Prestes a ser instalada no Senado, a CPI da Petrobras deve ser controlada por parlamentares da base de apoio ao Palácio do Planalto, com a recomendação aos aliados de não permitirem a convocação de integrantes do alto escalão. As ingerências colocam em risco a credibilidade desse instrumento de investigação parlamentar, que, apesar do desgaste dos Legislativos de maneira geral, ainda é visto pela maioria dos cidadãos como uma alternativa eficiente de investigação de pessoas públicas envolvidas em irregularidades.
Em recente pesquisa de opinião pública feita no Estado, ficou evidente o expressivo apoio da população à criação de uma CPI para investigar denúncias contra o Executivo. Por isso, é importante que iniciativas como a voltada agora para uma estatal com atuação em área-chave, como é o caso da Petrobras, não se percam em disputas de interesses meramente eleitoreiros.
É significativo que, mesmo descrente da política e dos políticos, tanto da situação quanto da
oposição, a sociedade se
mostre amplamente favorável a apurações parlamentares num momento como o enfrentado atualmente no Estado. Esse antagonismo reforça a necessidade de que os políticos se disponham a recuperar a credibilidade, em baixa entre a população.
No que diz respeito aos legisladores, uma das alternativas para atender melhor aos anseios da sociedade, que clama pela moralização, é os parlamentares pensarem mais no bem comum e menos em aspectos de interesse político-partidário ou mesmo corporativistas na hora de se posicionarem em relação às investigações.
É preciso que mecanismos como as CPIs não se limitem apenas a investigar, muitas vezes transformando esse processo num espetacular palanque eleitoral, particularmente em apurações que, pelo seu caráter explosivo e devido ao elevado interesse público, costumam ser acompanhadas em tempo real pela mídia.
Qualquer balanço sobre inquéritos legislativos de anos recentes vai demonstrar que os mais bem sucedidos foram
justamente os preocupados em definir um
foco claro e em fugir da dispersão. Os parlamentares buscarem foco para as CPIs, como forma de valorizar esse instrumento de investigação e de recuperar a credibilidade dos políticos e da política.
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