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Marco Dormino , EFE

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11 de agosto de 2009. | N° 490AlertaVoltar para a edição de hoje

  • CÉU LIMPO E CALMO

    “Às vezes, os pássaros não voam pro mesmo lado no inverno”. O Bela Infanta não declara muito mais do que isso no perfil no MySpace, talvez na esperança de que o ouvinte se encarregue de decifrar os rumos do quarteto joinvilense. Mas quando as seis músicas ali postadas – quatro delas presentes no recém-lançado EP de estreia – impõe a tarefa, percebe-se que, sim, algumas aves voam juntas pelos ares frios. Se a metáfora for válida, anote aí: Bela Infanta faz par no céu com o Ursulla, o que não é surpresa, já que os dois grupos compartilham o guitarrista e compositor Israel...

  • ... Bela Infanta e Ursulla também dividem o gosto por climas calmos, letras cândidas e influências dos anos 80, que no caso do primeiro são bem mais acentuadas. O Bela Infanta busca dados em Joy Division, New Order e The Cure pra fazer esse rock que encanta pela serenidade. Há um mínimo de distorção, e a presença dos teclados do vocalista Deivys é dominante, às vezes até decretando um início de dança, caso de “Refratário” e “Honk Tonk Piano”. Mas o impulso é momentâneo. O que a banda quer é criar ondas discretas de calor pra, quem sabe, atrair pássaros de rotas opostas.

  • Prato do dia

    Sempre fui muito mais o Oasis, mas compraria de olhos fechados “Midlife: a Beginner’s Guide to Blur (EMI, por enquanto, só importado), coletânea dupla que pega carona na volta do grupo inglês à ativa. As 25 faixas atestam o quão bom é o quarteto na arte de fazer música pop – e fazer isso bem é pra poucos. Qualidade estampada em vários exemplos distintos: nas guitarras altíssimas de “Song 2”, no gospel de “Tender”, no space rock de “The Universal”, na dance ensolarada de “Girls & Boys”, na eletrônica pesada de “Crazy Beat”. Enfim, o Blur nunca teve medo de experimentar e quase sempre se deu muito bem. A gigantesca multidão que foi vê-lo no Hyde Park deve achar a mesma coisa.

  • Familiarizada

    Rodrigo Domingos providenciou uma atração importada para o lançamento do livro “O Início do Assoprado”, dia 24 de setembro, na Biblioteca Municipal de Joinville. É Valéria Cini, cantora e compositora argentina com quem o escritor travou contato quando andou por Buenos Aires e cujo trabalho vai apresentar aos conterrâneos. Valéria tem intimidade com o País: costuma cruzar os sons platinos com samba e bossa nova e musicar poemas de brasileiros.

  • Tarantino atropelado

    Tá todo mundo esfregando os dedos pela chegada do novo filme de Quentin Tarantino, “Bastardos Inglórios”. Mas alguém lembra de “À Prova de Morte” (foto), a parte que cabe ao diretor no projeto “Grindhouse”, ao lado de Robert Rodriguez? O longa está marcado pra sair no Brasil em novembro, dois anos depois de seu lançamento e um mês após a estreia de “Bastardos”. Vamos ser sinceros: a essas alturas, os fãs de Tarantino já acionaram o sistema de “baixamento” há tempos.

  • Por gentileza, visite

    Atenção para o chamado: amanhã é o último dia pra conferir a exposição “Uma Gentil Invenção” no Museu de Arte de Joinville e deleitar-se com a democracia que vigora na Gentil Carioca, espaço artístico dono do acervo. No MAJ, apenas 20 artistas contemporâneos estão representados, mas é o suficiente pra entortar os sentidos com a diversidade de objetos, vídeos, esculturas, serigrafias, costumes, desenhos, fotografias e até vestidos transformados em tela, como fez a mineira Laura Lima (foto). Como frisa o catálogo da mostra, é “um verdadeiro laboratório de percepções”.

  • "As pessoas têm medo de dar opinião, porque o fato de ter uma opinião sobre alguma coisa virou ofensa pessoal. Você tem de ser politicamente correto o tempo todo, não ofender ninguém, não fumar, não beber e não nada. Isso me deixa aflita.'

    Em entrevista ao G1, Pitty revelou que foi a autocensura de sua geração que a motivou a compor “Todos Estão Mudos”, um brincadeira (séria) com “Todos Estão Surdos”, clássico de Roberto Carlos. A faixa faz parte do quarto disco da cantora, “Chiaroscuro”, que chega hoje às lojas. 

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