No dia 3 de fevereiro, quando os vereadores de Joinville voltarem ao trabalho, a população vai conviver com uma situação inédita na história política recente da cidade: a Câmara está dividida. O governo do prefeito Carlito Merss (PT) vai trabalhar com minoria no parlamento, algo que não acontecia desde 1989, quando Luiz Gomes, do então PDS (hoje PP), assumiu a Prefeitura contando com apenas oito dos 21 vereadores em sua base governista.
A situação de Carlito é um pouco melhor. Ele tem o apoio de nove dos 19 vereadores que atualmente compõem a Câmara. A bancada de oposição tem, oficialmente, os quatro vereadores do PSDB e os três do DEM, somando sete. A desvantagem do petista é causada pela posição ainda indefinida dos dois vereadores do PPS – Sandro Silva e Juarez Pereira – e de Dalila Leal, do PSL. Os três se aliaram aos opositores para garantir a vitória de Sandro Silva na eleição para a presidência da Câmara, criando o primeiro racha na base aliada – que apostava na eleição de Tânia
Eberhardt
(PMDB). Com a manobra, PPS e PSL foram alijados do governo petista e passaram a ser considerados de oposição por Carlito Merss.
O prefeito tem afirmado que não vê problemas em governar com minoria. “O PT governou muitas cidades pelo Brasil dessa forma. Porto Alegre e Londrina são bons exemplos.” A aposta do PT é que a pressão popular no plenário pode garantir o voto a mais que falta para aprovar os principais projetos do Executivo.
Provável líder do governo na Câmara, o vereador Manoel Bento (PT) diz que vai buscar entendimento com os adversários, mas admite a possibilidade de recorrer à mobilização. “Se a oposição quiser fazer uma radicalização burra, a gente mobiliza a sociedade, lota o plenário se for preciso. Mas não queremos que chegue nesse ponto”, afirma o vereador.
Ele acena com conciliação à bancada oposicionista. “A Prefeitura não vai enfiar projetos goela abaixo. Nem aos aliados, nem à oposição”, garante Bento.
Para
Carlito Merss, a força da caneta de prefeito poderia
ter garantido vantagem entre os vereadores. “Eu poderia bancar, mas não quero bancar nada, quero governar”, diz. Na história política recente de Joinville, os prefeitos têm cedido às pressões da Câmara para ter maioria.
Em 1993, Wittich Freitag iniciou o governo com 13 dos 21 vereadores em sua base, com PFL e PDS. Os cinco do PMDB começaram na oposição, mas acabaram atraídos para a situação. Ao fim do governo, Freitag chegou a apoiar a eleição de Luiz Henrique da Silveira, a quem derrotara quatro anos antes. Luiz Henrique assumiu em 1997 com 15 dos 21 vereadores e repetiu o feito ao se reeleger.
A vitória de Marco Tebaldi (PSDB) em 2006 foi o ponto máximo. Naquele ano, houve a redução do número de vagas das Câmaras de todo o País determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Pilotando uma coligação de 18 partidos, o tucano conseguiu eleger aliados para 15 das 18 cadeiras que passaram a compor o legislativo joinvilense. Um feito difícil de se
repetir.
upiara.boschi@an.com.br
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