Quando fomos a NY em 2005, ela já me havia aconselhado a tal bebida, que consiste, basicamente, num chá gelado onde, ao ser servido, são colocadas bolinhas de tapioca, que parecem sagu de cerca de 1 cm de diâmetro. Essas bolinhas dão uma aparência graciosa a qualquer chá servido num copo transparente, pois se depositam ao fundo, e graças a um canudo especialmente grosso, são chupadas (desculpem o termo, mas é exatamente isso) enquanto a pessoa toma o chá, e são deliciosas de mastigar, pois são meio borrachentas e não se desfazem na primeira mordida.
Pois em 2005 eu experimentei o tal bubble tea num lugar perto da NYU, e não achei lá grande coisa.
Dessa vez, quando a Elisa me indicou o Quickly, em função do shabu shabu, não deixou de acrescentar:
- E tem bubble tea lá também.
Não só tem bubble tea lá também, como um copo do tal chá está gratuitamente incluso no preço de qualquer shabu shabu que o comensal escolher. Razão pela qual tomei novamente a tal bebida da qual eu não tinha gostado muito.
É preciso entender que bubble tea vem em vários sabores, e a primeira coisa a escolher é se você quer a bebida à base de chá verde ou chá preto. Diferentemente do que geralmente faço, pedi a minha à base de chá preto. Bem, o que veio foi um copão com as bolinhas ao fundo, gelo em cima - até aí, parecido com o que eu tinha experimentado -, chá preto levemente adocicado, só que não translúcido, mas leitoso, ou seja, com leite.
Da outra vez que eu havia experimentado, havia sido servido sobre as bolinhas um chá desses ocidentais superadocicados, que achei meio enjoativo e não muito estimulante ao paladar.
Mas esse do Quickly... Bem, se é possível dizer assim, é com um milk-shake bem ralinho, com um leve amarguinhoo do chá ao fundo, levemente adocicado, com as bolinhas, divertidíssimas. Viciei. E experimentei o bubble tea de vários outros lugares de Chinatown (por alguma razão, o troço é coqueluche na Ásia), e devo dizer que o Quickly, que serve bubble tea não só para quem faz uma refeição lá, mas sobretudo no balcão de take-away que dá para a rua, faz o melhor, no sentido de que não é muito doce, é abundante em bolinhas, tem vários sabores, consegue manter o padrão de qualidade (ou seja, o gosto da sua bebida não vai depender do atendente que a faz) e, além do mais, tem o cardápio mais compreensível para ocidentais.
Explico a questão dos sabores e o modo de fazer do bubble tea ao mesmo tempo:
Eles pegam o seu copo (tall, medium ou large, que corresponde a grande, enorme e gigantesco), colocam uma conchada das bolinhas, que já estão previamente hidratadas, um punhado de gelo, o chá da sua preferência - verde ou preto -, leite em pó adocicado, caso você queira a bebida leitosa (eu prefiro) e essência de sabor, se você pediu. Os sabores disponíveis lá no Quickly são amêndoa, gergelim preto (delicioso, como todo doce feito com gergelim preto!), melão, lichia, etc, etc... Aí colocam numa máquina que sela a boca do copo com um plástico, chacoalham o copo afu, e então é só você enfiar o canudão no plástico e aproveitar!
(Obsessiva como sou em reproduzir em casa as coisas que gosto de comer e beber, fui à cata das bolinhas de tapioca no Chinatown. Porém, sem sucesso. Talvez seja o tipo de coisa que as pessoas não fazem em casa e portanto não se encontra para vender em porções domésticas em supermercados. Talvez eu simplesmente não tenha conseguido me fazer entender pelos atendentes dos supermercados asiáticos de Chinatown, que na maioria não falam inglês.)
PS - Parece que em São Paulo já está começando a febre. Consta que tem o bubble tea (também chamado de pobá ou boba, mas vamos combinar que esse nome é feio) numa tal de Bakery Itiriki em São Paulo (Rua dos Estudantes, 24, no Bairro Liberdade). Experimentarei na próxima vez que eu for à capital paulista.
Shabu-shabu no Quickly no Chinatown |
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O shabu-shabu é a variação japonesa para o Hot pot, ou fondue chinês, embora eu ainda não tenha entendido a diferença entre os dois. Mas a origem é mongol. E eu desbravei o Chinatown qual um Gengis Khan varrendo as estepes atrás de um shabu-shabu. Ainda trazia na memória o gosto maravilhoso desse cozido comido num restaurante do Flushing (Queens) alguns anos antes.
A Cacá já tinha identificado o nosso objetivo, um lugar chamado Quickly, na Grand Street. Fomos até lá e pedimos um shabu-shabu cada um (calma que eu já vou explicar o que é, afinal, esse prato), ela pediu uma variedade de legumes (vegetarian delight) e eu um com carne de porco e carneiro (meat platter).
