Entre um "até logo" a Paris e um "oi de novo" a Porto Alegre, escrevo esse post meio às pressas, só para dar satisfações aos leitores: amanhã embarco para o Brasil, onde devo ficar até meados de setembro (uni as férias acadêmicas com o lançamento do meu romance, que acontecerá no final de agosto). Devo passar, em algum momento da viagem, também por São Paulo e Rio.
Estou ansiosa para ver a família, os amigos, tomar erva-mate do mercado, comer picanha, essas coisas, mas também triste em deixar Paris, ainda que provisoriamente. Não há dúvida: deu-se a cisão. Nunca mais a "casa" será um único lugar.
Bem, mas não pensem que esse blog entrará em férias. Muito pelo contrário. Continuo tendo lugares a indicar, historietas a contar, e devo, é claro, descrever a estranha sensação de estar mais uma vez em Porto Alegre. Arquitetonicamente falando, creio que a feiúra geral deve me assustar: estou mal-acostumada agora à uniformidade, ao planejamento urbano. Mas darei graças a deus também pela sensação de espaço aberto e, sim, pelas ÁRVORES. Estou ansiosa por árvores, e por persianas na janela, que realmente deixam o quarto escuro, e estou ansiosa por não ter mais um bar gay hypado a 30 metros de mim, o que sempre gera uma surpresinha na madrugada.
Além disso, é a hora perfeita para sair de Paris. 30 graus nessa cidade não fazem nenhum sentido.
Bom cover da canção de Nancy Sinatra, These boots are made for walking. Aliás, descobri essa versão francesa nos alto-falantes de uma loja bonitinha em Amsterdam. A cantora chama-se Eileen, e a gravação é dos anos 60, claro. Não, ela não é a mulher de chapéu que aparece no vídeo abaixo.
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Simplificando toscamente as coisas, quando se fala em Amsterdam, os turistas, ou potencialmente turistas, tem duas reações. O primeiro grupo cultua a cidade por sua natureza permissiva (em outras palavras: maconha liberada e prostituição liberada), e está louco para fazer esse tipo de turismo "festivo" com uma porção de amigos também dispostos a aloprar. E o segundo grupo é aquele que torce o nariz para a cidade, justamente por tudo aquilo que o primeiro grupo quer encontrar nela (nesse segundo grupo, incluem-se mães e tias, mas não só).
Vou dizer que eu mesma tinha um certo pé atrás com Amsterdam, porque não me atraio muito por bandos de jovens ingleses urrando e caindo pelas tabelas nos becos e em frente aos bares. Mas minha primeira impressão da cidade inverteu todas as expectativas: o clima de interior que rola na maior parte dela é extremamente acolhedor e calmo. AMEI muito o modo como as pessoas realmente levam a sério o VERDE. Tudo o que é tipo de plantas na frente dos prédios, ou subindo pelos prédios. Flores inimagináveis. Mas, deixando o momento hippie/ecolô de lado, ainda há muitas razões para gostar de Amsterdam: arquitetura interessante, comida e bebida barata, canais gracinha, a mania deles em deixar as janelas abertas e mostrar a casa para quem passa na rua, cardápios de maconha e, claro, CROQUETES. Croquetes deliciosos, crocantes por fora e cremosos por dentro, em todo os lugares da cidade.
A minha lista do que definitivamente desaprovo: parece muito bonito em teoria o fato da maioria dos habitantes de Amsterdam usarem bicicletas como principal meio de transporte, mas, para os pedestres, é enlouquecedor. Impossível atravessar uma rua sem prever um atropelmanto iminente. E é bastante óbvio que ELES têm a preferência, em QUALQUER situação. / A maioria das lojas fecha às 18h30. E eu que achei que Paris era provinciana. / O clima Amsterdam-é-uma-festa devia ter limites. A maioria dos cafés, bares e restaurantes tem música num volume insuportável. Aliás, a música é sempre ruim / Nunca ouvi tanto reggae, nunca vi tanto E.T pintado em parede, nunca vi uma coleção tão grandes de souvenirs feios em durepóxi. Fumar maconha precisa ser sinônimo de ter mau gosto?

Vi isso no supermercado ontem: algodão-doce em potinhos. Achei engraçado. E fica aquela impressão de "fim da boa época", do tipo o prático totosinho que substitui o velho e delicioso cachorrinho com molho feito em casa.
Também ficou difícil imaginar uma criança comendo algodão-doce, sei lá, dentro de casa. Tirando do armário e comendo. Parece um pouco deslocado. Ainda assim, pode ser interessante andar com um na cesta de piquenique. Caso você não encontre o tio do algodão por aí.
Amsterdam já está no Google Street View. |
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Nessa próxima quinta-feira, fim de noite, parto para Amsterdam. Não sei bem o que esperar, mas tenho um leve pressentimento de que vou me surpreender positivamente.
