
Às vezes, os pássaros não voam pro mesmo lado no inverno. O Bela Infanta não declara muito mais do que isso no perfil no MySpace, talvez na esperança de que o ouvinte se encarregue de decifrar os rumos do quarteto joinvilense. Mas quando as seis músicas ali postadas quatro delas presentes no recém-lançado EP de estreia impõe a tarefa, percebe-se que, sim, algumas aves voam juntas pelos ares frios. Se a metáfora for válida, anote aí: Bela Infanta faz par no céu com o Ursulla, o que não é surpresa, já que os dois grupos compartilham o guitarrista e compositor Israel...

... Bela Infanta e Ursulla também dividem o gosto por climas calmos, letras cândidas e influências dos anos 80, que no caso do primeiro são bem mais acentuadas. O Bela Infanta busca dados em Joy Division, New Order e The Cure pra fazer esse rock que encanta pela serenidade. Há um mínimo de distorção, e a presença dos teclados do vocalista Deivys é dominante, às vezes até decretando um início de dança, caso de Refratário e Honk Tonk Piano. Mas o impulso é momentâneo. O que a banda quer é criar ondas discretas de calor pra, quem sabe, atrair pássaros de rotas opostas.

Sempre fui muito mais o Oasis, mas compraria de olhos fechados Midlife: a Beginners Guide to Blur (EMI, por enquanto, só importado), coletânea dupla que pega carona na volta do grupo inglês à ativa. As 25 faixas atestam o quão bom é o quarteto na arte de fazer música pop e fazer isso bem é pra poucos. Qualidade estampada em vários exemplos distintos: nas guitarras altíssimas de Song 2, no gospel de Tender, no space rock de The Universal, na dance ensolarada de Girls & Boys, na eletrônica pesada de Crazy Beat. Enfim, o Blur nunca teve medo de experimentar e quase sempre se deu muito bem. A gigantesca multidão que foi vê-lo no Hyde Park deve achar a mesma coisa.

Rodrigo Domingos providenciou uma atração importada para o lançamento do livro O Início do Assoprado, dia 24 de setembro, na Biblioteca Municipal de Joinville. É Valéria Cini, cantora e compositora argentina com quem o escritor travou contato quando andou por Buenos Aires e cujo trabalho vai apresentar aos conterrâneos. Valéria tem intimidade com o País: costuma cruzar os sons platinos com samba e bossa nova e musicar poemas de brasileiros.

Tá todo mundo esfregando os dedos pela chegada do novo filme de Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios. Mas alguém lembra de À Prova de Morte (foto), a parte que cabe ao diretor no projeto Grindhouse, ao lado de Robert Rodriguez? O longa está marcado pra sair no Brasil em novembro, dois anos depois de seu lançamento e um mês após a estreia de Bastardos. Vamos ser sinceros: a essas alturas, os fãs de Tarantino já acionaram o sistema de baixamento há tempos.
Atenção para o chamado: amanhã é o último dia pra conferir a exposição Uma Gentil Invenção no Museu de Arte de Joinville e deleitar-se com a democracia que vigora na Gentil Carioca, espaço artístico dono do acervo. No MAJ, apenas 20 artistas contemporâneos estão representados, mas é o suficiente pra entortar os sentidos com a diversidade de objetos, vídeos, esculturas, serigrafias, costumes, desenhos, fotografias e até vestidos transformados em tela, como fez a mineira Laura Lima (foto). Como frisa o catálogo da mostra, é um verdadeiro laboratório de percepções.

"As pessoas têm medo de dar opinião, porque o fato de ter uma opinião sobre alguma coisa virou ofensa pessoal. Você tem de ser politicamente correto o tempo todo, não ofender ninguém, não fumar, não beber e não nada. Isso me deixa aflita.'