O shabu-shabu se faz assim:
1) Eles colocam um panela sobre uma chama no centro da mesa e dentro dela um caldo que pode ser de galinha ou até de peixe;
2) Trazem à mesa, já cortados em pequenos pedaços ou lascas, carnes e vegetais que deverão ser imersos no caldo fervente para o cozimento;
3) Servem molhos e pimentas em separado para que você mesmo tempere, a seu gosto;
4) As carnes devem ser cozidas rapidamente já que elas são cortadas em fatias milimétricas;
5) Entre os ingredientes podem estar:
- carnes: peixe, aves, porco, carneiro, camarão etc
- couve chinesa
- cebola
- Cenouras
- bolinhos de peixe
- agrião
- aspargos
- tofu
- tofu frito
- macarrão udon
- cebolinha verde
- coentro fresco
- cogumelos de todos os tipos
- e o que mais você imaginar
Você vai cozinhando aos poucos e comendo conforme o cozimento evolui. Os garçons vão completando o caldo conforme ele vai diminuindo na panela. E o caldo vai ficando cada vez mais delicioso, incorporando os gostos de todos os alimentos que passarem por ali. E sempre é diferente. E sempre delicioso.
Voltamos várias vezes ao Quickly porque a Cacá descobriu ali o Bubble Tea, mas isso eu vou deixar para ela contar.
Comentário da Cacá sobre o shabu-shabu:
A diferença, até onde entendo, é a seguinte: o shabu-shabu é a variação japonesa, cujo caldo de base é o caldo dashi (que é também a base da sopa de missô, por exemplo), que é um caldo à base de bonito - o peixe. Já a variação chinesa se divide em duas grandes categorias: o hot pot, ou panelão, mongol (que experimentei em Beijing), onde servem um caldo claro à base de carne de galinha ou cordeiro, e o principal ingrediente é a carne de cordeiro - aparentemente os mongóis, que viviam nas frias planícies ao norte de Beijing, criavam muita ovelha. O hot pot também é muito popular na província chinesa de Sichuan, no centro da China (onde ficam as cidades de Chengdu, a dos pandas, e Chonqing, onde fica a represa das Três Gargantas. Essa província é conhecida por sua culinária apimentada, e lá o hot pot é cozido não num molho claro, mas num molho mais grosso e mais gorduroso, avermelhado por causa da pimenta. Ou, numa variação menos temperada, num molho grosso esbranquiçado, que não sei e é à base de tofu fermentado ou pasta de gergelim. Eu experimentei os dois, mas gosto mais do tipo à base de caldo claro (chinês ou japonês), pois me parece mais leve e dá para comer mais. No Quickly, onde fomos em Nova York por indicação dos nossos amigos Chico Baldini e Elisa Prenna, também tem a opção de um caldo coreano, mas esse não sei como é.
Cacá
Sarge's Deli - Nova York |
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Na chegada a Nova York, na noite de sábado, deixamos as malas no hotel e fomos procurar um lugar para comer. Algo que já estivesse no nosso roteiro de experimentações e fosse próximo, se possível em Murray Hill mesmo. Chegamos a Sarge's Deli, uma lanchonete ao velho estilo das deli judaicas, na terceira avenida. A garçonete era uma brasileira, carioca, e o outro garçom um indiano que aprendeu português com brasileiros no Japão. Nunca morou no Brasil e fala um português perfeito.
A Sarge's Deli é tradicional, está em todos os guias, abre 24 horas por dia, sete dias por semana, o público é muito diverso e o menu também. Nossa escolha foi um estrondoso sanduíche de hot pastrami acompanhado de picles e coleslaw.
O sanduíche está na foto, mas vou dar a receita do coleslaw, a deliciosa salada de repolho servida em dez de cada dez delis novaiorquinas. Essa salada, embora muita gente pense que tem origem judaica ou no leste europeu, ao que tudo indica é oriunda do centro da Europa. Kollsa é uma contração de "koolsalade", o termo em holandês para salada de repolho. A adição da maionese é mais recente. A coleslaw é, portanto, mais uma imigrante que faz sucesso nos Estados Unidos.
Coleslaw (ingredientes)
1 repolho pequeno cortado em pedaços e tiras finas
3 colheres de sopa de vinagre de maçã
1 xícara de maionese
2 colheres de mostarda amarela
1 cebola pequena ralada
2 cenouras médias raladas
sal a gosto
Coleslaw (preparo)
Numa tigela grande, tempre com sal o repolho cru e misture com o vinagre. Acrescente os demais temperos e misture bem. Leve à geladeira por 12 horas (você até pode servir em seguida, mas fica bem melhor depois desse repouso no refrigerador). Sirva acompanhando carnes, churrascos etc.
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O Cookies passou à míngua nessas últimas semanas por conta da minha viagem de férias, mas eu não esqueci de vocês. Na verdade, a idéia era atualizar o blog ainda em Nova York, contando um pouco do roteiro diário que Cacá e eu empreendemos para comer em alguns dos lugares mais tradicionais da cidade. Mas não tivemos folga para dedicar a isso e a publicação só é feita agora, já no Brasil. Embora esses próximos posts possam parecer uma reprise, longe do espírito de um blog, talvez as anotações sirvam como um pequeno guia de uma pequena parte da rica gastronomia de Nova York.