Não tive tempo de estudar a cidade, embora um guia da National Geographic (parece bonzinho, por sinal) esteja há semanas na cabeceira da cama. Também fiquei na expectativa pelo post que o Gabriel Britto prometeu colocar no blog sobre sua recente e deslumbrante estadia na cidade, mas, mais do que compreensível, o Gabriel ainda está tratando de organizar material das férias.
Ah, o detalhe pitoresco é que vou de ônibus, coisa rara aqui nesses pagos, e que certamente é a opção dos chinelões (neles me incluo) que querem, ou devem, economizar alguns euros. A empresa chama-se Eurolines, e uma conhecida, depois de recente viagem com eles, disse: "foi horrível, o motorista se perdeu, levou 5 horas a mais". Hm. Bem reconfortante. E como assim o motorista se perdeu? Achei que eles passavam décadas e décadas fazendo o mesmo trajeto. E, convenhamos, até eu conseguiria chegar em Amsterdam de carro (vai dizer o que, que faltou placa?). Ah, sim, para piorar, ela disse "ele se perdeu na Bélgica". Hm, sim, a Bélgica, esse país continental.
Então se alguém tiver alguma dica a respeito de Amsterdam, não deixe de usar a caixa de comentários.
Depois de uma certa idade, você passa a ter menos amigos e mais "casais de amigos". Confesso que ainda não me acostumei nem sequer a dizer isso, "um casal de amigos", sem que eu sinta o implacável peso da vida adulta. E confesso além: às vezes mesmo resisto a tornar-me amiga do namorado de uma amiga, ou o oposto, para que assim eu possa continuar com as amizades no singular.
Fato é que, sendo vários amigos na verdade "casais de amigos", é muito difícil que eu possa recebê-los em meu studio: não há espaço no chão para um colchão inflável de casal (sim, tem que ser inflável). Os bons amigos solteiros, por outro lado, são bem-vindos. Nessa semana, está aqui o primeiro.
Quando há algum visitante pela cidade, costumo inevitavelmente comer bastante fora. Quando não há, evito, por que$tõe$ que você$ podem imaginar. Sei que já falei sobre cozinha francesa e afins em outro post, aquele sobre os mitos franceses. Ainda assim, volto ao assunto, até porque, de lá para cá, fiquei mais apta a julgar o assunto.
Há uma quantidade alucinante de restaurantes e bares e brasseries e comida-para-sair-comendo-na-rua em Paris. Além da horda de turistas que precisam ser alimentados, os franceses gostam muito de sair para comer, ou melhor, gostam de sair de um modo geral - é muito evidente que casais franceses de meia-idade tem uma vida muito mais ativa, muito mais social, do que casais brasileiros de meia-idade. Por conta dessa enormidade de opções culinárias, você sempre fica meio tonta, meio sem saber como tomar uma decisão. Você está na rua, olha ao redor, e por todos os lados há restaurantes, e por todos os restaurantes há pessoas e, pior, por todos os restaurantes há cardápios na porta, de modo que é inevitável que role aquele "só vou olhar mais o cardápio desse aqui", e assim até o infinito.
O que também é inevitável é se dar mal no mínimo uma vez a cada duas ou três, sobretudo se, como eu, você não está disposta a arriscar lugares muito caros. Em resumo: ou você dá a sorte de cair num lugar bom-e-barato, ou você vai acabar no modelo bonito-mas-ordinário, que acha que por estar ao lado da igreja Saint-Eustache pode servir uma massa com molho aguado, ou um entrecôte mal posto na frigideira, que não-dá-nada.
Ontem conhecemos um restaurante completamente por acaso,depois de descobrir que um no qual eu apostava todas as fichas estava em férias coletivas. Decidimos entrar pelo melhor indicativo internacional de restaurante que vale a pena: fila na porta.
O lugar chama-se Higuma, perto da Opéra (32 bis, rue Saint Anne). Essa rue Saint Anne tem uma bela concentração de restaurantes japoneses, a maioria deles especializados em lamen, aquela massa oriental, meio sopa, de n tipos.
Além dos pratos de lamen, há um monte de outras coisas meio difíceis de serem descritas, todas parecendo altamente apetitosas. Os preços são muito em conta: nenhum prato pareceu custar mais do que 9 euros, e os menus, que ficam em torno de 12, trazem umas deliciosas gyozas de entrada.
Vi passarem uns pratos incríveis de tempura (quando eu já tinha feito o meu pedido, infelizmente).
E todos os clientes bebiam cerveja japonesa.
Na saída, surrealismo da noite: um autógrafo do Kelly Slater, campeão de surf e muso dos anos 90, emoldurado na parede. 


