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7 de fevereiro de 2010. | N° 668AlertaVoltar para a edição de hoje

BASQUETE

Promessa do acaso

Felipe Rech começou a jogar basquete há apenas oito meses. Nem tênis tinha. Ganhou apoio da Ciser/Araldite/Univille e já treina com a equipe

Até um ano atrás, Felipe Rech nunca havia jogado basquete. Aluno do primeiro ano do 2° grau, o garoto passava o intervalo batendo papo, até que, desafiado por amigos, entrou em quadra. Na primeira vez em que teve contato com a bola, não decepcionou. Com 2,07 de altura, passou facilmente pelos adversários. Um mês depois, já enterrava. Daí para frente, o esporte virou sua brincadeira favorita. Oito meses depois de iniciar na atividade, o técnico Alberto Bial, da Ciser/Araldite/Univille, o viu atuar numa quadra da Tupy e resolveu convidá-lo para integrar o elenco profissional do basquete de Joinville.

Domingo passado, dia 31 de janeiro, Felipe completou 16 anos. O aniversário foi comemorado com a notícia de que ele estava regularizado como atleta da Ciser/Araldite/Univille e poderia atuar em qualquer competição disputada pela equipe. Mesmo com a pouca idade, ele já é o segundo atleta mais alto do elenco da equipe joinvilense. Só perde para o pivô Marcão, que tem 2,08 de altura.

Há três meses, o jovem gigante vem sendo avaliado no grupo comandando por Bial. “Quando comecei, nem sabia me movimentar em quadra. Tive que aprender como correr e andar. Nunca aprendi tanto em tão pouco tempo. Nem dá para explicar direito como é estar na equipe”, resume.

Antes de integrar a equipe joinvilense, o garoto tentou jogar pela AABJ/Felej (Associação dos Amigos do Basquete de Joinville). Mas sem dinheiro para comprar um par de tênis recomendado para o basquete, desistiu. Incentivado pela família, em parte por sua altura, sem precendentes na família (a mãe tem 1,75 de altura, o pai tinha 1,90 e nenhum dos irmãos passa desse tamanho), continuou praticando basquete de rua.

Até ter a oportunidade dada por Bial. “Eu fiquei muito empolgado no dia. Foi até difícil falar que queria jogar na equipe dele”, lembra. Assim que chegou ao time, o garoto magrinho, franzino, tímido e desengonçado passou a ser incentivado pelos atletas mais velhos do grupo.

Mas para conseguir cumprir à risca as determinações do treinador joinvilense, Felipe tem que andar e muito. A rotina do garoto mudou do dia para a noite. Se, antes, ele tinha muito tempo livre, agora mal consegue almoçar. O gigante acorda de manhã, por volta das 7 horas, faz academia com o grupo, no Centro da cidade, e vai para o treino matutino do time no Ginásio Ivan Rodrigues. Caminha 45 minutos para chegar em casa e almoçar. Depois, pega ônibus e vai para a Univille, treinar com o time da base.

No fim do dia, ele volta ao Ivan Rodrigues e faz mais um treino com a equipe profissional. “Não vejo mais meus amigos, passo o dia no treino. É bem cansativo, mas vale a pena”.

joao.kamradt@an.com.br

JOÃO KAMRADT | JOINVILLE

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