Na nossa jornada diária pela cidade, para saciar uma determinada fome não popupamos tempo e distância para atravessar a ilha ainda que fosse somente para comer a sobremesa ou sair do Harlem para tomar um buble tea em Chinatown. Assim, nosso roteiro passa por vários lugares e regiões da cidade e dá uma panorâmica, mínima que seja, de alguns dos lugares mais tradicionais de Nova York.
Arroz de pato |
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A piada do pato
Toda vez que eu como pato, me lembro dos dois bandidos fanhos que foram roubar uma galinha. Combinaram de fazer o máximo de silêncio e surrupiar uma penosa bem fornida. Um deles ficou do lado de fora e outro pulou o muro do galinheiro. Ao cair do outro lado, o bandido fanho acabou pisando no pé de uma pata. A pata, com o pé ferido, não se conteve e saiu galinheiro afora aos berros:
- Quac!... Quac!
E o fanho que ficou do lado de fora se desesperou:
- Quaquéuma, quaquéuma
O arroz de pato
O arroz de pato, de fato, não é piada. Piada é riso, não é risoto. E quem pia é pinto, não é pato. {= :-))
Comi esse arroz de pato na casa da Sônia Addiego. É uma maravilha e eu nem precisei roubar a receita. E agora eu vou contar pra tu contar pra tua patota.
Ingredientes
1 pato
2 paios
2 cebolas pequenas
cravo
arroz
azeitonas
óleo de oliva
2 colheres de manteiga
tempero verde
sal e pimenta a gosto
Preparo
Crave os cravos na cebola (10 a 20 em cada). Leve o pato inteiro à panela de pressão e coloque junto as duas cebolas. Retire o pato e leve o caldo à geladeira para que a gordura se solidifique e possa ser retirada com mais facilidade. Desfie o pato. Misture as azeitonas picadas e sem caroço.
Retire a pele do paio e corte-o em rodelas e depois as divida em quatro pedaços. Frite, retire o excesso de gordura e reserve.
Cozinhe o arroz e utilize a água do cozimento do pato.
Numa travessa faça camadas de arroz, pato e paio. Cubra com arroz, regue com azeite de oliva, coloque cubinhos de manteiga e leve ao forno para aquecer. Retire, salpique tempero verde e sirva. Voltaremos.
Moqueca capixabaFoto: Sérgio Lüdtke |
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Ontém inaugurei, finalmente, a panela de barro que ganhei de aniversário do Roger e da Drica. Fiz a bela moqueca aí da foto.
Eu prefiro a moqueca capixaba à baiana. Na oriunda do Espírito Santo, a ausência do dendê e do leite coco abrem um mar de possibilidades para os outros temperos e, obviamente, para o peixe. Ela é mais democrática, não há um sabor dominante.
Não sei se pela referência à Bahia ou pelo nome, mas eu sempre liguei a moqueca como sendo mais uma contribuição dos negros a nossa culinária, mas ao menos o termo tem origem indígena. A palavra possivelmente se origine de Moquém, uma espécie de grelha que os índios usavam para assar carnes de caça (e até humana) de um jeito que era meio assado, meio defumado.
Há uma outra referência interessante na etimologia de moqueca, que é a palavra moquecar. Ela significa proteger-se, colocar-se em lugar seguro e de cócoras. E foi bem assim que comi a moqueca ontem, ela era de comer ajoelhado.
Ingredientes
1 kg de peixe em postas e sem escamas (eu usei bagre)
2 cebolas picadas
6 tomates picados
1 molho de coentro fresco picado
3 dentes de alho
1 pimentão vermelho picado
1 colher de sementes de urucum moídas
azeite de oliva
suco de limão
sal
molho de pimenta
Preparo
Banhe as postas com suco de limão por 30 minutos antes de começar o preparo.
Numa panela de barro coloque o azeite de oliva e vá dispondo em camadas metade da cebola, do alho, dos tomates, do pimentão e do coentro. Coloque um pouco de sal e sobre essas camadas acomode, lado a lado, as postas também temperadas com sal. Sobre as apostas, coloque camadas com a outra metade dos ingredientes restantes. Misture o urucum em azeite de oliva e distribua esse molho sobre os ingredientes que estão na panela.
Leve ao fogo por cerca de uma hora. Não é necessário tampar, mas você deve balançar a panela de tempos em tempos para evitar que o peixe grude no fundo. Não mexa com a colher para que as postas não se desmanchem.
Sirva com arroz e faça um pirão com caldo de peixe para acompanhar.
Sua opinião
Como muitos comentários criticam o peixe que usei e se posicionam sobre a melhor moqueca, a baiana ou a capixaba, criei um fórum para que você opine. Clique aqui e dê sua opinião.
[moqueca e bochecha são as palavras mais engraçadinhas da língua portuguesa, não é verdade?]

Um blog para quem gosta dos prazeres da mesa e acredita que a pressa é inimiga da refeição. Por Sérgio Lüdtke. Participe da rede social do Cookies {= :-))
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