Para começar bem a semana, coloco aqui dois clips do Indochine, banda sensação dos anos 80 nas terras de cá e que, aliás, continua na ativa. No final do ano passado inclusive viam-se cartazes nas estações de metrô que anunciavam um show dos caras no Stade de France para julho de 2010. Eu, que nunca tinha visto alguém vender ingressos um ano e meio antes, impressionei-me.
Pessoalmente, pouco me interesso pelo Indochine de hoje. Já tentei ouvir, e tive a nítida sensação de que é uma banda que não conseguiu atravessar as décadas. Em outras palavras: é legal ouvir os discos antigos caso você esteja procurando todos os elementos clichês dos oitenta international: tecladinhos bizarros, bateria eletrônica, etc. É tipo "hoje eu acordei oitenta, e quero ouvir alguma coisa bem ridícula". Com imagem então, melhor ainda. Cabelos estranhos, camisas abertas, enfim, aquela desenvoltura maravilhosa em fundos multicoloridos.
O voo AF 447 é aquele voo que eu poderia ter pego numa vinda para cá. Aliás, provavelmente já tive essas letras e números gravados numa passagem aérea, e já esperei que aparecessem no painel sem atrasos, e já ganhei nele um travesseiro, um cobertor e duas opções de jantar. Nunca gostei de avião, embora nunca tenha deixado de andar por causa da sensação de morte iminente que pode vir com as turbulências. As estatísticas. Sim, as estatísticas estão sempre do nosso lado para garantir-nos que é mais provável morrer em uma estrada que sobre o mar.
Mas o céu é tão mais aterrorizante que as estradas. Parece que morre-se fora do mundo, num espaço intermediário entre duas realidades, e se é engolido por um vazio, por um silêncio. Uma morte em massa que passa desapercebido, até que alguém se dê conta que um avião deveria chegar em um determinado ponto, e não chegou.
Nessas horas me pergunto onde estão as ilhas, esse meio caminho sólido ainda tão explorado pelas histórias (da carochinha). Já ouvi falar de aviões que aterrissam e não conseguem frear, aviões que se chocam no céu, aviões que explodem de repente. Nunca ouvi falar de aviões que conseguiram pousar em uma ilha selvagem. Nunca ouvi falar de descer são e salvo pelo escorregador do avião que descrevem os diagramas na frente de cada poltrona, e que eu tanto gostava de olhar, repetidamente, na minha ingenuidade de criança sobre o Atlântico com papai e mamãe.
Eu conhecia a família gaúcha que estava no AF 447. Não muito bem, mas o suficiente para que a tragédia ganhasse em mim contornos mais reais. Eu sei que as manchetes já falam de outra coisa, ou ao menos de outras coisas além dessa, os amigos já falam de outra coisa, o mundo continua com más avaliações de governadoras, sensações térmicas negativas, uma chance de neve em algum lugar, esquemas táticos de futebol. Ainda assim, só agora consegui vencer um tipo de torpor que se instalou desde a tragédia (fui amansando com vinho rosé). O que me incomoda tanto também é a maneira como a história vai se desenrolando aos poucos, sempre com algum detalhe macabro, uma nova pista, uma nova teoria, e a maneira como eu e muitos outros esperam por uma espécie de resolução do mistério, como se isso fosse apaziguar-nos. Não funciona. Já vivi pessoalmente algo assim para saber que essas dúvidas nos consumirão para sempre, ou ainda: saber todo um onde, quando e como jamais será consolo suficiente.
É, aliás, uma das coisas que tanto me assombra.
Sim, eu sei, a aleatoriedade da vida também traz presentes. Mais do que estatísticas de acidentes aéreos e acidentes de trânsito, é isso que me motiva a seguir.
Logo mais vou ao cinema ver uma comédia islandesa.
Esquentou. O céu abriu, o pôr-do-sol já é às 21h45, há centenas de pessoas desfilando pela rua com o corpo vermelho de um banho de sol descontrolado, e, nas praças, as que estarão com insolação logo mais estiram-se na grama e arregaçam os shorts já bem curtos. Existe, no entanto, em meio à alegria de um dia amarelado, de um piquenique na beira do Sena, dos cafés com portas-janelas escancaradas, um tipo de onda não-civilizada que paira no ar. Acabado o retraimento que o inverno obriga, o pessoalzinho às vezes perde a noção. Calor é barbárie, é impulso, agitação. Pegue qualquer metáfora, da mais refinada à mais babaca, e é isso que ela estará dizendo sobre o calor. Não é a toa que o terceiro mundo rodeia os trópicos. Por isso que eu digo, assim, de instinto - e cada vez o mundo me mostra que é isso mesmo: regula o termostato aqui de Paris para os 30 graus, durante uns 6 meses, e você no fim vai ter um Rio de Janeiro neoclássico (não me leve, leitor, tão a sério, mas me leve ao menos um pouco).
