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Marco Dormino , EFE

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19 de outubro de 2009. | N° 559AlertaVoltar para a edição de hoje

CRÔNICA

Chega de cinza

Começa a ficar preocupante a fixação que os técnicos do Prefeitura de Joinville têm com as árvores. Parece que não podem ver nenhuma árvore um pouco mais frondosa que já vai dando neles uma alergia e precisam, por meio de um projeto de requalificação, sair cortando.

Os motivos alegados são os estragos que as raízes provocam nas calçadas. Na verdade, se a própria Prefeitura informa que em mais de 12 anos nenhuma manutenção foi feita, nem nas árvores, nem nas calçadas, parece que não são as árvores que devem ser cortadas, e, sim, algumas cabeças pensantes.

Roberto Burle Marx, que neste ano faria cem anos, nos deixou grandes projetos de paisagismo. Sorte dele que não precisou lidar com a sabedoria de alguns dos técnicos e planejadores da nossa cidade. Nos projetos de Marx, uma constante sempre foi o espaço público, a priorização do pedestre, largas calçadas multicoloridas são a sua marca registrada tanto em Copacabana quanto no projeto do Byscaine Boulevard em Miami; na praça do Povo de Berlim; ou nos jardins das Torres Petronas, na Malaysia. As calçadas dos projetos, apesar de terem já mais de 40 anos, em alguns casos, mostram um estado invejável, as cores dos pisos se mantêm vivas e originais, seguras e as árvores mantidas e podadas.

Aqui, temos optado ao longo do tempo por diversas soluções, primeiro um petit pavê, mal colocado, que parece se diluir com o passar dos anos, feito com desenhos infantiloides representando bicicletas, casinhas de enxaimel e flores estilizadas.

Agora, a opção imposta são os pavers de concreto, que os técnicos propõem que sejam utilizados num desenho simplista que imita durante breves meses um jogo impossível de amarelinha, em cores que só são visíveis na tela do computador ou nas imagens fantasiosas que a Prefeitura divulga, para iludir a uns e convencer a outros. Cores irreais que desbotam e perdem a intensidade com tanta velocidade que as praças que a Prefeitura pavimentou no final do ano já perderam a cor. E o cinza passa a ser a cor dominante das nossas calçadas e das cabeças dos nossos planejadores de plantão.

Por citar um exemplo, na rua Rolf Colin, um empreendimento comercial que prima pela qualidade dos seus espaços e acabamentos, embarcou nesta ideia de utilizar a calçada ideal, título que pomposamente recebe a proposta de “pavementar” toda a cidade. O aspecto que em pouco tempo a calçada oferece é triste, as cores sumiram e o cinza tomou conta, do mesmo modo que a mediocridade invadiu as nossas ruas.

comentariosdejoinville.blogspot.com

JORDI CASTAN | Paisagista em Joinville

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