Dia desses era calor e um sol pegado e eu esperava para atravessar a rua, atrás do Georges Pompidou. Movimento intenso ali, três pistas, mais corredor de ônibus, mais as bicicletas de sempre, que triplicam na primavera-verão. O sinal estava fechado para pedestre, mas, ignorando qualquer dessas convenções, do tipo bonequinho verde e faixa de segurança, uma mulher pôs-se a atravessar, o que obrigou uma moto a frear bruscamente numa cena deveras incômoda. Essas que levam você a pensar que esteve a um passo de ver uma coisa horrível acontecer - e da qual você nunca mais poderia se livrar.
Pois não demorou mais de 30 segundos para a aleatoriedade dos movimentos de carros e motos e pedestres e ciclistas pôr em marcha outra coisa não quase horrível, mas horrível de fato, completa, e aconteceu de meus olhos acompanharem todo esse rápido movimento: uma moto, com duas pessoas, vinha em velocidade acima de bom-senso e, para desviar de uma bicicleta - com uma senhora - acabou se espatifando contra o muro baixo de um prédio que abriga uma piscina pública. A moto voou, os caras voaram, e um deles ficou estatelado no asfalto, inconsciente. O outro começou a xingar a senhora (mas a culpa era, na verdade, de ambos), possesso. A senhora, creio, estava em choque. Pessoas começaram a se aglomerar, e alguém certamente chamou a SAMU. Saí dali o mais rápido que pude.
Pois então. Esquentou. E as pessoas estão agitadas, meio fora de si, ânimos em chamas, com pressa de pegar um raio de sol, querendo comprar briga na noite fresca, essas coisas. Mas não pensem que eu estou reclamando e querendo a volta do frio. E só meu lado que gosta de criar teorias - às vezes sem muito sentido - querendo se manifestar.
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Há uma grande variedade de saladas em qualquer cardápio de qualquer restaurante francês. E, caso você peça uma, pode ter a certeza de que ela já vai sair da cozinha temperada: nada de garçom largar na mesa cestinha com azeite de oliva, vinagre e assemelhados.
Inicialmente, muito me intrigavam as saladas: o que era afinal aquele molho, aquele tempero, que parecia ser uma constante, um típico molho francês para saladas? É verdade que havia mínimas variações. Às vezes parecia bem amarelado, outras vezes tendia um tanto para o marrom. Mas tudo isso dentro de um padrão bem perceptível.
Quando estive na casa de uma família francesa, finalmente descobri o segredo da misturinha típica, e adotei na hora. Eu, que sempre deixei a mostarda de fora dos cachorros-quentes, estava comprando uma mostarda forte. Eu, que nunca suportei vinagre, colocava na cesta de compras um vinagre balsâmico.
Mas vamos à receita, e antes de qualquer coisa, a dica é: faça a mistura no fundo do recipiente da salada, antes de colocar a própria, e depois, com a salada já no lugar, misture bem (se não, fogo sairá pela boca quando você chegar ao final).
A quantidade que vou descrever aqui vale para uma salada bem servida (acompanhamento para duas ou três pessoas, ou refeição para uma pessoa).
- 1 colher de café de mostarda (a salada vai fracassar se você colocar uma mostarda amarelona, portanto use uma de boa qualidade, das que se usa para cozinhar).
- 2 colheres de sopa de azeite de oliva
- 1 colher de sopa de vinagre balsâmico
- 1 colher de sopa de creme de leite (dê preferência para o fresco, mas, se o de caixinha estiver mais a mão, vai dar certo também)
Misture bem, com um garfo mesmo, até que fique marrom claro. Não se assuste, é isso mesmo (embora possa parecer um brigadeiro de panela feito com Nescau). O resultado é delicioso. Ah, um pãozinho junto com a salada vai bem. Aos portoalegrenses, eu recomendaria o pão italiano do Nacional, aquele pequeno e redondinho.
Quanto à salada propriamente dita, dá para inventar à vontade, mas eu costumo fazer a seguinte: várias e várias folhas verdes; presunto em cubinhos; algum tipo de queijo, que corto em cubos (o da foto era um queijo grego); tomates picados; cogumelos frescos (é preciso cozinhar antes os cogumelos, ou com manteiga e sal, ou com um caldo de carne ou verduras. Depois é só escorrer e jogar na salada).
Pesquisando na Internet, descobri que o molho é sempre esse, com pequenas variações. Os claros, por exemplo, obviamente não levam o vinagre balsâmico. Pimenta e sal podem aparecer em alguns. E iogurte às vezes substitui o creme de leite.

Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. É escritora e mora no Marais, o bairro descolado parisiense, o 75004, de onde narra suas aventuras cotidianas.
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